O N D E E S T O U?

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— Nãoooooooooooooo. Socorro. Alguém me ajude.

Enquanto eu olhava assustada para cada centímetro do prédio, uma menina gritava totalmente apavorada me causando mais medo enquanto eu passava pelo primeiro corredor. Ela estava sendo segurada por dois homens, um em cada lado, e com certeza, ela não tinha nenhuma noção do que estava acontecendo.

— Carrie ? — Uma mulher se aproximou. — Venha, eu mostro seu quarto.

Ela usava roupas pretas e apertadas, seus peitos pareciam querer saltar, e seu sapato fazia barulhos irritantes quando caminhava.
— Seu pai acha que será preciso uma semana no máximo.
— Ah, com certeza. — Falei com desdém.

Ela me olhou e sorriu. — Aposto que vai gostar, não nada assustador como nos filmes.

Ah aquela menina gritando é uma peça teatral? — Quis dizer mas só assenti.

Eu estava totalmente desapontada com a escolha do meu pai. Enquanto nos despedimos ele tentava me deixar tranquila, eu parecia estar. Eu não estaria se soubesse que iria para uma clínica psiquiatra.

— Eu preciso usar o telefone.
— Nós temos regras aqui, você só poderá usar o telefone uma vez por semana, e por dez minutos. Vai querer ligar hoje? você acabou de chegar vai passar a semana sem poder...
— Quero usar o telefone. — A interrompi com voz firme.
— Ok, me acompanhe. Eu sou Meredith, costumo dar uma olhada na turma.

Turma? use o termo correto. "Psicopatas".

— Ah.

Gregg e Clair estavam namorando. Eles nos disseram alguns dias atrás empolgados e deram até um beijo durante a janta. Eles também me levaram para a clínica, estavam me esperando dentro do táxi naquela noite, mas ambos não sabiam que era mais um hospício do que lar especial. Se soubessem talvez tentariam me esconder em algum lugar e dizer para o meu pai que eu cheguei bem, mas não os deixaram entrar, pararam no portão e deram tchau com piedade.

— Alô?
— Bu.
— Ãh?
— Sou eu, paizinho.
— Carrie querida, como você está?
— Me poupe dessa falsidade, você sabia que estava me mandando pra droga de um lugar cheio de loucos, não sabia?
— Carrie, calma, eu...
— Quer saber, não precisa me tirar daqui, Nova Iorque estará mais segura assim.

Bati o telefone no gancho fortemente e me sentei no chão, já com lágrimas escorrendo.

Aquele lugar me assustava, eu olhava para as pessoas e sentia meu estômago ferver. Havia janelas quebradas, panos jogados no chão, telas pintadas com apenas tintas vermelhas, eu queria sair correndo, o que eu faria se não tivesse sido interrompida do choro.

— Vai se afogar. — Uma menina de vestido branco, descalço, sentou do meu lado.

Sequei as lágrimas e a olhei, com pavor.
— Tudo bem, eu não vou te machucar. — Ela me olhou firme, e sorriu estranho.
— Não estou com medo. — Forcei um sorriso.
— Eles têm. — Ela curvou a cabeça na direção de um grupo que estava totalmente barulhento. — Engoli seco e me levantei.
— Legal te conhecer. — Iniciei ainda com medo e sem saber o que dizer.
— Sou Avril, mas ninguém aqui sabe, ninguém perguntou antes. — Era riu e seus dentes eram amarelos.
— Carrie. Eu acabei de chegar. — Evitei olhar para ela fixamente.
— Eu sei. Meredith me disse pra te mostrar o local.
— Porque?
— Você não sabe? somos colegas de quarto.

socorro.

Minhas MarésOnde histórias criam vida. Descubra agora