Seus lábios tocaram os meus em um gesto calmo e bom. Ele levou a mão em meu cabelo e segurou levemente.
Nossos corpos estavam colados, e não tinhamos a intenção de recuar.
— Desculpa. — Lowis se afastou de vagar, e sorriu torto.
Ninguém resistiria àquele sorriso, eu fiz o que qualquer outra pessoa faria em uma situação assim.
O beijei novamente. Lento e com vontade.
Quando nos afastamos, ele me olhou nos olhos, e beijou minha testa.
Meus olhos brilharam, e eu sorri.
— Vamos. — Ele pegou minha mão esquerda, entrelaçou à sua direta e começamos a andar.
— Aonde vai passar o verão? — Iniciei um diálogo.
— Eu sempre passo aqui mesmo.
— Por opção?
— Eu tenho que ajudar meu pai.
— No trabalho?
— É. — Ele suspirou e mudou de assunto; — A gente precisa de batatas fritas.
— Com certeza.
Nós atravessamos a rua e chegamos em uma lanchonete. Não era um Mc Donald's mas cheirava à salgados e cupcakes.
Lowis puxou uma cadeira e ofereceu para que eu sentasse.
— Obrigada.
Nosso pedido chegou e eu ainda estava rindo atoa.
— O que foi? — Ele perguntou, virando o copo na boca, experimentando o suco.
— O quê?
— Por que você está rindo?
— Eu estou feliz.
— Por favor, não me diga que o motivo são as batatas.
— É o suco. — Brinquei
Eu não sabia que horas eram, e nem queria. O relógio não me importava, eu queria que o tempo congelasse. Ele me olhava cada segundo, e seu olhar me transmitia segurança.
— Você precisa chegar em casa que horas?
Lowis pegou a conta, pagou e se levantou.
— Dana-se as horas.
Me levantei e peguei na mão dele.
— Eu sabia que esse seu jeito me encantaria.
— Ele apertou minha mão, e continuamos andando pelas ruas de NY.
— Você vai na festa da escola?
Ele olhou pra mim com dúvidas.
— Sábado?
— Sim.
— Não sei. Aqueles cartazes nos armários não me convenceram.
Ele riu, e balançou a cabeça.
— Talvez eu te convença.
— Precisa ser bom.
Chegamos até uma estação e ele seguiu em frente.
— Espere.
Parei e observei o local.
— O que foi?
— Pensei que seu plano de fulga fosse só uns metros de distância.
— Ainda não consigo ver o a estátua da liberdade.
Com as mãos dados nós entramos no metrô.
Andamos umas meia hora, e rimos o tempo inteiro.
Eu resumiria minha manhã como, mágica. Cada segundo estava sendo incrível. Em momento algum eu me senti mal, ou com sensações de desmaios, mas estava cedo demais para comemorar.
***
Já eram 7h00 da noite quando nós estávamos observando o time square.
— Isso sempre me deixa encantada.
— Acho que aqui é meu lugar favorito do mundo. — Ele analisou.
— Talvez seja porque você ainda não foi pra Tokyo.
— Você já?
— Infelizmente não, mas é o meu sonho desde criança. — Admiti.
— Não sou um dos melhores com aqueles pauzinhos.
— Hashi.
— Que? — Ele fez uma careta.
— Os "pauzinhos", chamam-se Hashi.
A claridade da avenida de Manhattan sempre fora incrível, e naquela noite, algo brilhava mais intenso, dentro de mim principalmente.
— Vamos fazer uma tatuagem?
— Uma tatuagem? — Lowis se assustou.
— Duas talvez.
— Cara, você é mesmo doidinha.
— Eu não usaria o diminutivo.
Ele riu, mas concordou.
— Aonde quer fazer?
Lowis perguntou enquanto procurávamos o local adequado.
— No pulso.
— No pulso? — Ele repetiu assustado.
— É.
— Uma borboleta?
— Credo. — Coloquei a língua pra fora.
— Uma flor?
— Não.
— Um coração?
— Lowis, uma caveira. — Falei de vagar.
— Caramba.
— Brincadeira, calma.
Ele riu abafado e com certeza cheio de alívio.
Nós achamos uma loja de esquina e deduzimos que seria boa.
— Quem vai primeiro? — Um tatuador, já de luvas e com a máquina na mão, mostrou o lugar de sentar.
— Eu. — Levantei a mão.
— Tá legal. Qual seu nome?
— Carrie.
— Aonde quer fazer?
— Pulso.
— Já tem o desenho? Uma flor?
— Merda, porque acham que eu desenharia uma flor.
— É um coração? — O Tatuador se arrumou na cadeira.
— Isso daqui. — Mostrei a imagem no meu celular.
— Sinais vitais?
Lowis olhou para a tela surpreso.
— Não. São "os" sinais vitais.
— Tá legal, vamos começar.
A máquina já estava ligada, vindo em direção do meu braço, mas Lowis interrompeu.
— Você tem certeza?
— Cara, eu quero fazer isso desde que nasci.
Olhei estranho e ansiosa.
— Qual é a dessas ondas?
— Arctic Monekys. Por favor, não diga que não conhece essa banda.
Insisti, e pedi para o tatuador prosseguir.
— Talvez eu conheça. — Ele ainda estava confuso.
— Droga. — Gritei.
— Desculpas, está doendo muito?
O cara da tatuagem se assustou.
— Não, pode continuar. Eu só não acredito que quero dividir meu coração com quem não conhece Arctic Monkeys.
Os dois riram, e Lowis e me olhou por bastante tempo, como se estivesse gostado do "quero dividir meu coração".
VOCÊ ESTÁ LENDO
Minhas Marés
Romance[COMPLETO] Com uma vida fora dos trilhos, Carrie entra em depressão. A falta do carinho dos pais afeta sua rotina, mas quando conhece Lowis e se apaixona mais rápido do que imaginou, enxerga a felicidade perto. Contudo, quando a doença começa causa...
