F I Z O C E R T O?

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Eu acordei de madrugada e notei que Lowis estava com seus braços sobre mim. Primeiro meu abri um sorriso, mas não demorou nem dois minutos pra eu me questionar, se estava fazendo a coisa certa.

O relógio no criado mudo, a única e pequena luz que reluzia no quarto escuro, mostrava 3h40. Respirei aliviada por não ter amanhecido e eu ter que ir pro trabalho, então, como se eu fosse conseguir dormir, virei para o outro lado, e fechei os olhos.

Na posição que fiquei, era possível escutar a respiração dele tão perto, parecia um sonho, e embora eu ainda estivesse em uma guerra entro o certo ou errado, tive a certeza que queria acordar pra sempre ao lado dele. Fiquei quase meia hora de olhos abertos, apreciando o momento.

***

Acordei com meu despertador apitando fortemente, como de costume.
Lowis estava do meu lado com os olhos já abertos.

— Olá. — ele sussurou.
— Bom dia. — passei as mãos no rosto, torcendo pra ele não reparar no meu cabelo bagunçado.  — Você estava acordado?
— Sim, já faz alguns minutos.
— E porque não me acordou?
— Na verdade pareceu um sonho quando acordei e estava do meu lado, resolvi te observar um pouco mais pra ter certeza de que não iria desaparecer.
eu sorri. — Ok.

Me levantei e fui pro banho, antes disso Lowis se ofereceu pra fazer café e eu expliquei onde ficava os ingredientes.

Quando sai só de toalha, ele me fitava pela porta entre aberta.

— Eu vou encostar. — avisei indo rumo a porta.
— Está com vergonha de mim?
— Não. É que, não sei, ainda estou desconfortável.
— Tudo bem. — ele disse depois que eu ja havia fechado.

Me vesti e sequei meu cabelo. Assim que cheguei na cozinha, ele me esperava com a mesa pronta.

— Achei ovos e bacon na geladeira.
— Obrigada.

Me sentei e começamos a comer. Com o clima meio pesado, nossos olhos se encontravam e depois recuavam.

— O que foi? — ele perguntou ao notar que eu estava um pouco ansiosa olhando para o chão.
— Nada.
— Eu deveria ter fritado mais o bacon? — ele falou em tom de brincadeira.
— eu ri. — acho que sim.
— Hum, tá bom. Na próxima eu frito.
— Próxima? — ergui as sobrancelhas.
— Não tem a intenção de me convidar de novo?
Eu apenas flertei com ele, e fizemos um curto silêncio, que logo ele quebrou.

— Posso te deixar no serviço se quiser.
— Não precisa.
— Certeza?
— Sim.
— Então eu já vou indo. — ele se levantou. — A gente se vê!
— Certo.

Assim que ele passou pela porta e foi embora, levei as duas mãos na cabeça.

meu Deus, o que foi que eu fiz.

Uma coisa era Willy e sua história de amor, mas eu e o Lowis? onde queríamos chegar? qual seria o sentido disso tudo?

Peguei um uber e fui pra floricultura.

***

— Alguém está feliz hoje. — Willy chegou do meu lado duas horas depois do meu almoço, com suas roupas sujas de terra, provavelmente ele estava plantando mais flores.
— Ah, oi. — abri um sorriso, e notei que realmente, eu estava cantarolando.
— Alguma notícia boa?
— Mesma venda de sempre. — respondi sem ter a certeza que de ponto ele queria chegar.
— Ele sorriu. — Ok, e quanto ao resto?
— Tudo certo.
— Ótimo. — Willy virou-se para sair.

— Ei,Willy?
— Sim?
— Passamos a noite juntos.
— Ele abriu um sorriso satisfeito. — era o que você queria?
— Parcialmente.
— Está em dúvida se fez o certo, não é mesmo?
— Sim.
— Olha minha filha, só se faz dezessete anos uma vez, por favor, abandone o arrependimento.

Concordei com a cabeça e voltei ao trabalho.

No fim do expediente, notei que o céu estava nublado, e o vento parecia aumentar, pancadas de chuva estavam previstas segundo o noticiário da TV.

Eu não me sentia bem o suficiente para ir pra casa e me encher de sorvete, então, decidi ir falar com Pieter.

— Oi. — fechei o meu casaco pra me proteger o vento que balança as árvores de um jeito poético.
— Senti sua falta. Você está bem? — eu imaginavas as respostas e logo falava novamente. — Estou adorando meu trabalho, o Willy é como um avô pra mim, me dá conselhos e sempre conta histórias engraçadas sobre seu passado, é realmente um emprego muito bom, nada cansativo.

Como sempre, depositei as rosas e me sentei no chão. Arrancando as gramas com os dedos.

— Eu vim pedir um conselho. Ás vezes acho que minha vida nunca terá uma solução sabe? como se eu estivesse em uma estrada e já soubesse o destino final, é tão apavorante.

Eu ficava alguns minutos em silêncio, sentindo a brisa da noite e o vento gelado tocar em mim.

— Eu acho que eu e o Lowis nos resolvemos. Nada decidido ainda mas, a gente passou a noite juntos. É, eu sei, confuso né? mas, eu me senti tão bem com ele ao meu lado, menos solitária. O que acha que eu devo fazer?

A noite chegou e algumas estrelas surgiram, deixando o céu ainda mais lindo.

— Eu só quero ser feliz. Só isso. — notei que uma estrela cadente desceu de repente sob o céu. 

Não tinha certeza se acreditava em superstições, mas fechei os olhos e fiz um pedido.

Me levantei, despedi de Pieter, caminhei até em casa. Não era tão perto, mas eu gostava de caminhar sozinha por aí.

O jornal estava certo, logo a chuva chegou, me deixando totalmente encharcada.

Cheguei em casa de pressa e fui rapidamente me secar, evitando qualquer resfriado que quisesse me pegar. Fiz um chá, peguei meu notebook e fui procurar algo pra assistir, eu queria adiar o que estava acontecendo, eu não sabia como isso iria terminar, mas quando o filme começou, meu telefone tocou e era ele na linha.

— Oi Lowis.
— Oi, está ocupada?
— Não, eu ia ver algum filme.
— Tem um segundo?
— Claro.

Caminhei até a laje do apartamento e fiquei observando as estrelas novamente, esperando que outra caísse, afinal, eu tinha milhões de pedidos.

Minhas MarésHistórias para pegar e não largar. Descubra agora