Imprevisíveis. Assim que as coisas são.
Era mais uma segunda de muito frio e eu acordei decidida.
Contaria ao Lowis sobre a maldita doença que me impedia de viver.
Tomei um banho demorado, tomei o café manhã pensativa, porém certa da decisão.
Após faltar quase uma semana, tive que ir pra escola, que afinal de contas não estava mais desinteressante. Eu acho que quando sabemos que vamos ver alguém importante, o local por si se torna adorável.
Eu usava uma vestido marrom, abaixo do joelho, um coturno preto e uma jaqueta da minha banda favorita de rock. Meu cabelo bagunçado e minha cara sem senso de humor diário.
A minha própria companhia. Era isso que sempre tive. Embora nunca tivesse um namorado, naquele mês eu acreditava que isso iria mudar. Meus devaneios foram interrompidos por uma droga de barulho avisando o começo da aula.
Entrei para sala e o vi. Foi a primeira coisa que meus olhos alcançaram.
Antes que eu pudesse tomar minha cadeira pra sentar a professora me chamou a atenção.
— Carrie. — É educado cumprimentar-nos, sua mãe já te contou?
A sala inteira riu. A maioria por zombaria.
— Eu não tenho mãe. — Menti ainda séria e todos ficaram em silêncio.
A professora mudou de assunto imediatamente.
As duas primeiras aulas foram chatas, e meus pensamentos me levavam a olhar para o lado e encara-lo pela terceira vez.
— Oi. — Ele sussurrou pra não interromper a aula, e deu uma piscadela.
— Oi.
Ele estava apenas sendo gentil, isso era óbvio. E eu estava morrendo de vergonha pela noite anterior.
Que tipo de garota vai à um encontro e tem chiliques?
— Droga. — Pensei alto o suficiente pra ter toda atenção virada para mim.
— Quer dizer alguma coisa senhorita Carrie? — A professora desafiou.
Discordei com balanços lentos de cabeça.
Ele me olhava diferente. Era como se eu fosse um mistério que ele quisesse desvendar. Na verdade isso era uma certeza, até eu me achava complicada porquê ele não acharia?
O intervalo de vinte minutos para o lanche passou voando. Eu queria ir conversar com ele, mas fiquei sentada em uma mesa sozinha tentando achar um tempo que os amigos dele que usavam uniformes de algum time de basebol pudessem vazar dalí.
Pedido realizado. Um dos meninos iniciou a despedida e os outros fizeram o mesmo logo em seguida.
Ele me viu e veio até mim.
Seu cheiro chegou primeiro, e meus olhos quase fecharam pelo infanto.
— Batatas? — Ele perguntou colocando uma bandeja de fritas sobre a mesa e sentado à minha frente.
Fiz sinal negativo com a cabeça e o clima ficou estranho.
— Tem certeza? — Ele disse enquanto levava a mão novamente às batatas com uma expressão de que estavam ótimas, mas é claro, pra romper o silêncio.
— Sinto muito por ontem à noite. — Eu disse por fim.
— Tudo bem.
— Não, não está tudo bem. — Minha voz firme fez com que ele me olhasse.
— Eu sei.
— Você sabe? — Engoli seco.
— Gostaria que conversasse comigo.
Eu fiquei pálida. Como assim ele sabia? Do que ele estava falando?
— Sabe mesmo? — Perguntei baixo e com vergonha.
— Talvez.
Talvez! Isso mesmo que ele me respondeu. Meu suspiro foi de alívio, eu não queria que ele tivesse ido falar comigo aquele dia no campo de lacrosse por dó. E seria ótimo que ele não soubesse, aí eu teria certeza de que ele não estava saindo comigo por pena.
E se ele disse talvez, em sua cabeça ele criava imaginações sobre mim, não era exatamente uma certeza de algo.
O talvez havia saído da boca dele, mas as dúvidas eram totalmente minhas.
O que ele sabia? Quanto ele sabia? Meu pai havia avisado?
Ele pedira pra me tratar com cautela, teria contado que sou doente?
Minha cabeça estava perturbada, e eu não sabia mais de nada e o calor veio chegando de repente.
Porquê eu tinha que ter isso? Porquê ele sabia de algo? Porquê eu tinha que ter estragado nosso primeiro encontro. Porquêeee?
Minha pulsação foi aumentando e eu sentia meu corpo gelar.
— Está tudo bem? — Ele perguntou colocando a mão direita sobre à minha esquerda devido estar na minha frente. E eu o via como em um flash black.
Meus olhos começaram piscar mais rápido que o normal e eu o via mais distante e era como se palavras saíssem da sua boca, a quais impossíveis de serem escutadas.
Um calor tomou o meu corpo quando eu o via ainda distante me abanando com algo em mãos e de repente tudo ficou escuro.
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Minhas Marés
Storie d'amore[COMPLETO] Com uma vida fora dos trilhos, Carrie entra em depressão. A falta do carinho dos pais afeta sua rotina, mas quando conhece Lowis e se apaixona mais rápido do que imaginou, enxerga a felicidade perto. Contudo, quando a doença começa causa...
