A T É L O G O

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— Eu vou te visitar todos os dias, eu prometo.  — Lowis me abraçou pela quarta vez e me beijou na testa.

Meu pai estava com o semblante triste, mas ciente de que era a decisão certa à fazer.

Naquela noite em que fiquei desacordada por uma semana, meu pai prometeu à Dra Vivian, que se, eu desmaiasse outra vez, tomaria as providências necessárias. Me levaria à um lar de jovens que sofrem depressão e coisas relacionadas. Eu ficaria o tempo que fosse preciso mas voltaria bem, pelo menos foi o que ele esperava.

Eu fiquei em choque quando ele me contou, eu esperava isso, mas não de repente, não quando eu havia encontrado o amor da minha vida e estava começando a viver o que sempre sonhei.

— Você vai se acostumar.  — Jenna me olhava encostada na porta.
— Ah claro! porque não? é  um lugar super empolgante, repleto de loucos e pessoas que odeiam a vida, vou me enturmar no mesmo dia. — Revirei os olhos.

Mais uma vez olhei para Lowis, que fitava o chão, e desejei fugir pra qualquer lugar do mundo, só nós dois longe de toda catástrofe. Mas eu estava quase convencida de que precisava mesmo de me curar, e poder ser a namorada melhor, sem crises e complicações.

— Ei.  — Ele chegou novamente até mim.
— Ei. — Falei baixo.
— Você sabe que, a decisão foi do seu pai, pra mim você é incrível de qualquer maneira.
— Não se preocupe, eu jamais culparia você, afinal você dormiu o tempo todo aquele dia no hospital, não pôde nem dar dicas. — Sorri devagar.
— Eu babei em você. — Ele sorriu de volta.
— A noite inteira. — Confirmei ainda rindo, e o olhei firme, como se fosse a última vez, afinal, a gente nunca sabe.
— Vou contar os dias para que saia.
— Não mais do que eu.
— Vamos contar juntos.
— Eu vou te ligar toda noite antes de dormir.
— Vai me ajudar à dormir melhor.
— Talvez eu nem durma.
— A gente passa a madrugada toda no telefone.
— Ótima idéia.
— Eu vou te levar batatas fritas.
— Com molho verde e coca-cola?
—  Sim, e com muito Catchup.
— Vou esperar ansiosamente.

Nós fizemos piadinhas por alguns minutos tentando amenizar a dor que ambos sentiam mas de um jeito ou de outro, a realidade sempre vem à tona.

Meu taxi chegou meia hora depois. Fui em rumo do mesmo depois de abraçar meu pai e acenar para Jenna.
Lowis me ajudava com as malas.

Lowis me abraçou de novo, e sussurrou no meu ouvido:
— Até logo.
— Até logo — Respondi contendo as lágrimas.
— Se cuida minha garotinha.

Eu entrei dentro do carro e fiquei olhando pelo vidro, e lá fui eu, com as malas lotadas, pensamentos cheios e coração apertado.

Minhas MarésHistórias para pegar e não largar. Descubra agora