Eu caminhei por um longo tempo em ressaca de sentimentos. O nó na garganta parecia que a qualquer momento me mataria, e eu estava tão assustada.
Andei por algumas ruas, mas minhas pernas pareciam estarem travadas, e eu, sentia estar sendo carregada pela noite.
Olhei para o relógio e percebi que já eram 10h00, e me sentei em um banco. A qual tinha uma bela vista da cidade e as luzem resplandeciam como se existisse um outro universo à minha frente.
Meu telefone tocou, e eu mesmo sem estabilidade, decidi atender.
— Carrie, aonde você está?
— Lowis, eu...
— Estou indo aí agora.
— Mas...
— Por favor não saia daí.
Ele desligou o telefone e eu ainda fiquei por alguns segundos segurando o aparelho, e olhando fixamente para o vácuo da escuridão.
Eu não sentia nada mas ao mesmo tempo sentia tanto, sentia tudo, sentia dor, ciúmes, cansaço, e não físico. Mas, eu negava a mim mesma, e repetia comigo em uma briga com meus pensamentos de que, eu não sentia absolutamente nada, além se uma vontade absurda de sumir.
Não se passou meia hora e Lowis já vinha ao meu encontro em passos apressados.
— Ei, você está aqui. — Ele me puxou para um abraço.
— Preferia estar no necrotério.
— Você não para nunca com isso né.
— Se eu estivesse lá, teria parado.
Lowis riu e balançou a cabeça, em ritimos de negação.
— Ta legal. Vamos embora.
— Como sabia que eu estava aqui?
— Meu celular, ele...
— Tem tecnologia avançada e essas coisas, entendi.
Claro, tem dinheiro pra comprar até uma torre se quiser.
Ele se levantou e me puxando por uma mão, teve a intenção de que eu fizesse o mesmo.
— Está tarde, vamos ir.
— Se importa de ficarmos? — Pedi, e permaneci do mesmo jeito.
— Tem certeza?
— Sim.
— Ok, vamos ficar.
Ele sentou novamente ao meu lado, e me abraçou.
— Se sente melhor?
— Isso não importa agora. Eu ferrei com seu encontro.
— É claro que importa, eu estou preocup... — Espera, encontro?
— É, com a Katy, na escola. Não se faça de tonto por favor.
Ele riu alto, e depois passou a mão na calça.
— Nós estávamos conversando sobre nossos pais.
— Precisavam ir dentro de uma sala sozinho?
— Acho que sim.
Percebi que eu agia como uma ciumenta desesperada e me controlei, não queria assusta-lo mais ainda.
— Legal, o que tem os seus pais?
— Eles estão brigando muito, são coisas de empresas e, ah, coisas desnecessárias.
— Empresas?
Ai meu Deus a Katy Bolson não é miliária, por favor, por favor.
— Sim, empresas. O pai dela, Sr Jeff, é dono do prédio ao lado, eles tem os aassuntos e negócios pendentes, são histórias tediantes.
— Entendo. — Arrumei o cabelo, ainda de queixo caído.
Além se bonita, milionária, é vizinha do Lowis e eles têm papinhos privados por casa de familia, é o fim.
— Carrie? Você quer algo? está tão calada.
— Os pensamentos falam demais.
Ele deu um suspiro, e beijou meu cabelo.
— Você estava com ciúmes?
— Não. — Falei tão rápido que ele se assustou.
— Me desculpe.
— Você não tem culpa. — Passei meus pés em algumas folhas que estavam no chão devido ao vento. — Ninguém tem.
— Então você não desmaiou porque me viu com a Katy?
— Óbvio que não. — Menti
— Olha, algo me diz que foi. E...
— O algo talvez minta. — Interrompido por mim ele começou me olhar mais forte.
— Talvez é algo incerto.
— Tanto faz.
— Fazia dias que não usava essa frase.
— Tinha esquecido do quanto é boa.
— Você é linda. — Ele quebrou o clima tenso, passando as mãos no meu rosto.
Eu fiquei em silêncio, porque apesar de tudo, ele era a minha calmaria, depois de um dia péssimo.
— Vem cá. — Ele me puxou mais pra perto e eu deitei no ombro dele.
— Ok.
Nós passamos o resto da noite alí. Sem medo da escuridão, sem medo do dia seguinte. Mas de uma coisa eu tinha medo, medo da imensidão de sentimento que ele estava despertando em mim.
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Minhas Marés
Romance[COMPLETO] Com uma vida fora dos trilhos, Carrie entra em depressão. A falta do carinho dos pais afeta sua rotina, mas quando conhece Lowis e se apaixona mais rápido do que imaginou, enxerga a felicidade perto. Contudo, quando a doença começa causa...
