Matteo
7 anos antes.
Não vou assumir a famiglia.
Pouco me interessa essa cerimônia hoje. Minha mãe foi morta e estou proibido de vingá-la. Fui proibido de honrar sua vida, tirando a do seu assassino. Todos estão seguindo essa ordem absurda do meu pai, esse pedido surreal de tentar evitar mais mortes. Evitar mais confusão, como se isso não merecesse uma ação de retorno. Até mesmo Antony, especialmente, ele.
Não aceitarei isso. Não serei uma marionete e acatar o que quer que seja.
Como eles podem não se importar a ponto de não querer retaliação? Que tipo de amor ridículo é esse?
Não quero paz. Quero minha mãe de volta.
Ela era maravilhosa e foi tirada de mim.
O inimigo da nossa Máfia tirou toda a cor da minha vida. Deixou tudo preto a troco de nada.
Por anos, minha famiglia sujou as mãos de sangue e justo nesse momento, meu pai decidiu ser um bom homem? Essa merda não faz sentido algum.
— O que você está fazendo, tio? — Três homens me rodeiam a pedido dele, apenas um aceno de cabeça e os malditos o seguem como cachorros. Havíamos combinado minha fuga há dias. Ele me ajudaria e eu estaria livre desse destino. Não tenho vocação alguma para assumir os negócios e Francisco sabia disso também. Eu não deveria ser capo. Nem deveria ter sido cogitado isso. Antony, sim. Não eu.
Passei pelo corredor sem emitir um ruído sequer. Prestei atenção para não ser visto, torcendo para que tudo saísse como o planejado, mas parece que o plano dele era diferente do meu.
— Estou ajudando você, filho. — Francisco sorri e eu continuo sem entender nada.
Será que ele contou tudo para Fillipo? Foi apenas encenação e algum tipo de lição? Porra!
Eu não deveria abandonar a famiglia, isso é certo, mas nunca escondi meu desgosto com essa coisa toda. Meu descontentamento sempre foi tão certo quanto o pôr do sol. Nunca foi nenhuma novidade
— Ajudando? — Questiono com raiva. Minha risada é seca e sem humor, mas alta o suficiente para fazer com que os soldados diminuam o espaço e sem tempo para qualquer defesa, sou golpeado com força.
Arrastam meu corpo inerte até um carro e sou jogado lá dentro como lixo. A pancada foi tão forte que meus ouvidos zunem. Estou zonzo demais e apago antes mesmo do carro começar a se movimentar.
Acordo com uma dor enorme na cabeça. Não sei dizer quanto tempo se passou, mas sei que já não estou mais em movimento e nem mesmo dentro do carro. Tento me mexer, mas não consigo. O desespero deixa a minha visão turva e o pressentimento de algo ruim parece sufocar meus pulmões. Até mesmo respirar fica difícil agora. A escuridão deixa meus sentidos em alerta máximo e ao me mover milimetricamente, sinto o frio do chão gelar minhas costas.
O que é isso?
Passo a mão pelo pescoço e algo gelado acelera meus batimentos. Algo pesado e sem nenhum calor.
Isso é uma corrente? Que droga é essa?
Como um animal enjaulado, tento me libertar. Pressiono o ferro para todos os ângulos possíveis, mas sem sucesso.
— Já entendi, pai. Cosa Nostra para sempre. — Grito para o nada repetida vezes — Agora me solte, isso não tem graça.
Uma luz é acesa e levo a mãos, no mesmo segundo, aos olhos para tampar a claridade enquanto tento assimilar o que está acontecendo.
— Paaaai. — Chamo novamente já perdendo a paciência.
— Ele não tem nada com isso, garoto. — As palavras frias vindas de Francisco é surpresa para mim. Por que ele está fazendo isso? Ele é da família. Sentindo menos incômodo com a luminosidade, viro o rosto na direção da sua voz e o encontro sorrindo.
— Estou perdido aqui, tio. Pode explicar, pelo amor de Deus, que porcaria toda é essa? — Tento soar calmo, mas começo a pensar que talvez isso não seja algum novo aprendizado.
— É simples, ragazzo. — Ele fala pausadamente e sorri como o diabo. Os dentes amarelados se destacam e o encaro furioso — Você vai ficar aqui por um tempo.
— Isso não é nem uma explicação. — Retruco e tento me sentar. Minha mente está uma bagunça e um medo, sem precedente, deixa minha mente em turbilhão.
— Tem razão, me perdoe. — Ele se agacha e me observa atentamente. — Isso é uma coisa minha, Matteo.
— Tony sabe disso? — pergunto.
— Seu irmão arrancaria minhas bolas se soubesse. — Francisco gargalha e isso só aumenta ainda mais a minha confusão.
— Por que estou preso? — minha voz falha, porque mal consigo conter o pavor. Nem tento parecer calmo, estou nervoso demais para qualquer teatro.
— Você pode enganar a todos com esse seu jeito de odiar a máfia e essas porcarias hippies que puxou da sua mãe. Mas não a mim, garoto. — Meu tio balança a cabeça e me olha de cima — Você tem sangue italiano nas suas veias, não posso arriscar estar perto de você quando implodir. Por isso está acorrentado. É mais seguro.
Qual o problema dele?
— Que conversa louca é essa? Por que está fazendo isso?
— Você pergunta demais. — Sua mão balança, como se, de alguma forma, eu o estivesse entediando — Algumas coisas irão acontecer lá fora e com um a menos da família Carter ao redor, será mais fácil e menos problemático.
— Mais fácil o que? — indago — Do que está falando?
— Acabar com todos vocês, garoto. É disso que tudo isso se trata. Boas férias.
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MATTEO Uma noite * livro 2
Romance📣 IMPORTANTE NÃO é necessário ler o primeiro livro, mas existem algumas referências que talvez você não entenda, mas que não impede o entendimentos desse livro. Livro 1 - Uma Noite https://my.w.tt/qhhC1yJhj5 até 29/04 ou completo na Amazon https:...
