Capítulo 21

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Matteo

Chego em casa e vou direto para o meu quarto. Ainda estou atordoado e bastante surpreso pela maturidade e confiança da Gabriella. O resgate importante que ela fez e nem tinha ideia. Isso já não é mais uma questão de retaliação, preciso aceitar que já não é isso há muito tempo.
Vamos juntos a esse casamento de qualquer jeito. Preciso que ela esteja por perto, esse controle que tem sobre mim, que faz com que me sinta outra pessoa quando ela está ao meu lado, me deixa mais forte, melhor. E porra, a sensação é boa.
Enfio a mão no bolso e pego meu celular.

- Antony.

- Fala, mano. Tudo bem?

Suspiro.

- Sim. Vou levar uma amiga no seu casamento, ok?

- Amiga?

- Sim, como eu disse.

- Claro, sem problemas.

Não, baby. Ele quer levar alguém ... Não sei ... Deve ser a namorada.

- Antony? - grito, encostando o celular na boca.

- Desculpa. Halsey estava perguntando se tinha algo errado.

- Gabriella não é minha garota. - digo rispidamente.

- Certo. - posso ouvir seu riso baixo e a sua ausência aperta meu peito.

- Ótimo. - retruco - Como está meu sobrinho?

- Crescendo mais a cada segundo. - ouço o orgulho na sua voz e isso me deixa feliz demais. Eles merecem.

- Que bom, Tony. Que bom mesmo. Até semana que vem, então.

- Cara ...

- Hum..

- Você não parece legal.

- Estou bem.

- Você não me engana. O que está acontecendo?

- Nada. Fica tranquilo, mano.

- Sabe que pode me ligar a qualquer hora?

- Sei. Obrigado.

- Seu cuida.

- Você também, fratello.

Encerro a chamada e coloco o aparelho sobre o criado-mudo.
Essa noite não quis visitar meu amigo Francisco.
Essa noite não quis deixar que a escuridão dos anos passados, dominasse o brilho que conheci hoje.
Não essa noite.
Não dessa vez.

Fecho os olhos e a imagem dela preenche meus pensamentos, seu sorriso confiante e aquele cabelo quente, porra. Aquele cabelo de fogo é a melhor parte dela. Menina linda.

Passei muito tempo erguendo um muro de indiferença e frieza ao redor do meu coração, tornando-me cada vez mais vazio e gelado, mas essa não é a solução. Nunca foi, na verdade.

Esse não é o tipo de vida que eu quero. Esse não é o futuro que eu mereço. Pedi tanto aos céus por liberdade, droga. Não posso me aprisionar novamente. Não posso me manter preso nesse buraco cada vez mais fundo que a vingança me conduz.

Diabos, meu irmão não se arriscou tanto, apenas para me ver acorrentado de novo.

Talvez seja essa a minha lição.

Gabriella talvez seja um anjo vermelho que me direciona a luz e me afasta das trevas, só preciso por na cabeça que somos amigos. Vou tentar manter isso em mente sempre que seus lábios carnudos estiverem falando comigo. Sempre que a vontade de sentir seu gosto ou das suas unhas explorando minhas costas, enquanto sinto o calor do seu corpo próximo ao meu ...

Merda. Isso vai ser difícil.

Mas ainda é melhor do que não ser nada na vida dela.

Tudo isso parece perfeito, um plano fodidamente bom, mas tem uma coisa. Francisco.
Que porra vou fazer com aquele velho?

Será que vou conseguir matá-lo e continuar olhando nos olhos dela? Será que vou, realmente, deixar esse sentimento por ela, ser maior do que o ódio por ele?

Ele armou o assassinato da minha mãe,  planejou todo um esquema doentio e perverso por anos, apenas por poder. Por dinheiro.

Vou ser capaz de deixar tudo isso para trás?
Só tem um jeito de saber.
Levanto e pego a chave do carro, saio atenciosamente, tomando cuidado para não ser visto pelo meu pai.
Nada de soldados nessa missao.
Essa obrigação é somente minha.

Gostaria de um conselho, mano.

Escolhi não ir até o bastardo essa noite, mas isso precisa de um fim.
Um maldito encerramento.



MATTEO  Uma noite * livro 2Onde histórias criam vida. Descubra agora