Capítulo 56

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Matteo

Acordo com o barulho da porta batendo com toda a força na parede.

 Abro os olhos assustado e vejo Fillipo respirando com dificuldade e me encarando furiosamente.

Viro para o lado e não a vejo. 

— Que merd ... — sou interrompido quando meu pai joga uma bermuda na minha direção, acertando em cheio meu rosto.

— Coloque uma roupa e se levanta. — esbraveja e fico mais confuso ainda.

— Estou meio perdido aqui, pai. — murmuro ao passar a perna pela peça — O que está fazendo aqui com toda essa delicadeza?

— Francamente, Matteo. — diz — Qual o seu problema? — ele anda de um lado para o outro, com os braços cruzados para trás.

— Do que estamos falando? — questiono e caminho até o banheiro atrás da minha garota. Aonde ela se meteu, meu Deus do céu?

— Ela foi embora. — giro lentamente e me aproximo — Saiu há alguns minutos. — explica.

— Faculdade, claro. — sussurro meu pensamento em voz alta.

— Vou te fazer uma pergunta e quero a porcaria da verdade. — seu tom abaixa um nível e seus olhos me observam curioso, e muito, muito estarrecido. 

Que porra está acontecendo?  Ele parece pronto para me matar com as próprias mãos.

— Faça. — digo e sento na cama, massageando a têmpora pacientemente. 

— A menina é filha da Sandra?

— Quem? — indago.

— A mulher ruiva que passou a noite com você. — diz e sinto um incomodo martelar o canto do meu peito. Essa ruiva  é a mulher da minha vida, não é apenas uma transa aleatória.

— Sim, ela é filha da Sandra. — confirmo firme — Por que pensou nisso?

— Eu a ouvi no telefone. Disse o nome da mãe enquanto falava.

— Que sorte a minha. — disparo sorrindo.

— Isso é algum tipo de piada para você? — bufa — O que pensa que está fazendo?

— O senhor não conhece as minhas intenções. — retruco — Então não pense que pode supor qualquer coisa. — aviso rispidamente e fico em pé. Ele fica em silêncio e quase posso ouvir as engrenagens da sua mente fazendo as conexões.

— Foi por ela que desistiu da sua vingança com o Francisco? 

— Gabriella não tinha culpa naquela história. — vocifero.

— Você se apaixonou. — diz — Você gosta dela. — repete e não respondo  — Per Dio, filho. — suas mãos viajam até seus cabelos brancos e se entrelaçam nos fios — Como acha que isso vai terminar?

— Não sei. — confesso.

Essa realidade me aflige mais do que gostaria. Não quero permitir que essa verdade tenha seu poder sobre mim,  porque quando isso acontecer, não vai ter volta. Posso ficar sozinho outra vez e não sei mais como fazer isso.

— Não quero nem saber qual era o seu plano, mas isso precisa de um fim. — diz sabiamente e sei que tem razão. Droga. Até eu sei, só estava postergando o máximo de tempo.

— Vou contar tudo em algum momento. — confesso.

Uma parte do meu coração dói ao imaginar  o quão errado isso pode dar e um frio, uma sensação triste e gelada pesa sobre meus ombros. 

— Sugiro que seja rápido. — declara — E esteja preparado, porque a está enganando, Matteo. — meu pai suspira pesadamente e me encara com piedade — Esteja pronto para qualquer reação dela.

— Em alguns dias direi a verdade. — murmuro derrotado — Vou levá-la ao casamento primeiro.

— Não deixe seu irmão descobrir nada sobre isso.

— Isso não é da conta dele. — resmungo, sentindo uma leve pontada de de vergonha, mas ela logo passa, pois sem essa idiotice, não teria conhecido minha garota.

— Ele provavelmente colocaria algum juízo em você.

— Não se preocupe comigo. — digo.

— Estou é preocupado com ela. — interrompe resoluto.

— Vou resolver isso, pai. — preciso.

— Que Deus te ajude. — comenta e sai do quarto. Desapontado? Sim, com toda a certeza desse mundo injusto do caralho.

Abaixo a cabeça e deixo suas palavras percorrerem a minha mente. 

Eu sei que ela pode me abandonar, mas não quero estar pronto para isso. Porra. Não posso perder minha foguinho.

Não quando desisto do ódio. 

Não quando encontro o amor.

MATTEO  Uma noite * livro 2Onde histórias criam vida. Descubra agora