Capítulo 23

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Bônus

Fillipo

- Veio me humilhar também? - Francisco diz baixo, tão baixo que quase não ouço. Talvez esteja morrendo, ele parece tão fraco.

Arrasto uma cadeira e me sento na sua frente. Não tenho mais idade e nem fôlego para passar por emoções tão fortes.

- Não. - respondo - Você mesmo preparou sua cama.

Antony foi forte o suficiente para não matar essa maldito.
Ainda estou muito confuso com o pobre do Matteo, seus olhos estavam tão tristes, mas tão determinados também.
O que aconteceu com ele?

- Cosa Nostra não seria nada sem mim. - ouço sua risada demoníaca e sinto nojo.
Não vou permitir que ele destrua mais, suas palavras maldosas não tem mais efeito. Estou em paz.

- Ela existia antes de você e vai continuar existindo depois que você se for. - declaro confiante - Todo esse ódio que você espalhou e toda esse mal que causou, não mudou o final dessa história. Você está sozinho e vai morrer assim.

- Você é patético, Fillipo. Sempre foi.

- Tudo bem, velho. - sorrio tristemente - Seu destino poderia ser outro quando te trouxe para a nossa familia, mas você escolheu esse caminho torto e cheio de sofrimento.

- Me poupe dessa ladainha. - interrompe impaciente.

- Uma pena, realmente. Que Deus me perdoe, mas algumas pessoas não merecem perdão e você é uma delas.

- Deus não te ajudou quando levou sua mulher. - diz sarcástico e não vou deixar isso me atingir. Escondo a dor que a ausência dela sempre me traz e estufo o peito com a sabedoria que aprendi com os anos.

- Ele tem seus próprios planos, fratello. - argumento.

Levanto devagar, sonolento e cansado. A noite se estende mais a cada segundo que passo na presença podre dele, esse passado precisa ficar para trás de uma vez.

Pego meu telefone e faço uma chamada.

- Paul.

- Senhor.

- Ligue para Matteo e peça um endereço. Venha me encontrar agora.

- Claro, Senhor.

Encerro a ligação e me sento novamente.

- Vai me deixar aqui? - Francisco questiona.

- Não. - respondo.

- Você não tem mais coragem para cometer um assassinato. - gargalha e me encara.

- Você não me conhece mais. - digo.

- Vai me matar? - retruca apavorado - O que vai fazer?

Não falo nada. Fico apenas de olhos fechados esperando meu soldado chegar. Não preciso aguardar muito, o rangido do portão sendo arrastado é o início do fim dessa era de tormento que ele trouxe.

- Senhor. - Paul me chama e seus olhos se arregalam ao visualizar o estado do traidor. Ele intercala sua visão entre nós dois e enrijece a postura.

- Me dê a sua arma, soldado. - fico em pé de novo e sem questionamento, sem dúvida, ele estende o braço, oferecendo sua pistola.

- Fillipo, per Dio. - Francisco tenta se afastar e se proteger. Um líquido escorre por entre as suas pernas e sinto repulsa por toda a escuridão que ele foi capaz de cometer e não passa de um covarde.

Destravo o objeto frio e me aproximo.

- Não faça isso, ragazzo. - implora choroso e tremendo, e eu, ignoro sua lamúria sem compaixão alguma.

Com as mãos firmes e com os pensamentos no meu neto que está a caminho, aperto o gatilho diversas vezes, até esvaziar o cartucho.

Que o diabo receba seu servo.

MATTEO  Uma noite * livro 2Onde histórias criam vida. Descubra agora