Capítulo 75

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Gabriella

Uma parte minha acredita nessas suas palavras. Do som da sua voz grossa confessando seus sentimentos, de que tinha se apaixonado e desistido dessa vingança. Realmente acredita. 

Posso sentir seus olhos me observando com expectativa, aguardando impaciente alguma reação que não posso dar agora. 

Estou dividida.

Sei que ainda ainda tem mais nessa história. Consigo ver a sua hesitação, talvez com medo de que eu possa entrar em pânico de novo ou simplesmente, seja algo tão cruel, que prefira me poupar. O que torna tudo ainda mais confuso.

Quando senti seu corpo em contato com o meu há alguns minutos, em um momento tão doloroso, como se seus braços fossem afastar qualquer sensação de insegurança que existe em mim, transformou meu coração em pedaços. Em partículas tão pequenas, que não sei se conseguirei reuni-las novamente e me sentir completa outra vez. Talvez tenha se quebrado para sempre.

— Matteo. — sussurro e sua mão, tão quente e masculina, beija meu pulso novamente. Puxo meu braço do seu toque e o vejo se encolher. 

— Não faz assim, foguinho. — comenta e seu timbre sofrido, tão falhado e quase inaudível, faz meu peito se apertar.

— Desculpa. — murmuro — Mas ainda não me sinto segura. — tento falar de forma ácida, mas desisto. Não com ele, jamais com ele. Sua expressão parece desolada, como uma facada nas costas. Sei que essa apunhalada o machucou, mas também estou sofrendo. Confiei e fui traída. Mesmo que agora a situação seja diferente, isso não faz ser mais fácil voltar ao que éramos. Não sei nem se ainda é possível. Por mais que a minha alma esteja, de algum jeito, entrelaçada na sua, ainda dói.

— Me perdoa. — pede e seus olhos claros e sempre tão bonitos, nesse instante estão fracos, como se expressasse com exatidão que estamos nos perdendo um do outro.

— Eu quero. — digo e sorrio, colocando meus dedos no seu queixo. Fecho os olhos rapidamente ao sentir a aspereza da sua barba rala e a saudade, a falta do seu beijo, faz meu corpo se incendiar por inteiro. Como se já o tivesse perdoado, esperando apenas a decisão da minha mente — Eu te amo. — sibilo, porque esse sentimento não deixou de existir. Só está um pouco maltratado. Seu peito sobe, buscando por ar que parece faltar, mas quando abre a boca e entoa cada letra com uma emoção forte e tão verdadeira, mesmo sentada, sinto minhas pernas perderem a força.

— Eu te amo pra caralho. — responde, mas sem sorrir. Seus olhos ainda estão daquela forma, inquietos e desesperados — Não posso te obrigar a ficar comigo, mas não vou desistir de você, Gabriella.

Engulo em seco e meu olhar se perde nos seus lábios. Macios e perfeitos. E as lembranças do seu gosto e do seu toque na minha pele,  faz meu coração se lembrar que jamais ninguém me teria como ele. Nem em mil vidas diferentes. 

Talvez eu só precise de tempo para me curar.

— Sai do caminho, tio. — um grupo de meninos fazem graça e o clima, a entrega que estava sentindo em mim, quando ele retribuiu meu olhar, com essa sinergia apaixonada e precisa, é dissipada minimamente com essa intervenção.

— Vai se foder. — Matteo diz em resposta e se levanta, fazendo a molecada correr apavorada. Seguro o riso e fico em pé. 

— Melhor irmos com o seu carro. — resmungo e tento não encará-lo. Deixando meu corpo em uma inclinação que não esteja tão perto. É  perigoso demais esse vinculo entre nós, como se nada fosse capaz de rompê-lo de vez, por mais que esteja um pouco enfraquecido agora, ainda permanece vivo e talvez, até renasça maior. 

— Graças a Deus. — declara e suspira, alheio ao turbilhão enlouquecedor que ronda a minha cabeça — Mas não vamos para a sua casa, vou te levar em um lugar, querida. — ele fica em silêncio e sorri. E por um segundo ou dois, fico presa novamente quando sinto o calor do seu olhar em cada centímetro do meu corpo.

Assinto e caminho devagar ao seu lado. Observo seu perfil em meio ao sol e mordo o lábio. Ficar tão próxima assim dele, pode ser um gatilho e eu sei o preço que vou ter que pagar por isso. Confiar no seu amor e me segurar ao meu.

MATTEO  Uma noite * livro 2Onde histórias criam vida. Descubra agora