Capítulo 31

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Matteo

Pego a foto do meu irmão com a sua garota e enfio no bolso da minha calça. Caminho rapidamente pelo corredor, encontrando meus soldados próximos ao bar.

- Tirem o corpo daquela sala e se livrem dele. - não espero por uma resposta, não preciso. Isso foi uma ordem direta - Iniciem um incêndio depois disso, o alarme acionou os bombeiros, queimem esse lugar o mais rápido que puderem. - eles balançam a cabeça em concordância - Podem ir embora depois, tenho outros planos e vou seguir sozinho.

- Sim, senhor. - respondem e observo o lugar uma última vez, o local onde tudo começou com Gabriella e sem dor ou arrependimento, vou embora sem olhar para trás.

Enquanto dirijo para a casa dela, não consigo tirar da mente uma coisa.

Marco tinha uma foto bem atual de Antony, a barriga da Halsey estava enorme.

O que me faz pensar e me deixa apavorado, é o risco que eles correm e nem fazem a maldita idéia.

Fui estúpido em ter atirado nele.

Fui burro pra caralho.

Não tenho por onde começar agora e não vou envolver minha família nisso novamente. 

Será que isso teve fim com a morte dele ou havia mais alguém nessa porcaria? 

Definitivamente, Camorra é um pé no saco. Os caras não descansam.

Estaciono do outro lado da rua e não saio do carro.

 Não ainda. 

Espero, do fundo do meu coração, que ela não tenha entendido a minha conversa mais cedo com meus homens. Isso vai ser fodido de explicar e não quero arriscar perdê-la de novo, porque Deus sabe que isso aconteceu, mesmo que tenha sido brevemente e a sensação não foi muito boa, na verdade, foi uma merda.

Respiro fundo e bato a porta ao sair. 

Estou aqui fora, foguinho

Envio uma mensagem e me sento nos degraus da entrada. 

Ouço um barulho e viro o corpo na direção do som, Gabriella anda devagar e com os olhos molhados pela lágrimas. Droga. Fico em pé na mesma hora e me aproximo.

- Você está bem? - pergunto agoniado.

- Sim, só estava preocupada com você. - confessa.

- Olha só. - sorrio feliz - Gostei de saber disso. - murmuro e a puxo para um abraço apertado. 

Esse é o maior contato que já tivemos depois daquele lance que deu um pouco ruim. 

Parece papo furado, mas não sinto falto do sexo. Claro que ainda não conheci esse mundo com ela e deve ser fodidamente delicioso, obviamente. Mas quando sinto a tremulação desse seu corpo delicado rindo ao apoiar a cabeça no meu peito, como se tivéssemos feito isso mil vezes, tão natural e certo, tenho vontade de ficar assim para sempre. Não é só físico, ela é parte da minha alma.

Beijo sua testa carinhosamente e me controlo para não avançar meu lábios mais para baixo, e sentir o gosto da sua boca outra vez. Gabriella encosta mais os nossos corpos e sinto o calor da sua pele, queimando a minha. 

- O que aconteceu lá? - pergunta abafada e me empurra levemente para me encarar.

Pondero entre dizer a verdade ou não, mas se quero que ela fique comigo, preciso que seja por quem eu sou. Eu de verdade, com toda a minha bagagem e insanidade.

- Quer me perguntar alguma coisa mais específica, foguinho? - retruco de volta. Posso ver a inquietação das suas mãos, ela sabe.

- Eu sei sobre o lance da Máfia. - comenta confiante.

Que ótimo.

- Você ouviu. - confirmo e ela assente.

- Sim.

-  E o que pensa sobre isso? - pergunto e fico com medo do que vá dizer. Não estou preparado, caso ela resolve me chutar da sua vida. Não tão cedo. 

 - Eu não me importo.

- Como é? - pergunto novamente, não é possível que escutei direito.

- Não me importo que você seja da Máfia. - diz calmamente com um olhar sereno ou enlouquecido, não sei ainda  - O governo nunca fez nada por nós, Matteo. Talvez vocês façam.

MATTEO  Uma noite * livro 2Onde histórias criam vida. Descubra agora