46º (Reescrito)

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Alina Narrando

Acordei com o corpo inteiro gritando por socorro. Cada osso, cada músculo... como se tivesse sido atropelada por uma horda de búfalos em fúria. A dor era tão presente que parecia um lembrete cruel de tudo que havia enfrentado — e tudo que ainda estava por vir.

Suspirei profundamente, procurando Darius ao meu lado, mas encontrei apenas o lençol bagunçado, ainda morno pelo calor do corpo dele. Ele havia saído. Provavelmente com os betas, lidando com o sequestro das crianças. Meu peito apertou. Ele mal dormira e mesmo assim não me deixava sozinha por muito tempo... até agora.

— Lina? — a voz de Branca rompeu o silêncio, suave, mas carregada de preocupação. — Escutei seu suspiro. Está tudo bem?

Ela entrou no quarto com uma expressão maternal e os cabelos presos num coque torto, ainda com um avental manchado de tinta mágica.

— Estou bem... — forcei um sorriso, mesmo sabendo que ela não engoliria aquilo. — Só... me sentindo quebrada. Preciso descansar um pouco mais.

— Eu já ia preparar o café. O Supremo nos deu ordens expressas pra cuidar de você. — disse com um sorrisinho debochado. — E sabe como ele fica quando as ordens dele não são seguidas...

Assenti, tentando conter o riso. Darius podia ser um deus da guerra quando queria, mas ao mesmo tempo era tão protetor comigo que beirava o absurdo.

Ela saiu e me deixei cair contra os travesseiros. O vento lá fora balançava as cortinas e trazia consigo o cheiro da floresta. Aquilo me acalmava. Peguei o notebook no criado-mudo e abri meus e-mails. A ponte que ligaria Light Umeris a Uktena estava quase concluída, e meu pai supervisionava tudo de perto. Ele devia estar exausto, mas não reclamaria. Um Alfa nunca reclama.

A saudade da minha mãe bateu de repente, como uma corrente de água fria. Uma lágrima solitária escapou e deslizou pela lateral do meu rosto. Eu precisava vê-la. Precisava dos braços dela agora mais do que nunca.

Meu celular vibrou. O nome de Darius piscou na tela.

— Meu amor... — atendi com a voz embargada.

— Você está triste. O que houve? — ele foi direto. Nenhuma saudação, nada. A ligação entre nós ficava mais sensível a cada dia.

Sorri, tentando tranquilizá-lo.

— Estou bem. Acho que são só os hormônios. Essa coisa de gerar uma vida... mexe com tudo aqui dentro. — toquei o próprio ventre, sentindo o calor suave ali.

— Tem certeza, Alina?

— Tenho, querido... Não se preocupe. Estou em c...

BOOOOOOM!

Um estrondo ensurdecedor cortou minha fala, seguido por um tremor que fez o chão vibrar sob meus pés. As janelas tremeram e os pássaros se espalharam em desespero.

Mas que...?! — larguei o notebook e corri até a sacada.

A fumaça negra erguia-se ao longe, vindo da área de comércio. Meu coração disparou.

— Alina, o que foi isso?! — Darius gritou no telefone.

— Uma explosão no centro. Estou indo pra lá!

— Não! Espera!

Desliguei antes que ele pudesse me impedir.

— BRANCA! — gritei enquanto descia as escadas. — Chame as meninas! Agora!

Ela não questionou. Estava logo atrás de mim, o olhar sério. Em segundos, meu corpo se transformou. Eris, minha loba, uivou em fúria, sedenta por ação, e disparamos em direção à névoa que encobria a praça central.

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