67º (Reescrito)

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Alina narrando

Alguns dias haviam se passado desde a revelação de Afena. Ainda ecoava em mim aquela sensação vibrante de carregar a vida de uma filha-luz e um filho-tempestade dentro do ventre. Era como ter duas forças elementares dançando dentro de mim: o Sol e o Trovão.

Com os hormônios à flor da pele e o instinto de ninho mais ativado do que nunca, tomei uma decisão antes do amanhecer: era hora de preparar o quarto dos nossos filhotes.

— Darius, acorda. Acorda. Agora.

— Ugh... o que foi, Alina? Tem uma guerra acontecendo? — ele resmungou com a voz rouca e os olhos semicerrados.

— Sim. E chama-se "a organização do quarto dos nossos filhos".

Ele piscou, sem entender de início. Até eu subir em cima dele e soltar:

— Vamos redecorar tudo, meu lobo. Eu quero luz natural, proteção rúnica, texturas macias, nichos encantados, e um espaço espiritual pra cada um dos dois. Filipa e Dante merecem um refúgio só deles.

Darius me encarou como se eu tivesse acabado de declarar outra guerra. Mas então ele sorriu.

— Você quer o universo inteiro dentro de um quarto. Tá bom... vamos buscar as estrelas, então.

Logo, a casa estava em movimento.

Pietro apareceu primeiro, com seu habitual bom humor e um sorriso maroto no rosto.

— Então é hoje que o Supremo vira assistente de decoração da Luna? — provocou, entrando com duas caixas de madeira nos braços.

— Engraçadinho — Darius resmungou, enquanto ajustava uma cortina nova feita de tecido protetor encantado com lavanda e quartzo rosa.

Eu e Luna testávamos as tintas naturais que mudavam de tom conforme a luz solar. Filipa ainda estava dentro de mim, mas algo me dizia que ela gostaria de um canto onde a luz tocasse as paredes com suavidade, como se o sol brincasse com ela.

Já para o Dante... o instinto me dizia que ele precisava de firmeza. Madeira escura, pedras protetoras, runas antigas entalhadas nos batentes. E havia algo estranho: às vezes, enquanto eu decorava o lado dele, minha pele formigava.

— Isso é dele, não é? — murmurei para Darius, observando as pequenas rachaduras de energia dourada que vibravam perto do berço.

— É sim — ele respondeu, sério. — Ele está marcando território antes mesmo de nascer.

Pietro riu.

— Um verdadeiro irmãozinho dominador. Espero que ele venha com um bom senso de humor... senão, vai ser um pirralho mandão.

— Ele já te ouviu — falei, rindo. — E não gostou.

Nesse instante, algo caiu da prateleira. Sem vento. Sem tremor. Sem toque.

Todos ficaram em silêncio.

— Foi coincidência... certo? — Pietro perguntou, olhando de lado para o berço onde nem havia um bebê ainda.

Darius negou com a cabeça, enquanto cruzava os braços e observava as marcas de energia no chão.

— Não. Isso foi um aviso. Ele já está se comunicando. E está atento a quem o provoca.

— Pelo menos sabemos que puxou a mim e não a você — Darius murmurou no meu ouvido, com um sorrisinho convencido. — Gênio forte e protetor. Como o pai.

— Ou talvez... ele puxou a mim. Gênio forte e levemente vingativo — retruquei, arqueando a sobrancelha com charme. — Se fosse igual a você, teria quebrado a prateleira inteira.

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