42º (Reescrito)

914 66 2
                                        

Alina Narrando 

Enquanto isso, Darius liderava uma força-tarefa do lado de fora. Ele rugia ordens com autoridade inabalável, o olhar escuro e atento como o de um predador à espreita.

— Reforcem os limites do território leste. Dobrem as patrulhas noturnas. — disse, olhando diretamente para Castro. — E ninguém, repito, ninguém entra ou sai sem autorização da Luna. Nem mesmo as fêmeas caçadoras.

— Sim, Supremo! — responderam todos em uníssono.

— E que a informação da gravidez seja controlada. Se vazar vão tentar nos atingir por aí. E eu juro, por tudo que é sagrado sob a Lua, que ninguém toca em um fio de cabelo da minha mulher ou do meu filho.

Castro assentiu, sério.

Naquela mesma noite, entre o crepúsculo e a lua cheia, organizamos uma pequena reunião com as betas e as guardiãs mais próximas. A notícia já tinha se espalhado entre os muros da sede como fogo em mato seco.

Darius entrou comigo na sala principal, a mão pousada em minha cintura, o olhar orgulhoso. O salão ficou em silêncio. Uma reverência natural tomou conta.

— A Luna está grávida. — ele anunciou com firmeza. — E isso muda tudo. A partir de hoje, cada passo dela é sagrado. Cada suspiro, cada emoção... é responsabilidade de todos nós.

— E se alguém tiver dúvidas, pode resolver comigo. — Completei, olhando diretamente para um dos guerreiros mais jovens que parecia ter franzido a testa. — Eu posso estar grávida, mas minha mordida continua afiada.

Alguns riram, nervosos. Darius sorriu, mas havia um brilho selvagem em seus olhos.

— E quanto à cerimônia oficial? — perguntou Branca, ansiosa. — Já está sendo organizada?

— Amanhã mesmo irei me reunir com os Anciões e os Guardiões da Lua. Essa união será selada sob o véu sagrado e diante de toda a Alcateia. Quero minha mulher com uma coroa sobre a cabeça e nosso filho protegido pelos Deuses Lupinos. — disse Darius com convicção.

Suspirei, emocionada. A verdade era que, no fundo, aquela notícia que tinha me assustado tanto no começo, agora me preenchia com uma paz tão doce quanto selvagem.

Mais tarde, naquela noite, deitei ao lado de Darius, exausta. Mas havia um brilho quente em meu peito, e eu sabia que não era apenas a gravidez... era a sensação de que, apesar das ameaças e da guerra que se aproximava, agora eu tinha algo mais pelo que lutar.

— Você tá bem, minha loba? — ele sussurrou contra minha nuca, o corpo colado ao meu como se tentasse me fundir à sua própria carne.

— Estou. Feliz, assustada... faminta, como sempre. — ri baixinho.

— Hm. Posso te dar algo pra comer... ou podemos repetir a sobremesa no chuveiro. — ele sussurrou com malícia, a voz rouca percorrendo minha espinha como um arrepio.

— Você é um ogro. — murmurei, sorrindo, sentindo seus dedos viajarem lentamente pela curva da minha cintura.

— Um ogro apaixonado. E agora... um ogro prestes a ser pai. — ele disse, com um tom que mesclava humor e emoção.

— Darius?

— Hm?

— Você vai me amar mesmo se eu ficar enorme feito uma loba baleia?

— Amor... você podia virar uma loba do tamanho de um urso e eu ainda ia querer te arrastar pra cama todas as noites. — ele beijou minha barriga com devoção.

Fechei os olhos, envolta por seu calor e pelo som do vento lá fora. Sabia que a guerra viria, mas pela primeira vez... eu não tinha medo. Porque agora, dentro de mim, batia mais que um coração. Batia uma razão.

Nosso filhote.

Nosso futuro.

Nosso amor.

Acordo em meio a noite e descido dar uma volta desço para a praça sob o céu escuro bordado pelas primeiras estrelas. As luzes das tochas dançavam em cada canto, lançando sombras douradas nas expressões emocionadas dos membros da alcateia. A cada passo, uma nova voz se erguia:

— Que a Deusa abençoe essa nova vida!
— Parabéns, Luna! Que o filhote venha forte como os pais!
— Que honra estar viva para testemunhar isso...

Sorrisos, toques de reverência, pequenos presentes embrulhados em tecidos rústicos. Mas mesmo envolta em tanto carinho, meus olhos captaram o movimento silencioso entre as árvores. Dois soldados. Uniformes escuros. Postura rígida. Me seguiam como sombras cuidadosas.

Suspirei baixinho. Ah, Darius...

Já prevendo sua preocupação excessiva, continuei andando sem demonstrar incômodo. Meus pés me guiaram até o jardim atrás da praça, onde os jasmins e as rosas silvestres cresciam como rebeldes noturnos. Ajoelhei-me entre os arbustos e estendi a mão para colher uma rosa cor de vinho, cujas pétalas pareciam veludo tingido por sangue e luar.

Toquei a flor com ternura, mas antes que pudesse cheirar seu perfume, senti o calor de mãos conhecidas se aproximando por trás, circulando minha cintura com gentileza possessiva.

— Pelos céus! — exclamei, rindo, ao me virar rapidamente. — Você é péssimo em anunciar sua presença.

Darius ergueu uma sobrancelha, divertido. Seus olhos dançavam com aquele brilho entre a luxúria e o zelo.

— Confesso que preferi ver sua reação sem alarde. Você é linda quando se assusta. — disse, com um sorriso torto.

— E você é um stalker de primeira. — retruquei, com ironia doce.

— Eu sou um lobo protetor, Alina. Você saiu sozinha, mesmo depois de eu pedir para não se afastar sem aviso. — Seu tom era sério agora, mas havia preocupação demais por trás da rigidez.

— Eris queria falar comigo... e eu vi os soldados me acompanhando. Não achei que seria um problema. — dei de ombros, oferecendo-lhe um sorriso tranquilo. — O Supremo desta terra é meio obcecado por mim, não?

Darius soltou uma risada baixa, passou os dedos pela minha bochecha e depois beijou minha testa como se quisesse imprimir ali uma marca invisível.

— Obcecado seria pouco. Eu chamaria de completamente perdido.

— Então vamos pra casa, antes que você mande os soldados arrancarem cada flor desse jardim achando que vão me esconder do mundo. — brinquei, entrelaçando meus dedos aos dele.

— As meninas já voltaram com os rapazes. — ele informou enquanto caminhávamos em direção à trilha iluminada. — Mas deixaram uma sopa de ervas pra você... na esperança de que pelo menos hoje, seu estômago colabore.

SupremaOnde histórias criam vida. Descubra agora