24 º (Reescrito)

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Darius Narrando 

Horas depois, já em casa, escuto a porta da frente se abrir.

— Darius? — a voz suave, acompanhada do tilintar das chaves, ecoou no corredor.

Me levantei do sofá com passos pesados. Ela estava com uma pasta de relatórios, e sua expressão mostrava cansaço.

— Você devia estar descansando... — falei, me aproximando.

— Você também. Mas aqui estamos nós — retrucou, com um sorrisinho debochado.

— Vem cá — puxei-a pela cintura, sem deixar espaço entre nossos corpos. Ela arqueou uma sobrancelha, provocante.

— Quer discutir territorialidade, Supremo?

— Não. Quero... isso.

A beijei, dessa vez sem pressa. Era um beijo quente, possessivo, desesperado por algo que nem eu sabia nomear. Suas mãos subiram por meu peito, e ela soltou um gemido contido.

— Vai me morder de novo? — sussurrou contra minha boca.

— Se você pedir com jeitinho... — resmunguei, os olhos fixos nos dela.

— Idiota — ela riu, mas não se afastou.

Naquele momento, tudo era silêncio. Só o som do nosso desejo, do nosso reencontro, do vínculo que nos puxava como uma corda invisível entre dois mundos — o caos e o conforto. Ela era meu caos... e meu lar.

E eu era o dela.

Alina Narrando

Darius... bom, ele até que aceitou bem as mudanças que fiz. Está diferente comigo. Confia em mim. E isso... isso é estranho. Não de um jeito ruim, mas de um jeito novo. Como se ele, pela primeira vez, tivesse se permitido abaixar a guarda. E, céus, isso me dá um frio na barriga.

Estava prestes a sair quando um soldado se aproximou com passos cautelosos, como quem pisa em território proibido.

— Luna... — sua voz foi baixa, quase hesitante.

— Pois não? — virei para encará-lo. Jovem, ombros tensos, lobo submisso. Ômega. Eu senti de imediato. O medo, o receio. A submissão forçada que, mesmo entre os nossos, ainda gerava desprezo. Meu estômago revirou com o pensamento.

— O senhor Pietro não disse nada, mas... fui designado como seu novo mensageiro e ajudante. Caso precise de algo. — Seus olhos evitaram os meus. Parecia esperar um tapa a qualquer momento.

Observei-o com atenção, e meu peito se apertou.

— Ah, entendi. Bom... vai ser ótimo ter você por perto. — sorri com gentileza. — E não precisa ter medo de mim, está bem? Pode me chamar de Alina. Só Alina.

— Meu nome é Fred... senhora.

—  Senhora lá no céu, Fred! — soltei uma risada leve, debochada, e ele corou. — Apenas Alina, ok?

Toquei seu ombro de leve. Vi seu corpo relaxar sutilmente. Não era só medo... era cansaço de ser invisível. De ser tratado como nada.

— Obrigada por isso... Alina. — ele disse, e algo em sua voz me tocou mais do que ele poderia imaginar.

— Bom... preciso ir para a reunião com os caçadores de vampiros. Estamos tendo muitas mortes humanas ultimamente...

— É... Alina, tem algo que talvez você devesse saber. Eu vim dos Roedores. Nossa aldeia fica próxima ao limite do território Lycan...

— Sim?

— Muitos transformados... viam a floresta constantemente. Mas os que entravam, saíam... diferentes. — sua voz diminuiu no fim. — Mais frios. Mais... vazios.

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