Alina Narrando
Acordei antes do sol nascer. O céu ainda estava tingido de um azul escuro, quase preto, e o mundo parecia suspenso no tempo. Ao meu lado, Darius dormia profundamente, com o peito subindo e descendo em um ritmo sereno. Por um momento, fiquei apenas observando-o. Era quase absurdo pensar que aquele homem — aquele alfa poderoso, brutal em campo de batalha — dormia como um menino cansado depois de brincar demais.
O peso do dia que viria se instalava no meu peito, então peguei o celular discretamente e enviei uma mensagem para Luna. A resposta chegou quase que instantaneamente: "Tudo pronto. Só esperando os rapazes levantarem." Suspirei, aliviada. Pelo menos algo estava sob controle.
Deslizei para fora da cama, tentando não acordá-lo, e fui até o banheiro. O banho quente me ajudou a clarear as ideias, mas o nervosismo continuava fervilhando por baixo da pele. Vesti um roupão leve e, ao sair do banheiro, encontrei Darius sentado na beirada da cama, os cabelos desgrenhados e os olhos ainda semicerrados de sono.
— Bom dia, amor — murmurei, me aproximando para beijá-lo suavemente.
Ele sorriu, preguiçoso, e puxou meu quadril para mais perto.
— Huum... ser acordado com um beijo da minha loba feroz? Acho que posso me acostumar... — murmurou contra a minha pele.
Ri, mesmo com o nó no estômago.
— Acordei cedo por hábito. E... confesso que estou nervosa com a missão de hoje. Ainda mais por não ir com vocês. — Suspirei. — Não quero te ver machucado, Darius.
Ele se levantou, me puxando com gentileza para mais perto, os olhos sérios.
— Alina... já conversamos sobre isso. Você precisa estar segura. Confia em mim, eu vou voltar. Inteiro. Sempre volto. — Sua mão acariciou meu rosto e sua voz soava baixa, intensa.
— Eu confio... — menti um pouco, porque na verdade eu confiava mais nas minhas garras do que em sorte.
— Vai me deixar sozinho nessa tensão toda? — ele provocou com um sorriso maroto.
— Tá bem, vai. Vou fazer um chá pra acalmar essa sua ferocidade — disse, cutucando seu abdômen e saindo da suíte.
Na cozinha, enquanto a água fervia, meus pensamentos fervilhavam junto. Quando ele desceu, já com outra expressão — aquela que misturava desejo e ternura — senti o ar mudar.
— O que foi agora? — perguntei, franzindo a testa quando o notei me observando intensamente.
Ele cruzou os braços e apoiou o ombro no batente da porta.
— Só... estava imaginando você cuidando dos nossos filhotes, com esse jeitinho mandona e esse cabelo todo bagunçado. Ia ser lindo.
Me engasguei com o próprio ar.
— Darius! Assim você me pega desprevenida! Filhotes? Justo agora?
Ele se aproximou, com aquele sorriso que fazia meu corpo inteiro querer dizer "sim" pra qualquer coisa.
— É, ué. Por isso estou me matando nessa guerra. Quero logo a paz pra encher essa casa de pequenos lobinhos correndo pelos corredores... com seus olhos e minha teimosia.
— Teimosia? — levantei a sobrancelha. — Isso definitivamente puxariam de mim.
Ele me ergueu no ar, rodopiando comigo como se eu não fosse uma alfa armada até os dentes.
— Bobo. — gargalhei, e o beijei com carinho. — Agora toma seu chá e vai se preparar. Os rapazes já estão quase de saída.
— Sim, senhora. — ele brincou, pegando a caneca com um sorriso atrevido. — Mas se souber que aprontou alguma coisa hoje...
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Suprema
WerewolfUma mulher escolhida pela Deusa como porta-voz de seu mundo, determinada, exigente e perspicaz, seu destino estará banhado de grandes vitórias mas com o peso de seu fardo viverá grandes momentos de desespero, encontrará o amor e aprenderá a lidar c...
