26 º (Reescrito)

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Alina Narrando

Acordei antes do sol nascer. O céu ainda estava tingido de um azul escuro, quase preto, e o mundo parecia suspenso no tempo. Ao meu lado, Darius dormia profundamente, com o peito subindo e descendo em um ritmo sereno. Por um momento, fiquei apenas observando-o. Era quase absurdo pensar que aquele homem — aquele alfa poderoso, brutal em campo de batalha — dormia como um menino cansado depois de brincar demais.

O peso do dia que viria se instalava no meu peito, então peguei o celular discretamente e enviei uma mensagem para Luna. A resposta chegou quase que instantaneamente: "Tudo pronto. Só esperando os rapazes levantarem." Suspirei, aliviada. Pelo menos algo estava sob controle.

Deslizei para fora da cama, tentando não acordá-lo, e fui até o banheiro. O banho quente me ajudou a clarear as ideias, mas o nervosismo continuava fervilhando por baixo da pele. Vesti um roupão leve e, ao sair do banheiro, encontrei Darius sentado na beirada da cama, os cabelos desgrenhados e os olhos ainda semicerrados de sono.

— Bom dia, amor — murmurei, me aproximando para beijá-lo suavemente.

Ele sorriu, preguiçoso, e puxou meu quadril para mais perto.

— Huum... ser acordado com um beijo da minha loba feroz? Acho que posso me acostumar... — murmurou contra a minha pele.

Ri, mesmo com o nó no estômago.

— Acordei cedo por hábito. E... confesso que estou nervosa com a missão de hoje. Ainda mais por não ir com vocês. — Suspirei. — Não quero te ver machucado, Darius.

Ele se levantou, me puxando com gentileza para mais perto, os olhos sérios.

— Alina... já conversamos sobre isso. Você precisa estar segura. Confia em mim, eu vou voltar. Inteiro. Sempre volto. — Sua mão acariciou meu rosto e sua voz soava baixa, intensa.

— Eu confio... — menti um pouco, porque na verdade eu confiava mais nas minhas garras do que em sorte.

— Vai me deixar sozinho nessa tensão toda? — ele provocou com um sorriso maroto.

— Tá bem, vai. Vou fazer um chá pra acalmar essa sua ferocidade — disse, cutucando seu abdômen e saindo da suíte.

Na cozinha, enquanto a água fervia, meus pensamentos fervilhavam junto. Quando ele desceu, já com outra expressão — aquela que misturava desejo e ternura — senti o ar mudar.

— O que foi agora? — perguntei, franzindo a testa quando o notei me observando intensamente.

Ele cruzou os braços e apoiou o ombro no batente da porta.

— Só... estava imaginando você cuidando dos nossos filhotes, com esse jeitinho mandona e esse cabelo todo bagunçado. Ia ser lindo.

Me engasguei com o próprio ar.

— Darius! Assim você me pega desprevenida! Filhotes? Justo agora?

Ele se aproximou, com aquele sorriso que fazia meu corpo inteiro querer dizer "sim" pra qualquer coisa.

— É, ué. Por isso estou me matando nessa guerra. Quero logo a paz pra encher essa casa de pequenos lobinhos correndo pelos corredores... com seus olhos e minha teimosia.

— Teimosia? — levantei a sobrancelha. — Isso definitivamente puxariam de mim.

Ele me ergueu no ar, rodopiando comigo como se eu não fosse uma alfa armada até os dentes.

— Bobo. — gargalhei, e o beijei com carinho. — Agora toma seu chá e vai se preparar. Os rapazes já estão quase de saída.

— Sim, senhora. — ele brincou, pegando a caneca com um sorriso atrevido. — Mas se souber que aprontou alguma coisa hoje...

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