71º (Reescrito)

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Darius narrando

A noite estava tranquila, carregada de um silêncio raro que apenas a paz verdadeira consegue proporcionar. Sentado em minha poltrona de couro, o calor suave da lareira acariciando minha pele, observava minha mulher dormindo — minha loba, minha alma, meu mundo. Alina descansava com os braços enlaçados sobre sua barriga, a expressão serena como se os deuses da lua velassem seu sono. Um leve sorriso tocava seus lábios, e por um instante, desejei congelar o tempo apenas para permanecer ali... eternamente.

A energia ao nosso redor havia mudado. Desde que ela assumiu, mesmo inconscientemente, sua posição de Luna, os lobos estavam mais tranquilos. Os impulsos violentos cessaram, a tensão que pairava há meses simplesmente se dissipou. Era impressionante. E era ela. Alina.

Pego uma pilha de relatórios deixados por Hugo antes de seguir para a Floresta Negra e me perco entre papéis e mapas quando meu celular vibra sobre a mesa. Atendo com um leve sorriso — já esperava quem fosse.

Supremo, — a voz de Montmare ecoa com sua habitual formalidade, mas carrego um sorriso ao reconhecê-la.

— Montmare, meu amigo, como estão as coisas? — pergunto com leveza na voz. Nunca imaginei que um dia chamaria um vampiro de amigo... mas a vida tem dessas ironias.

— Algumas novidades boas finalmente — responde ele, com aquele tom diplomático, porém satisfeito. Me ajeito na cadeira, já sentindo que viria algo importante. — Consegui eliminar os últimos focos da revolta. O domínio da coroa vampírica finalmente é absoluto outra vez.

— Excelente notícia — respiro aliviado. — Podemos finalmente dizer que a guerra terminou.

— Sim, e há mais uma coisa... Rebeca descobriu que está grávida. Um mês já.

— Pela Lua! — exclamo, deixando escapar um riso surpreso. — Meus parabéns, Montmare. Isso com certeza deve ter virado festa no palácio.

— Festa? Rebeca virou praticamente uma deusa sagrada. Ninguém a deixa sozinha, minha mulher está sendo mimada de forma perigosa, Darius. Eu estou perdendo minha autoridade para um desejo por frutas vermelhas no meio da madrugada — ele resmunga com humor e eu gargalho alto.

— Bem-vindo ao clube dos dominados pela barriga — respondo debochado.

— Ah, e antes que eu esqueça: ela me mandou ligar só pra te obrigar a vir. Ela quer ver Alina. Disse — e faço questão de imitar o tom dramático dele — que a alma dela implora por reencontrar a amiga.

— Estava mesmo pensando em levá-la para uma viagem. Vou falar com Alina, partimos amanhã. Assim aproveito para resolver algumas pendências no conselho antigo.

— Perfeito. Já vou mandar preparar os aposentos. Mas aviso que se Rebeca descobrir que você ainda está em casa amanhã de manhã, ela invade sua propriedade com todo o clã — ele brinca e eu rio, imaginando perfeitamente a cena.

— Que os deuses da noite tenham piedade de mim então — desligo sorrindo.

Me viro para Alina, que ainda dormia. Acaricio seu rosto com delicadeza, passando os dedos pelas suas bochechas levemente rosadas. Ela se remexe, abrindo os olhos devagar.

— Não queria te acordar — murmuro, mas ela sorri sonolenta.

— Mmm... não tem problema, amor. Foi por uma boa causa?

— Isso depende do seu humor — respondo, sentando na beira da cama. — Montmare me ligou. Disse que a revolta vampírica finalmente acabou. O reinado dele foi oficialmente consolidado.

Ela arregala os olhos, despertando de vez.

— Isso é maravilhoso, Darius! Finalmente boas notícias!

— Tem mais — seguro seu olhar. — Rebeca está grávida, amor. Um mês.

O grito dela é tão espontâneo e empolgado que me assusto.

— PELA LUA! EU VOU SER TIAAAAA! — ela pula da cama como se não estivesse carregando nossos filhotes.

— Cuidado, minha loba empolgada — seguro sua cintura e beijo sua testa, rindo com ela. — Já avisei que iremos amanhã. Montmare vai preparar tudo, e ficaremos alguns dias por lá.

— Ai, Darius... você não sabe o quanto estou precisando disso. Rebeca, as meninas... Sinto tanto a falta delas.

— Eu sei — murmuro, passando a mão por seu cabelo. — E será bom. Branca, Filipe e Luna devem voltar em breve do Inferno. E Hugo, Theo e Leo ainda estão na floresta cuidando da aliança com os demônios.

Ela se aproxima, me abraça por trás e deita a cabeça em meu ombro, aconchegando-se como uma loba que encontrou seu ninho.

— Obrigada por tudo isso, meu amor.

Termino os papéis e, mais tarde, levo Alina para nossa casa. Ela mal esperou a porta fechar e já correu para separar as malas. Enquanto isso, sigo para o banheiro. Meus músculos estavam tensos, exigindo o conforto da água quente.

Entro na banheira, a água me envolvendo como um abraço antigo. Fecho os olhos, permitindo-me relaxar...

— Amor... — escuto a voz de Alina seguida de uma batida na porta — posso...?

— Vem — interrompo antes que ela termine a pergunta.

Ouço o som suave de suas roupas caindo no chão e abro os olhos para vê-la entrando. A lua filtrava-se pela janela, iluminando a curva da barriga que já se destacava lindamente.

— Três meses? Parece cinco — brinco, e ela me lança um olhar sapeca.

— Culpa sua, Alfa. É isso que dá colocar duas alminhas aqui dentro — ela desliza para a água e se encaixa entre minhas pernas com um suspiro leve. — Estava com saudade disso... de você.

Seu corpo se molda ao meu, e sinto os bebês se moverem. Coloco as mãos sobre sua barriga, sussurrando para que se acalmem. Eles ouvem. Eles sentem. E obedecem.

O silêncio entre nós é confortável. Alina acaricia minhas mãos e sua energia muda. Um aroma suave, quase imperceptível, mas absolutamente enlouquecedor, invade o ar.

Meu lobo ruge dentro de mim.

— Alina... — minha voz sai grave, tomada de desejo. Ela vira o rosto com um sorriso cúmplice.

— Eu sei... — sussurra, se levantando devagar da água. Seus olhos piscam entre o azul profundo e o branco brilhante. Estava não só ela me desejando... mas todas. As três.

Levanto-me como um predador, agarro sua cintura e a coloco nos braços, levando-a até nossa cama. Seu corpo é um ímã para o meu.

— Darius... quero você.

Ela me puxa para um beijo feroz. Rosno entre seus lábios, mas meu toque permanece cuidadoso com sua barriga. Me posiciono, sentindo sua intimidade me receber quente e úmida. Penetro devagar. O prazer de estar dentro dela me faz perder o fôlego.

— Da-darius... mais... — ela geme com intensidade, os olhos revirando, os dedos cravando em meus ombros. Nossas almas trocavam energia, se fundiam, se reconheciam.

Eu, Deimon, Anonatos... todos nós a desejávamos. Estávamos entregues a ela.

— Você é minha... minha loba... minha mulher... minha deusa — sussurro, acelerando as estocadas. Ela grita meu nome em um orgasmo que a faz arquear o corpo, apertando-se contra mim.

Sinto meu ápice se aproximar, e me deixo levar, preenchendo-a com tudo de mim. Desabo ao seu lado, ofegante, colando nossos corpos suados e satisfeitos.

Ela se ajeita sobre meu peito, acariciando o local onde meu coração ainda disparava.

— Boa noite, meu Alfa... Eu te amo tanto.

Beijo sua testa, com os olhos já pesando.

— Boa noite, minha loba. Eu também te amo.

Fecho os olhos, deixando o sono me levar com o perfume da minha fêmea no ar e a certeza de que nossa jornada apenas começava...

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