Alina Narrando
O dia havia sido estranho — carregado de dor, mas também de uma inesperada clareza. Havia algo de agridoce em aceitar que meu corpo não podia mais lutar... e ainda assim, meu espírito nunca foi tão forte. Minha conexão com os lobos estava mais afiada do que nunca, como se a própria Terra tivesse decidido sussurrar diretamente ao meu sangue. Eu era necessária. Eu ainda era necessária.
— Tenta parecer mais viva, minha irmã... — Vitti disse com um olhar torto enquanto eu observava a vista pela janela, fecho os olhos por um momento e me vejo sentada na sacada de casa e ao meu lado Vitti, era como eu me via, Vitti em sua forma translucida — Darius tá percebendo sua mudança. E olha que ele é mais denso que pedra de rio.
Soltei um suspiro, sem muita convicção.
— Eu sei. É que... eu mudei mesmo, Vitti. A Eris mudou. Eu mudei.
— Ahn-ahn. É Eritia agora, lembra? — ela respondeu com um sorriso enviesado — Mas tudo bem. Nomes novos, sentimentos novos, dilemas antigos.
Eritia surgiu, deixando transparecer o peso em seu olhar dourado. Tinha uma postura elegante e vulnerável. Submissa. Quase reverente, Encaro aquela cena, ver minhas duas irmãs de alma ali em pé, mesmo que em traços místicos, mesmo que seja dentro de mim, eu nunca estive sozinha.
— Eu o queria hoje... Nosso companheiro... — disse quase em um sussurro, os olhos distantes — Alina, estamos prontas. Precisamos dele.
O modo como ela falava... Eu a sentia completamente entregue a Anonatos. Isso me preocupava.
— Isso vai dar problema. Precisamos trabalhar essa submissão aí, hein? — Vitti zombou com um olhar debochado — Luna Suprema não é tapete de ninguém.
— Desculpa... eu só...
— Eritia, não começa — Vitti rebateu com firmeza, mas com carinho — Foco, mulher. Você é a porra da Luna Suprema. Não abaixa essa cabeça. E se não se importa... eu vou tomar o controle por uns minutinhos. Meu olho tá tremendo, e eu PRECISO relaxar.
Antes que eu protestasse, Vitti já estava puxando as rédeas do meu corpo e, com um movimento felino, se lançou nos braços de Darius que vinha subindo as escadas. Senti a risada dele contra a pele — grave, rouca, carregada de desejo.
— Vitti, não exagera! — murmurei mentalmente.
— Relaxa, amor... é só um aquecimento. E com você no controle logo depois. — ela sumiu.
— QUE?! VITTI! VITTI, SUA DEMÔNIA! — gritei e saí correndo, o som dos meus passos ecoando pela casa, misturado com a risada abafada de Darius.
Mas ele veio atrás. Oh, ele veio.
O ar ao redor mudou. Seu cheiro me cercou como fumaça quente. Dominação pura. Meu corpo respondeu antes da razão.
Fui carregada sem esforço, jogada na cama com firmeza. Quando me virei, seus olhos já não eram apenas de Darius... estavam tingidos por Deimon. Ardentes, escuros, devoradores.
— D-Darius...
Minha voz falhou. Minhas pernas fraquejaram.
— Hoje, você é minha. Só minha. — Seu sorriso era indecente. Um misto de promessa e ameaça que me fez esquecer como se respirava.
Ele arrancou sua roupa com pressa. Seu corpo esculpido como se tivesse sido talhado pelo próprio pecado. E o membro dele... ereto, pulsante, pronto.
Me puxou com fome, e minha blusa foi rasgada com uma brutalidade que me arrancou um gemido.
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Suprema
Manusia SerigalaUma mulher escolhida pela Deusa como porta-voz de seu mundo, determinada, exigente e perspicaz, seu destino estará banhado de grandes vitórias mas com o peso de seu fardo viverá grandes momentos de desespero, encontrará o amor e aprenderá a lidar c...
