22 º (Reescrito)

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Alina Narrando 

Depois da visita de Peter, eu só queria desabar. O veneno dele ainda queimava em mim, mas o que doía de verdade era a lembrança daquelas palavras sussurradas como lâminas em minha mente. Quando os betas me encontraram, tentava parecer forte, mas dentro de mim... tudo estava em ruínas.

Queria chorar. Queria me deixar cair no chão e soluçar como uma criança. Mas não podia. Não agora.

Mesmo assim, foram eles — os betas — que me deram forças. Com olhos firmes, postura reta, mas uma gentileza velada no olhar, seguraram o que restava de mim.

— Luna, iremos acompanhá-la até a casa do Supremo — disse Ethan, o beta alfa dos Obscur. Sua voz tinha a firmeza de um general, mas havia uma nota de respeito verdadeira que suavizava o tom.

— Tudo bem... — murmurei, cansada, e respirei fundo antes de perguntar, sem conseguir esconder a preocupação na voz. — E Darius?

— Ele já está estável. Os curandeiros continuam cuidando dele. Vamos nos revezar na guarda. Não se preocupe. — O leve sorriso que surgiu em seus lábios parecia tentar me convencer de que tudo realmente ficaria bem.

— Obrigada, Ethan — disse, e algo em seus olhos brilhou discretamente ao ouvir seu nome saindo da minha boca.

— Disponha, Luna.

O caminho até a casa de Darius foi silencioso, quebrado apenas pelo farfalhar dos ventos noturnos e pelos passos ritmados dos lobos ao redor. Quando entramos, o cenário me arrancou um suspiro entre o choque e a resignação.

A sala estava virada de cabeça para baixo. Móveis quebrados, almofadas rasgadas, estilhaços de vidro pelo chão. Uma verdadeira tempestade emocional havia passado por ali... e tinha o nome de Darius.

— Ele realmente surtou — murmurei, cruzando os braços enquanto meus olhos passeavam pela destruição. — Idiota.

Ethan entrou na frente, farejando o ar, atento a qualquer perigo.

— Tudo certo, senhora. Se precisar de qualquer coisa, chame-nos imediatamente. — Fiz que sim com a cabeça, ainda observando a zona.

Suspirei pesadamente quando eles partiram. O silêncio que ficou foi... desconfortável. Uma mistura de vazio e tensão mal resolvida. Olhei ao redor e fiz uma careta. Não dava pra relaxar naquele caos.

Ainda cansada, mas com uma inquietação que não me deixava parar, comecei a circular pela casa, examinando cada cômodo. Era enorme. Majestosa, até. Mas naquela noite, tudo parecia frio, vazio... e dolorosamente solitário.

Ao final do corredor, encontrei o quarto dele. A cama de casal estava revirada, roupas espalhadas pelo chão, e um perfume conhecido ainda pairava no ar. O cheiro dele. Meu lobo.

Peguei uma camisa amassada do chão e a levei ao rosto, inspirando fundo.

— Como ele é idiota... — murmurei, encarando o tecido com raiva, mas também com um carinho que se recusava a morrer.

Desci até a lavanderia, vasculhei armários e encontrei uma vassoura, baldes e panos. Coloquei uma playlist qualquer e comecei a limpar como se minha alma dependesse daquilo. Talvez dependesse mesmo.

Quando percebi, já eram quase dez da noite.

— Ufa... eu mereço um banho.

Subi de volta ao quarto dele e, ao abrir uma das portas, deparei-me com um closet digno de realeza. Roupas alinhadas, sapatos lustrados. Uma ala inteira com trajes dele e, do outro lado... roupas femininas ainda embaladas, recém-chegadas. Um bilhete repousava sobre elas.

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