Acordei com o cheiro do travesseiro ainda marcado por Darius, mas a cama estava vazia. Passei a mão pelo lençol amassado, sentindo o calor dele ainda presente, mas não o suficiente para confortar meu vazio.
— Deve ter ido conversar com meu pai... — murmurei para mim mesma, tentando não deixar o coração acelerar por antecipação.
Me arrastei até o banheiro e tomei um banho demorado. A água quente deslizava sobre minha pele como se pudesse lavar a inquietação que começava a crescer no meu peito. Ao descer para a cozinha, encontrei um bilhete sobre a bancada de mármore:
Alina,
Tive um imprevisto em Uktena e precisei voltar imediatamente.
Me perdoe, não queria deixá-la assim.
Castro ficou aí com você.
Seu pai concordou, e achei que talvez você pudesse vir para cá.
Com carinho,
Darius Burten.
Bufei, o papel amassando entre meus dedos.
— Ele me deixou mesmo. Sem nem ao menos me acordar... — murmurei, o deboche na minha voz tentando abafar a pontada de decepção.
Mas o tom sério da carta me dizia que algo grave havia acontecido. E Darius... Darius não era do tipo que sumia sem motivo. Talvez ele realmente precisasse de mim. E se eu pudesse ajudá-lo?
Corri para o quarto como se minha decisão fosse urgente. Joguei roupas na mala, peguei documentos, laptop, algumas armas leves — não que fosse necessário, mas velhos hábitos não morrem fácil. Liguei para meu pai, que apenas respondeu com um tom baixo e orgulhoso:
— Vá. Ele precisa de você.
No meu escritório, deixei anotações para os compromissos da semana e mandei mensagens para os meninos da patrulha. Era oficial: tudo estava resolvido para a minha partida.
Subi novamente e, pela primeira vez em dias, me arrumei com calma. Escolhi um vestido rosa rodado com babadinhos delicados na borda, um blazer branco e saltinhos nude. Prendi o cabelo em um coque solto com alguns fios caindo, passei uma maquiagem leve e finalizei com um brilho labial suave.
Queria causar uma boa impressão. Mas mais do que isso... queria que ele me visse e se lembrasse do que tinha em mãos.
Não avisei Darius. Queria fazer uma surpresa. Já tinha ligado para Castro e, como sempre, ele aceitou sem hesitar.
Assim que desci as escadas, escutei a buzina. Castro me esperava, impecável como sempre, no carro preto fosco.
— Deixe comigo, Luna — ele reverenciou com um leve sorriso.
— Castro... sem "Luna". Só Alina, por favor. — sorri de volta.
— O Supremo ficará feliz em saber que a senhora aceitou vir a Uktena. — Ele abriu a porta do carro para mim com uma reverência contida.
— Mas, Castro... como é lá? Nunca saí de Light Umeris. Não sei como me portar.
— Apenas seja você mesma, senhora. Isso será mais do que suficiente.
Sorri, mas meu estômago revirava. Parte de mim estava empolgada, outra parte ainda irritada. Como ele simplesmente me deixou?
A viagem começou. Fomos para o píer, o mar calmo refletindo o céu pálido da manhã. Um carro já nos esperava do outro lado.
Fui conversando com Castro durante o caminho. Ele era direto, mas educado. Um pouco certinho demais, o que tornava fácil provocá-lo de vez em quando. Mas minha loba confiava nele. Darius também. Isso me deixava mais tranquila.
— Senhora, estamos quase chegando — Castro avisou, me tirando dos devaneios.
— Que bom, porque minha bunda já estava começando a protestar — brinquei, arrancando uma risada dele.
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Suprema
LobisomemUma mulher escolhida pela Deusa como porta-voz de seu mundo, determinada, exigente e perspicaz, seu destino estará banhado de grandes vitórias mas com o peso de seu fardo viverá grandes momentos de desespero, encontrará o amor e aprenderá a lidar c...
