56° (Reescrito)

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Narrado por Darius

Depois que recebi a confirmação de todos os líderes das raças, aceitei o convite dos rapazes para uma caçada. Precisávamos de um momento de alívio antes da tempestade que estava por vir. A adrenalina da perseguição, os risos abafados entre árvores e o cheiro da terra molhada ajudaram a silenciar, ainda que por pouco tempo, as tensões que pesavam em nossos ombros.

No entanto, o tempo nos lembrava da urgência. A cerimônia se aproximava, e, com ela, os olhos do mundo recaíam sobre minha companheira. Sobre nós.

Já de volta, subi rapidamente até meu quarto e comecei a me vestir. A gravata teimava em não colaborar, como se sentisse a ansiedade que me corroía por dentro. Foi quando ouvi três batidas secas na porta.

Supremo. — Theo surgiu, formal como sempre, mas com os olhos brilhando de empolgação. — Branca me avisou... Alina e Rebeca estão se arrumando neste momento.

Assenti, afrouxando o nó da gravata com um leve suspiro.

— Vamos descendo, não quero atrasos. — Ele sorriu e se afastou, e eu me encarei no espelho por um segundo a mais. Hoje, a história mudaria para sempre.

O salão já estava tomado por uma aura de expectativa. Alfas e betas de todas as tribos me cumprimentavam com reverência. A energia ali era uma mistura perfeita de respeito e tensão sagrada.

Supremo. — Vários representantes das raças se reuniram num semicírculo. A presença deles era quase surreal. Lobos, fadas, anões, bruxas... Estávamos todos ali, lado a lado.

— Senhores, Senhoras... — Cumprimentei, fazendo uma leve reverência. — Agradeço sinceramente a presença de cada um de vocês nesta noite. Ela representa não só o início de uma nova era... mas o fim dos nossos medos.

— Estamos ansiosos para conhecer a nova Luna. — disse Dione, líder das fadas, com um brilho místico no olhar.

— E posso afirmar com propriedade: ela tem um gosto excelente. — Afena, líder das bruxas e amiga antiga de Alina, comentou com um sorriso irônico. — Alina sempre soube escolher bem.

— Logo, ela estará entre nós. — respondi com um sorriso, enquanto aceitava uma taça de vinho de um dos servidores.

Vi Montmare ao longe e fui em sua direção.

— Darius. — ele me saudou com um leve aceno de cabeça. — Você parece inquieto. Nervoso, até.

— Estou... intrigado. — confessei. — Não esperava uma resposta tão unânime dos líderes.

— Alina nos alertou que Nix estaria conosco. E cá estamos todos. — Montmare olhou para o teto como se esperasse uma bênção divina ali mesmo. — Isso é só o começo.

— Fico me perguntando como elas estão... — falei, tomando um gole do vinho. — Alina não me deixou em paz o dia todo, e agora, sumiu. A saudade aperta.

Montmare sorriu com nostalgia.

— Minha Rebeca desligou na minha cara mais cedo. Mandou uma mensagem só com "me aguarde". — ele riu. — Estou com medo. Um medo bom.

Logo, Theo, Leo, Hugo, Pietro, Castro e Celina se juntaram a nós. O grupo de elite. Uma bolha de confiança em meio à multidão. Falávamos de estratégias, dos rumores da rebelião em Romenia, da movimentação dos clãs inimigos... até que um silêncio reverente se espalhou como uma brisa cortante.

Os soldados alinharam-se. A tensão tornou-se palpável.

— É agora. — Theo disse num sussurro. Recompus a postura e respirei fundo.

Senhoras e Senhores! — o anunciador ergueu a voz com solenidade. — Com orgulho, apresentamos a vocês nossa Luna Suprema e guerreira mais forte, Alina Anuska Burten, companheira do Supremo Alfa Darius Burten. E a Rainha dos Vampiros, Rebeca Montmare Garos, companheira do Rei Vampiro Don Montmare Garos!

A música suave invadiu o ambiente e, por um instante, o tempo simplesmente... parou.

Ela surgiu.

Alina.

Meus olhos se encheram dela como se fosse a primeira vez. Vestida em tons perolados que refletiam a luz como cristais da lua, com o cabelo preso por delicadas folhas de prata e flores brancas entrelaçadas, ela era mais do que uma visão. Era a deusa encarnada. Minha deusa.

Ela caminhava com a graça ancestral dos nossos antepassados, com os olhos tímidos e um sorriso que me desmontava.

Querido... — ela disse, estendendo as mãos para mim. Eu não respondi. Apenas a puxei para um beijo lento, cheio da saudade acumulada nas últimas horas. Talvez nos últimos séculos.

— Você está... a criatura mais linda que já caminhei ao lado. Devia ser eternizada em mármore. — sussurrei em seu ouvido, e senti o arrepio subir em seus braços.

— Fiquei com tanta saudade de você, amor. — ela murmurou, escondendo o rosto em meu pescoço.

— Prometo não sair do seu lado por nada hoje. — beijei sua testa. — Você é o meu altar.

Montmare surgiu, bobo como um adolescente ao lado de Rebeca.

— Alina, Rebeca... Vocês estão... irreais. — ele disse, e ambas sorriram como se os próprios céus tivessem aberto as nuvens.

Guiamos as duas até o centro do salão, onde os cumprimentos começaram. Um a um, os alfas, líderes de linhagens e figuras lendárias as saudavam com respeito. Logo, os representantes das outras raças se aproximaram.

— Luna, é um prazer finalmente conhecê-la. — Aine, rainha das fadas, fez uma leve reverência.

— O prazer é meu. — Alina respondeu com doçura, mas com o brilho firme nos olhos. — Nix os guiou até nós, e isso só prova que esta noite é sagrada. Espero que estejam bem acomodados.

Todos assentiram, encantados com a força e gentileza dela.

— Com licença. — murmurei, tocando de leve o braço de Alina. — Há mais convidados a cumprimentar.

Assim que nos afastamos, Alina virou-se para mim com os olhos cheios de brilho e lágrimas contidas.

— Pela Deusa, Darius... todos vieram. Todos! Os planos de Nix estão se realizando... — Ela segurou meu rosto com as duas mãos. — A guerra está chegando, mas nós... nós vamos vencê-la. E Filipa... nossa Filipa vai correr livre!

Toquei sua barriga com reverência.

— Eu não tenho dúvida disso. E você, minha fêmea, está esplêndida.

— Já disse isso. — ela sorriu com charme debochado.

Segurei seu queixo com delicadeza e a fiz me encarar nos olhos.

— E vou dizer mais mil vezes. Você é tão linda... tão preciosa... que se você não existisse, o hoje também não existiria pra mim.

Ela mordeu o lábio, emocionada, e sussurrou:

— Agradeço a Nix por ter cruzado meu destino com o seu. Minha alma, meu corpo, tudo o que sou... é seu, Darius.

A beijei, e naquele momento, não havia mais festa, guerra ou protocolo. Só nós dois. A conexão era absoluta, plena. Sentia cada batida do coração dela dentro do meu peito.

(...)

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