25 º (Reescrito)

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Darius Narrando

Alina está sentada à minha frente, cercada por mapas, documentos e cálculos feitos à mão. O cabelo preso de qualquer jeito em um coque alto denuncia o quanto ela está imersa no trabalho. Às vezes ela morde o lábio inferior quando se concentra, e é praticamente impossível não notar. Desde que ela chegou, minha rotina de Supremo mudou por completo. As reuniões? Ela vai em todas. Estratégias? Ela já tem três prontas antes mesmo de eu pensar em uma. A presença dela reorganizou toda a estrutura da alcateia, e... a minha mente.

Querido... — a voz suave dela me arranca dos pensamentos como um chicote estalando no ar.

— Hm? — respondo, meio sem saber se sonhava acordado.

— Ainda estou em dúvida se deveríamos mesmo fazer a cerimônia nessa Lua Cheia... — ela suspira, massageando as têmporas com os olhos cansados. — Com os ataques recentes, temo pelo nosso povo. E por você.

Levanto, rodeio a mesa e seguro sua mão, firme, como um porto seguro.

— Você já carrega tantas responsabilidades, meu amor... — murmuro, beijando seus dedos. — Deixe um pouco do peso comigo. Nada vai dar errado. Eu não deixarei.

Ela sorri, mas não responde. O olhar dela se perde por um segundo e volta para os papéis. Antes que eu diga algo mais, a porta se abre bruscamente.

— Supremo. Luna. — Castro entra apressado. — Os rapazes chegaram. Estão esperando pela senhora na sede comercial. As meninas vieram com eles.

Alina se levanta num salto, os olhos brilhando. Um sorriso de pura felicidade se espalha por seu rosto, e ela sai da sala com pressa, o cheiro dela preenchendo o ambiente e me deixando zonzo por um instante.

— Que rapazes, Castro? — pergunto, enquanto ajeito minha camisa.

— A equipe Nuran, senhor. Estão prontos para investigar a possível localização do ninho dos transformados. Pietro acha que há uma ligação direta com o último ataque.

Meu sangue ferve.

— Prepare os quartos de hóspedes na minha casa. Eles ficam conosco. — minha voz sai baixa, porém firme.

— Sim, senhor.

Seguimos juntos até a sede. Ao chegar, vejo Alina conversando com os rapazes. Ela está com uma postura decidida, confiante. A guerreira dentro dela emana poder. Me orgulho e me preocupo ao mesmo tempo.

— Iremos amanhã. Já estamos cientes de todos os riscos. Mas vamos manter o foco. Sem distrações. — ela conclui a fala.

— Como assim, "vamos"? — interrompo, me aproximando.

— Supremo. — os rapazes se viram em respeito.

— Darius... — Alina começa com um tom calmo, porém determinado — Não podemos adiar mais. Quanto antes neutralizarmos o ninho, mais seguros estaremos para a cerimônia. É uma jogada preventiva.

— Eu vou com você. — digo, e ela abre a boca para contestar, mas apenas suspira, frustrada.

— Já esperava por isso... — ela rosna baixinho. — Mas, antes de tudo, você é o Supremo. Sua responsabilidade é proteger o território. Eu e os meninos somos a linha de frente.

— Você não vai ser linha de frente nenhuma! — minha voz se eleva. — Eu não vou te perder de novo, Alina. — Meus olhos se transformam sem que eu perceba. Ela me encara e rosna de volta, a alfa pronta para lutar até contra mim.

— Darius, eu sei me defender. Essa é minha função. Eu sou a líder da equipe Nuran, eles confiam em mim. Você pode não gostar disso, mas a verdade é que eu sou necessária ali na frente.

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