ALINA NARRANDO
Ajoelhei-me no alto da colina, o vento da noite carregando o cheiro de sangue antecipado e madeira molhada. O vale à minha frente era um mar de corpos vibrando em ansiedade, temor e bravura. Cada respiração, cada batida de coração, reverberava em mim como se fizessem parte do meu próprio corpo.
Senti Eritia e Vitt pulsando dentro do meu espírito, inquietas.
— Não vou deixar nenhuma irmã cair hoje — disse Eritia com um sorriso nervoso.
— Solta o freio, Alina. Vamos brilhar um pouquinho, não é todo dia que se enfrenta um apocalipse — Vitt provocou.
Sorri. Sim, estávamos vivas. E inteiras.
Desci a colina e parei diante de Darius, que vestia sua armadura completa, um deus de guerra encarnado. Meu coração parou.
— Eu amo você — sussurrei, com a voz trêmula e os olhos marejando.
Ele segurou meu rosto com firmeza e ternura, os olhos presos nos meus.
— Eu amo você, minha loba. E eu juro, na frente da Deusa... que voltarei inteiro pra você. Vamos viver. Em paz. Em liberdade. Com filhos correndo pela grama, e você me provocando no meio das reuniões da alcateia.
Ri, mesmo com o nó na garganta. Ele enxugou minhas lágrimas e me beijou com a calma que só se tem quando se sabe que o mundo pode acabar no minuto seguinte.
Ele partiu. E levou metade do meu coração com ele.
Subi de novo ao ponto mais alto. A névoa negra já se formava à frente. Estática. Como se a floresta estivesse prendendo a respiração. Eu sentia Peter ali, em algum lugar, sorrindo com seus olhos vermelhos, esperando o primeiro movimento.
— Mãe... por favor, proteja os seus filhos esta noite — roguei, olhando para os céus encobertos.
Fechei os olhos, ergui os braços.
— Eritia. Vitt. Vamos começar.
Meu corpo brilhou, e a energia explodiu como um raio. Um clarão percorreu o campo e atingiu cada guerreiro. Um a um, os corações se conectaram ao meu. Senti-os agradecer. Era como se todos tivessem recebido uma bênção, um empurrão espiritual para além do medo.
As Lunas rugiram em uníssono e começaram a canalização da ligação lunar. Um vento gelado varreu o campo. A névoa começou a se dissipar e, no lugar dela, vieram os horrores.
Trolls de mais de três metros. Orcs em armaduras de osso. Súcubos flutuando com olhos famintos. Minotauros, lamias, quimeras, espectros...
O chão estremeceu quando a corneta soou.
E então... a guerra começou.
Do outro lado, nossas forças se moveram com precisão e selvageria. Vampiros voando com lâminas em chamas. Ninfas invocando tempestades. Lobos em frenesi rasgando a terra. O som era ensurdecedor. O cheiro, metálico. A dor... penetrante.
Fui tomada pelo caos emocional. Sentia os corpos caírem. As últimas palavras de irmãos, os gritos dos feridos. E mesmo assim, eu tinha que continuar.
— Mais, Alina. Mais poder! — gritou Vitt.
— Estamos com você! — bradou Eritia.
Derramei lágrimas, mas não me permiti fraquejar.
A Deusa ainda estava conosco.
E eu ainda podia lutar.
Por Darius.
Por nós.
Por cada vida naquele campo.
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Suprema
Hombres LoboUma mulher escolhida pela Deusa como porta-voz de seu mundo, determinada, exigente e perspicaz, seu destino estará banhado de grandes vitórias mas com o peso de seu fardo viverá grandes momentos de desespero, encontrará o amor e aprenderá a lidar c...
