63º (Reescrito)

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ALINA NARRANDO

Ajoelhei-me no alto da colina, o vento da noite carregando o cheiro de sangue antecipado e madeira molhada. O vale à minha frente era um mar de corpos vibrando em ansiedade, temor e bravura. Cada respiração, cada batida de coração, reverberava em mim como se fizessem parte do meu próprio corpo.

Senti Eritia e Vitt pulsando dentro do meu espírito, inquietas.

Não vou deixar nenhuma irmã cair hoje — disse Eritia com um sorriso nervoso.

Solta o freio, Alina. Vamos brilhar um pouquinho, não é todo dia que se enfrenta um apocalipse — Vitt provocou.

Sorri. Sim, estávamos vivas. E inteiras.

Desci a colina e parei diante de Darius, que vestia sua armadura completa, um deus de guerra encarnado. Meu coração parou.

— Eu amo você — sussurrei, com a voz trêmula e os olhos marejando.

Ele segurou meu rosto com firmeza e ternura, os olhos presos nos meus.

— Eu amo você, minha loba. E eu juro, na frente da Deusa... que voltarei inteiro pra você. Vamos viver. Em paz. Em liberdade. Com filhos correndo pela grama, e você me provocando no meio das reuniões da alcateia.

Ri, mesmo com o nó na garganta. Ele enxugou minhas lágrimas e me beijou com a calma que só se tem quando se sabe que o mundo pode acabar no minuto seguinte.

Ele partiu. E levou metade do meu coração com ele.

Subi de novo ao ponto mais alto. A névoa negra já se formava à frente. Estática. Como se a floresta estivesse prendendo a respiração. Eu sentia Peter ali, em algum lugar, sorrindo com seus olhos vermelhos, esperando o primeiro movimento.

— Mãe... por favor, proteja os seus filhos esta noite — roguei, olhando para os céus encobertos.

Fechei os olhos, ergui os braços.

— Eritia. Vitt. Vamos começar.

Meu corpo brilhou, e a energia explodiu como um raio. Um clarão percorreu o campo e atingiu cada guerreiro. Um a um, os corações se conectaram ao meu. Senti-os agradecer. Era como se todos tivessem recebido uma bênção, um empurrão espiritual para além do medo.

As Lunas rugiram em uníssono e começaram a canalização da ligação lunar. Um vento gelado varreu o campo. A névoa começou a se dissipar e, no lugar dela, vieram os horrores.

Trolls de mais de três metros. Orcs em armaduras de osso. Súcubos flutuando com olhos famintos. Minotauros, lamias, quimeras, espectros...

O chão estremeceu quando a corneta soou.

E então... a guerra começou.

Do outro lado, nossas forças se moveram com precisão e selvageria. Vampiros voando com lâminas em chamas. Ninfas invocando tempestades. Lobos em frenesi rasgando a terra. O som era ensurdecedor. O cheiro, metálico. A dor... penetrante.

Fui tomada pelo caos emocional. Sentia os corpos caírem. As últimas palavras de irmãos, os gritos dos feridos. E mesmo assim, eu tinha que continuar.

Mais, Alina. Mais poder! — gritou Vitt.

Estamos com você! — bradou Eritia.

Derramei lágrimas, mas não me permiti fraquejar.

A Deusa ainda estava conosco.

E eu ainda podia lutar.

Por Darius.

Por nós.

Por cada vida naquele campo.

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