Após o jantar, enquanto alguns casais dançavam e outros formavam grupos animados em torno das lareiras, fui até o salão do ritual. Era um espaço ancestral, com paredes de pedra adornadas por símbolos rúnicos e tochas encantadas que emitiam um brilho prateado. Preparei a mesa de mármore, cobri as cadeiras com peles de lobo branco e abri as cortinas, permitindo que a luz da lua me banhasse por completo.
Vesti a manta da lua. Assim que a luz tocou minha pele, senti a energia fluir violentamente. Meus olhos arderam e, quando me vi refletida no espelho antigo, minha forma Crinos havia emergido. As presas, o olhar felino e os traços marcantes da minha linhagem gritavam poder. E destino.
A porta se abriu com um ranger grave. As nove vampiras, de olhos rubros e postura submissa, entraram uma a uma, seguidas por seus companheiros. Os olhos deles, em contraste, brilhavam com orgulho e confiança.
Assenti. O primeiro casal se aproximou. O lobo segurava a mão da fêmea com força, mas ternura.
— Vai dar tudo certo — ele disse a ela. — A deusa está com você.
Ela assentiu, nervosa. Toquei seu braço suavemente e inclinei o pescoço, expondo minha veia. Vi o momento exato em que os olhos dela dilataram de sede.
Fechei os olhos e respirei fundo.
— Deusa, purifique esta alma — murmurei, antes de sentir os caninos dela perfurarem minha pele.
A dor foi como uma onda quente, pulsante. Dois goles. Curto. Rápido.
— Já está bom — o companheiro dela disse, puxando-a levemente. Ela soltou meu pescoço com um soluço e caiu de joelhos, fraca, tossindo.
— Levem-na para a ala médica — orientei, sentindo o suor frio escorrer pelas costas. — Isso é apenas o começo.
Enquanto a levavam, respirei fundo. O gosto de metal ainda queimava na minha língua, mesmo sem ser eu quem havia mordido.
— Uma já foi... — sussurrei para mim mesma. — Faltam oito.
Darius apareceu novamente, os olhos em fogo dourado, observando cada detalhe, mas sem interferir. Ele confiava. Mas também estava pronto para intervir a qualquer segundo.
A noite seria longa. A dor, intensa. Mas a esperança nos olhos daquelas mulheres, a fé nos olhos de seus companheiros... e o amor ardente que eu via em Darius toda vez que ele me fitava... era tudo o que eu precisava para continuar.
E se fosse preciso morrer por eles, então que fosse sob o brilho da lua que agora queimava em minha pele como a promessa mais antiga do mundo.
A madrugada deslizava lentamente, como uma névoa pesada que se recusava a dissipar. A primeira transformada havia deixado em mim uma dor latejante e uma exaustão que parecia se infiltrar nos ossos, mas não havia tempo para repouso. Havia mais oito. O salão do ritual agora estava imerso numa penumbra sagrada — o luar filtrava-se pelas janelas amplas, tocando o chão como se traçasse runas invisíveis sobre os ladrilhos de pedra negra. A cada instante, minha alma parecia mais conectada ao poder ancestral que ecoava por minha linhagem.
Darius retornou para junto de mim, silencioso, mas atento. Seus olhos estavam tempestuosos, como se cada mordida que eu recebesse ferisse também a carne dele.
— Você ainda pode parar, Alina — ele sussurrou, com a voz baixa, mas carregada de tensão. — Ainda há tempo. Não precisamos arriscar tanto. Eu posso encontrar outro caminho.
— Esse é o caminho, Darius — respondi, firme, tentando manter minha voz mais forte do que minhas dores. — Se eu recuar agora, quem sou eu como Luna Suprema?
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Suprema
WerewolfUma mulher escolhida pela Deusa como porta-voz de seu mundo, determinada, exigente e perspicaz, seu destino estará banhado de grandes vitórias mas com o peso de seu fardo viverá grandes momentos de desespero, encontrará o amor e aprenderá a lidar c...
