30 º (Reescrito)

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Alina Narrando

Chegamos em casa sob o silêncio pesado da madrugada. Darius subiu as escadas com firmeza, apesar da noite tumultuada. Seus braços envolviam meu corpo como se eu fosse feita de cristal, e ele me deitou com um cuidado raro, como se temesse me despedaçar.

Ele se inclinou e beijou minha testa com um toque quase reverente.
Descanse, minha loba. — Sua voz soou como um sussurro antigo, carregado de algo mais profundo do que simples preocupação.
Antes que eu pudesse respondê-lo, ele já se afastava, deixando apenas o perfume amadeirado e marcante dele atrás.

Suspirei, o peito pesado. Meus músculos doíam, minha cabeça latejava. Fechei os olhos tentando repousar, mas então um aroma intenso de carne crua invadiu minhas narinas. Eris se agitou.

A porta rangeu levemente. Era Darius. Ele carregava um prato com três pedaços de carne crua, recém cortada.

— Coma. Sua loba precisa de energia para se recuperar. — Ele se agachou ao lado da cama, me observando com aqueles olhos intensos, de um preto tão profundo que pareciam sugar o ar.

Assenti, a garganta seca, e comecei a comer em silêncio. Os olhos dele não desgrudavam dos meus.

— Por que tá me encarando como se eu fosse uma pintura rara? — perguntei, tentando soar leve, mas minha voz saía mais frágil do que eu gostaria.

Ele arqueou um canto da boca, divertindo-se.
— Porque gosto de te olhar. Quando está assim... natural. Instintiva. Real.

Senti meu rosto corar e abaixei os olhos, mastigando com mais pressa. Terminei rápido e me joguei de volta na cama, soltando um suspiro cansado. Darius recolheu o prato e, para minha surpresa, retornou logo em seguida, deitando-se ao meu lado. O calor do corpo dele era tranquilizador.

Adormeci em segundos.

Mas fui acordada no meio da noite por um flash brutal.

Meus olhos se abriram num sobressalto. A escuridão do quarto era quase absoluta, mas o que vi... dois homens correndo, uma adaga reluzente nas mãos. Um deles... pálido como a morte e com olhos púrpura tão vívidos que pareciam hipnotizar. Vampiro. Patriarca.

Sentei suando, o coração martelando. O relógio marcava quatro da manhã. Virei-me. Darius dormia pesadamente, os traços relaxados. Me levantei em silêncio e caminhei até a sacada.

Foi quando a voz surgiu. Grave. Masculina.
"Preciso de sua ajuda."

Dei um passo para trás.
"Quem é você?!" — indaguei em alerta.

"A ligação do sangue... me encontre."

Uma dor aguda explodiu em minha cabeça. Tão forte que caí no chão, levando a cadeira comigo.

— Alina?! O que houve?! — Darius veio até mim, os olhos selvagens de preocupação, me ajudando a sentar.

— Foi só uma tontura, desculpa... não quis te acordar. — murmurei, tentando conter a dor.

Ele me levou de volta à cama, me envolvendo em seus braços. Fingi dormir. Mas não fechei os olhos nem por um segundo.

Ao amanhecer, minha pele ardia. Estava quente demais. Mesmo para uma Lycan.

Tomei um banho gelado, tentando me recompor. Eris estava faminta. Não tive dúvidas: precisava caçar. Darius ainda dormia, o corpo estirado como o de um rei em seu trono. Acariciei seu rosto, beijei seus lábios suavemente e saí em direção à floresta.

A transformação foi imediata. O instinto tomou conta. Corri, mais rápida que o vento. Caçava. Rastreava. Saltei sobre um cervo e o destrocei em segundos. O gosto metálico do sangue escorria por minhas presas enquanto voltava à forma humana, os pés pisando no solo úmido e frio.

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