Capítulo 4 - O Despertar do Vínculo: De Conflito a Conexão Profunda
Alina Narrando
Demorei um pouco mais para terminar meu chá, saboreando cada gole como se aquilo pudesse acalmar a tempestade de sensações dentro de mim. O Supremo permaneceu em silêncio o tempo todo, imóvel, com os olhos voltados para a lareira apagada, perdido em pensamentos insondáveis. Quando decidi romper o silêncio e me virei em sua direção, parei no mesmo instante. Ele dormia.
Havia algo desconcertante naquela imagem. O homem mais temido e reverenciado entre os clãs, ali, adormecido no sofá da minha sala, de forma totalmente desalinhada, como se o corpo tivesse simplesmente cedido ao cansaço. Sua cabeça tombava levemente para o lado, os longos cílios tocando a pele pálida debaixo dos olhos marcados.
— Que tipo de força é essa que carrega o mundo, mas esquece de descansar? — murmurei, com um sorriso quase afetuoso.
Tomei cuidado ao retirar a xícara vazia de seu colo. Seus dedos estavam quentes ao toque. Desci as escadas rapidamente, arrumei a cama do quarto de hóspedes, afofando os travesseiros como se isso pudesse compensar a dureza do mundo que ele carregava nos ombros. Ao voltar, ele ainda estava do mesmo jeito, imóvel como uma estátua viva.
Usei minha força de loba para erguê-lo com delicadeza. Seu corpo reagiu ao toque, os músculos contraíram-se num reflexo, mas ele não acordou. Deitei-o com cuidado, cobri-o com um cobertor macio e fechei a porta devagar, como se selasse um segredo.
Desci para a sala e liguei a televisão. Um filme qualquer preenchia o ambiente, mas minha mente estava em outro lugar. Não demorou para alguém bater na porta. A batida foi firme, mas educada.
— Líder Alina, sou Pietro, beta do Supremo. Posso falar com ele?
Abri a porta com um sorriso controlado.
— Senhor Pietro, boa noite. O Supremo... está dormindo — observei o espanto crescer em seu rosto — Devia estar exausto da viagem. Entre, por favor.
Ele entrou, olhando ao redor, como se procurasse por algo fora do lugar.
— Dormindo? Isso é... raro. — Seus lábios se curvaram em um sorriso intrigado.
— Perdão?
— Ele não dorme há dias. Talvez semanas. Toma poções energéticas constantemente. Costuma dizer que o descanso é um luxo que ele não pode se permitir.
Fiquei em silêncio por um momento, digerindo aquela informação.
— Talvez o corpo dele tenha decidido ignorar a mente — respondi, com um sorrisinho — Ou talvez tenha sido o chá que costumo tomar à noite. Ajuda a relaxar... e, aparentemente, derruba até Supremos.
Pietro soltou um riso contido, curioso, mas não insistiu.
— Fico feliz que ele esteja em boas mãos, então. Me desculpe pelo incômodo. Tenha uma boa noite, Líder.
Acompanhei-o até a porta.
— Os betas estão te tratando bem?
— Estão sendo ótimos. Aquela casa é... viva. Barulhenta. Mas de um jeito bom. — Seu sorriso era genuíno — Obrigado por perguntar.
Fechei a porta com um leve suspiro e voltei à frente da televisão. Estava quase cochilando quando um estrondo forte ecoou da parte de trás da casa. Levantei num salto, os sentidos alertas.
— Que merda foi essa? — murmurei, tentando manter a calma.
Fui até a origem do barulho, movendo-me em silêncio, cada passo cuidadosamente calculado. Não havia nada à vista, mas o cheiro no ar era peculiar — forte, vibrante... quase celestial. Caminhei até a entrada da floresta e parei abruptamente. Havia algo no chão.
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Suprema
WerewolfUma mulher escolhida pela Deusa como porta-voz de seu mundo, determinada, exigente e perspicaz, seu destino estará banhado de grandes vitórias mas com o peso de seu fardo viverá grandes momentos de desespero, encontrará o amor e aprenderá a lidar c...
