Alina narrando
Pietro tinha sido um verdadeiro porto seguro naquela tempestade de emoções. Ele não apenas me escutou, como também suportou pacientemente minhas lágrimas, que insistiam em molhar sua camisa como se fossem chuvas de um dilúvio. E mesmo assim, ele nunca me fez sentir que estava sendo um fardo. Por um instante, senti o peso do mundo aliviar um pouco, mas a imagem de Darius, ali, com aquela mulher — aquela maldita mulher — insistia em arder na minha mente, como uma chama que não queria apagar.
— Luna... — Pietro finalmente quebrou o silêncio, a voz dele soando baixa, quase um convite para que eu finalmente abrisse o coração. — Você precisa escutar o Darius, sabia? Tem coisas que só ele pode explicar.
Eu respirei fundo, tentando juntar os pedaços de mim que ainda tremiam, e respondi, quase sussurrando:
— Eu... não sei, Pietro. Não sei mais se posso acreditar nele. Já tentei, sabe? Mas cada vez que fecho os olhos, aquela cena volta. — Controlei o choro com dificuldade, engolindo o nó na garganta.
Ele se aproximou, com um olhar carregado de compreensão e aquela calma serena que sempre me acalmava.
— Luna, o Darius é um homem que viveu muitas luas, muitas eras. Sim, ele teve seus casos, mulheres... coisas carnais, passageiras. Mas com você? É diferente. Com você ele é... ele é de verdade. Ele te ama — falou firme, fixando o olhar no meu.
Eu desviei o olhar, sentindo uma pontada de vergonha e insegurança.
— Eu não sou como elas, Pietro. Não sou delicada, nem cheia de charme. Sou rude, bruta, sem frescuras. Não sei lidar com esse lado "romântico" que ele parece esperar.
Ele sorriu, meio debochado, meio sincero.
— E é justamente por isso que ele te ama, Luna. — Ele deu um passo para trás, soltando uma risada baixa, quase provocante. — Sabe, com todo respeito... se você não fosse companheira dele, eu provavelmente tentaria algo. Seu jeito é inacreditável, e esse papo de "não sou especial" é balela. — Seus olhos brilharam, e eu acabei sorrindo, meio envergonhada.
— Obrigada, Pietro. — Respirei fundo, tentando organizar meus pensamentos — Acho que preciso ir embora um pouco. Não quero vê-lo, pelo menos não agora. Preciso pensar, entender o que quero — disse, com a voz firme, mas o coração apertado.
Ele tentou argumentar, mas percebeu que a decisão estava tomada.
— Tudo bem, Luna. Vou te acompanhar — disse, com aquele sorriso gentil que me fez sentir protegida, mesmo naquele momento tão incerto.
Voltamos caminhando lado a lado, e quando chegamos à entrada da casa, lá estava ele: Darius, sentado nos degraus, o olhar fixo em mim com um sorriso que, naquele momento, parecia uma faca cravada no meu peito.
Sem dizer uma palavra, passei direto, pegando minhas coisas. Foi então que senti a mão dele no meu pulso — firme, dominadora. Rosnei baixinho, sem me intimidar.
— Para onde pensa que vai? — a voz dele tinha um tom duro, mas havia uma súplica escondida.
Eu me virei, encarando-o com frieza calculada.
— Vou para onde sou bem-vinda, senhor supremo. Aqui não sou mais que uma intrusa, e acho que posso atrapalhar seu encontro com a amiga — sorri, debochada, puxando meu braço de volta.
Ele não soltou. Pelo contrário, me puxou para perto, com aquela intensidade que só um alfa dominador poderia ter.
— Alina, você não vai sair daqui — ordenou, olhos brilhando em fúria.
VOCÊ ESTÁ LENDO
Suprema
WerewolfUma mulher escolhida pela Deusa como porta-voz de seu mundo, determinada, exigente e perspicaz, seu destino estará banhado de grandes vitórias mas com o peso de seu fardo viverá grandes momentos de desespero, encontrará o amor e aprenderá a lidar c...
