55° (Reescrito)

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Alina  Narrando

Depois da ligação com Darius e de catar os cacos do prato, sentei no sofá com um suspiro profundo. Acariciei minha barriga em silêncio. Sentia a energia da pequena vida crescendo dentro de mim, e isso me trazia um conforto estranho... e um medo silencioso.

O que te atormenta tanto, Alina? — ouvi a voz suave e familiar de Eris dentro de mim.

Sorri com ironia.

— Eris... olha só, conversando sem um apocalipse no fundo. Que privilégio. — Brinquei. — Não sei... talvez os hormônios, talvez a guerra que se aproxima, talvez o fato de que amanhã tudo muda.

O mundo espiritual está atento. Há uma comoção nas linhas energéticas. A Deusa não nos abandonará. Mas seus medos são válidos.

— O que me desespera é ter que renunciar meu lado alfa... é como se uma parte minha fosse morrer. E eu não sei o que nasce no lugar.

Eris silenciou. E, naquele silêncio, eu senti um calafrio.

Batidas na porta me salvaram do mergulho nos pensamentos. Abri, e lá estavam eles: Theo, Leo e Hugo.

— Viemos te visitar, nanica. — Theo disse, rindo.

— Senti falta da nossa comandante barraqueira. — Leo completou, e Hugo apenas ergueu as sobrancelhas, debochado como sempre.

Nos sentamos todos na sala, como nos velhos tempos. Sem formalidades, sem protocolos. Só nós quatro.

— Tudo mudou, né? — Murmurei. — Me tornei Luna Suprema, estou grávida... talvez amanhã eu me torne alguém que nem reconheço mais.

— Eu ainda não consigo te imaginar como uma "Luna delicada". — Hugo riu.

— Ei! — Revirei os olhos.

— Alina, tu nunca foi delicada! Lembra do Fernando, filho de conselheiro? Você deu uma surra nele porque ele te chamou de "docinha". O moleque ficou duas semanas internado. — Leo gargalhava.

— Vocês que me fizeram assim! — Apontei o dedo para eles. — Lembram da primeira missão da equipe Nuran? Eu pedi pra vocês levarem as lobas resgatadas e voltarem pra me ajudar a limpar a bagunça... e vocês foram...

— ...pra um puteiro comemorar e esquecemos você. — Theo completou, chorando de rir.

— Seus canalhas! Eu tive que limpar tudo sozinha! — Todos rimos alto — Vocês quase estragaram metade das missões com os surtos de "cachorro louco".

— Mas era divertido... — Leo sorriu. — Sinto falta até das suas broncas.

— A melhor foi quando o Hugo roubou tuas roupas na cachoeira! — Theo disse, batendo na perna.

— Ah, não! — Gargalhei. — Eu tive que usar um saco de milho como vestido no meio da missão!

— Eu fiquei cinco dias escondido no galpão com medo de morrer. Mas valeu a pena. — Hugo assumiu com orgulho.

— Idiota. — Disse, rindo e com os olhos marejados — Vocês são minha família. Tenho medo de que isso mude. Que a Luna Suprema me afaste de vocês... que eu deixe de ser eu.

Leo segurou minha mão.

— Você vai ser sempre a nossa Alina. Nossa líder. Nossa irmã. Nada pode mudar isso. Nem mesmo a porra de uma coroa espiritual.

— Eu amo vocês, seus idiotas. — Murmurei entre lágrimas. Os três me cercaram num abraço apertado.

— Se o Darius visse a gente assim, ele castrava nós três. — Leo disse, rindo entre os dentes.

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