40º (Reescrito)

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Alina Narrando 

Voltamos para a casa de Rebeca e ela estava perdida em pensamentos quando ouvimos um alvoroço na porta

— REBECAAAAA!

As vozes de Luna e Branca ecoaram pela casa como trovões em plena primavera, acompanhadas do som de passos apressados. As duas praticamente se jogaram em cima de Rebeca, uma como vendaval, outra como tsunami. Rebeca arquejou e soltou um riso cansado, tropeçando para trás com o impacto.

— Você ficou desaparecida, sua louca! — Luna esbravejou, com os olhos marejados, mas o tom firme.

— A gente achou que tinha virado purpurina mágica no ar! — Branca completou, dramática, e estendeu os dedos na frente da cara de Rebeca. — Quantos dedos eu tô mostrando? Hein? Tá tonta? Tá com amnésia? Você lembra o nome do seu primeiro crush? Foi um humano? Um vampiro?

Rebeca arqueou uma sobrancelha e olhou para mim, buscando socorro. Eu não aguentei. O riso escapou como um vendaval de dentro do peito, contagiante, e logo Rebeca também se rendia à gargalhada.

— Meninas... vocês esqueceram da parte mais importante. — Disse, entre uma risada e outra, segurando a barriga. Elas pararam, curiosas.

— Rebeca e o patriarca vampiro têm um laço de alma. — Revelei, tentando parecer séria. Laço de alma. A-M-A-L-D-I-Ç-O-A-D-O.

— O QUÊÊÊÊÊÊÊÊ?! — as duas gritaram juntas, como se o teto fosse desabar. Branca caiu sentada no chão, olhando para Rebeca como se ela tivesse dito que casaria com um zumbi.

— Aí socorro, tô com falta de ar. — Sentei na cadeira, rindo até as lágrimas escaparem.

— Por Nix, parem de fazer perguntas. Eu ainda tô tentando entender se isso é real ou um surto coletivo. — Rebeca disse, indo até a cozinha como quem fugia de uma multidão de paparazzi.

Antes que pudéssemos respirar, batidas firmes ecoaram pela porta. O cheiro inconfundível dos nossos companheiros preencheu o ar.

— Viemos buscar nossas companheiras. — Theo disse, com aquele sorriso torto que só ele conseguia fazer parecer inocente e safado ao mesmo tempo.

— Mas a gente acabou de chega— Branca começou a reclamar, mas tapei sua boca com a mão.

— Fica quieta, mula manca. Não tá vendo o pedestal que eles tão montando? Vambora. — Luna respondeu, já empurrando Branca pela cintura, que bufava.

Passei por Montmare com um sorriso maroto e coloquei a mão em seu ombro.

— Boa sorte, mordidinho. — Sussurrei, e ele apenas assentiu com o olhar sombrio e carregado de promessas não ditas.

Darius me envolveu num abraço forte, protetor, e deixou um beijo suave em minha testa.

— Minha luz. — ele murmurou.

Seguimos os três casais em direção à sede da alcatéia, onde logo as conversas e piadas tomaram conta.

— Como eu queria ser um mosquito pra ouvir tudo o que Rebeca e Montmare vão conversar. — Branca disse, se jogando na poltrona como uma atriz dramática.

— Você é fofoqueira, não um mosquito. — Theo rebateu e ela lhe mostrou o dedo do meio, teatralmente.

— Continua, Theodore Ferraz, que hoje você vai dormir com os fantasmas no sofá.

Theo empalideceu como um defunto recém-acordado e se jogou em cima dela, abraçando-a.

— Ah, meu anjo, razão da minha existência lupina, não faça isso comigo! — disse num tom de tragédia grega que fez todos rirem.

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