Darius narrando
Alina caiu nos meus braços, seu corpo leve e relaxado. A respiração, calma, quase sonolenta.
— Senhor — Giatros apareceu ao meu lado — ela ficou exausta depois de usar tanto poder.
O curandeiro continuou, a voz firme, explicando que eu fora o catalisador para o poder de Luna, que a ajuda da Deusa fora canalizada através de mim para curar os professores.
Observei os professores, muitos já fora de perigo, o alívio estampado em seus rostos.
— Obrigado, Supremo. Obrigado, Luna — uma mulher murmurou, os olhos cheios de gratidão — Não tínhamos esperança de nos recuperar.
Assenti em silêncio, carregando Alina até uma maca. Ela dormia profundamente.
— Será que não devo me preocupar? — perguntei, uma ponta de medo na voz.
— Ela está recuperando as forças — Giatros respondeu — Daqui a pouco ela acordará. Mas eu vou monitorá-la para que não haja complicações.
Assenti, sentindo um misto de alívio e apreensão.
Saí do quarto e encontrei Pietro e Castro na recepção.
— Supremo — disseram, ansiosos.
— Ela está bem. Apenas usou muito poder — respondi, tentando transmitir confiança — Em breve estará melhor.
Eles relaxaram, os ombros baixando um pouco da tensão.
— Tenho que voltar à sede — disse, já sentindo o peso das responsabilidades — Preciso conversar com Lord Montmare.
Deixei-os vigiando Alina, pedindo que me ligassem assim que ela acordasse.
Cheguei à sede e me dirigi diretamente ao meu escritório. Não demorou até que o vampiro aparecesse, e nos sentamos frente a frente, prontos para a conversa inevitável.
— Diga, Montmare. O que deseja me contar? — perguntei, tentando esconder o desdém que sentia por ele, apesar de sua utilidade para Alina.
Ele sorriu com aquele ar de mistério que sempre me irritava.
— O assunto deve ser tratado com a Luna presente, mas como ela não está aqui, aproveito para esclarecer algumas coisas — ajeitou-se na cadeira, começando a contar sua história.
— Quando conheci Alina, senti um calor intenso vindo de seu lado bestial. Ela é descendente dos Light Umeris — explicou — Umeris foi o protetor do mundo na Grande Guerra Santa. Seu poder era frio e gélido, capaz de subjugar qualquer inimigo com sua inteligência. Seu irmão, Tifos, controlava o fogo, era ardente e dominador. Durante a guerra, Umeris enfrentava o Grande Mal, mas Tifos interferiu e foi gravemente ferido. Umeris não suportou ver o irmão morrer e se sacrificou: congelou o Grande Mal e usou seu corpo como escudo, permitindo que Tifos o destruísse. Por essa perda, Tifos prometeu aos céus acabar com o Grande Mal, caso ele retornasse.
Parei, absorvendo tudo.
— Nunca ouvi essa versão — comentei — Umeris era irmão do primeiro Alfa Supremo?
— Sim — confirmou Montmare — Ambos eram filhos da deusa Nyx, responsáveis por acabar com a guerra. Umeris se tornou a barreira do mal, e Tifos o primeiro Trans Morpho, o Supremo de todas as raças. Tifos teve dois filhos: Willai e Viti. Willai herdou o poder do pai para se transformar, e Viti, a inteligência e força sobre-humana. Eles se tornaram os patriarcas dos vampiros e dos lycans. Por ter essa linhagem próxima do cosmos e da barreira, Alina já carregava um grande poder, podendo ser considerada a reencarnação de Willai.
Analisei a história por um momento, impressionado.
— Mas... e esse frio que você sentiu? — perguntei.
— É a conexão com a Deusa. Minha mãe era descendente direta de Viti. Minha verdadeira identidade foi escondida; todos me conhecem como Don Montmare, mas meu nome real é Dominic Montmare Garos. Sou a reencarnação de Viti. Minha mãe sabia e disse que, ao encontrar a reencarnação de Willai, ambos sentiríamos o poder dos nossos ancestrais — disse ele, sério — Há uma criatura tentando controlar o Grande Mal, e quando ela conseguir, nosso mundo estará condenado.
Fiquei em silêncio, o peso das palavras esmagando minha alma.
— Então quer dizer que vocês são irmãos de alma? — perguntei, a voz carregada de surpresa e uma pitada de incredulidade. Aquela ligação invisível que sentia entre eles sempre me intrigou, mas ouvir de alguém era outra coisa.
Montmare suspirou, os olhos brilhando com uma intensidade quase dolorosa.
— Podemos dizer que sim. Alina e eu... temos uma conexão profunda, daquelas que não se explicam facilmente. Não sei o nome exato disso, mas sei que é algo ancestral. Um elo que vai muito além da simples fraternidade. E agora, mais do que nunca, sinto que meu dever é protegê-la. Porque o grande mal, o antigo, já está caçando-a. Se conseguir acabar com Alina, ele renascerá das sombras e nada poderá deter seu avanço.
Um arrepio gélido percorreu minha espinha, como se o próprio vento carregasse a ameaça que ele descrevia. A sensação era sufocante.
Então senti a voz urgente de Anonatos, ecoando diretamente em minha mente, rápida e imperativa:
— Darius, nossa Luna está em perigo. A guerra santa não é só uma ameaça distante, ela pode custar a vida de Alina. Não podemos esperar.
Meu coração disparou, e eu me levantei com uma determinação que parecia queimar minhas veias. Fiquei de frente para Montmare, com os olhos fixos nos seus.
— Não nos conhecemos direito, e — admiti, com uma pontada de ironia — nossas raças normalmente evitam se misturar. Mas isso vai mudar. E não só isso. Vou salvar Alina, e impedir que ela morra. Traga suas tropas, Montmare. Preparem-se. A guerra não vai esperar.
Ele assentiu com um sorriso que misturava respeito e esperança.
Saímos dali e rumamos para a sede dos guerreiros. Reuni os capitães de ronda, convocando uma reunião urgente. Em menos de vinte minutos, o auditório estava lotado de lobos atentos, seus olhos brilhando com a luz da lua que começava a nascer.
— Irmãos — comecei, com a voz firme e carregada de autoridade —, enfrentamos problemas que remontam ao alvorecer dos tempos. Vocês sentem isso no ar, na terra, em cada batida de seus corações. A guerra santa se aproxima, e não há espaço para rivalidades estúpidas. O Lord Montmare, da primeira família dos vampiros, quer uma trégua, uma aliança que traga paz. Ele nos pediu ajuda. Alina confia nele, e eu também. Por isso, darei meu voto de confiança.
Um murmúrio nervoso percorreu o salão, rostos se voltando uns para os outros em cochichos. Eu ergui a mão para silenciar.
— Em poucos dias, vampiros aliados chegarão a Uktena. Quero que mantenham a disciplina. Se notarem algo estranho, reportem imediatamente aos betas. Estão dispensados.
Enquanto todos se dispersavam, eu voltei para o escritório, sentindo o peso da responsabilidade se assentar ainda mais firme em meus ombros.
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Suprema
WerewolfUma mulher escolhida pela Deusa como porta-voz de seu mundo, determinada, exigente e perspicaz, seu destino estará banhado de grandes vitórias mas com o peso de seu fardo viverá grandes momentos de desespero, encontrará o amor e aprenderá a lidar c...
