47º (Reescrito)

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Alina Narrando

Desde aquele caos na alcateia, percebo que uma sombra paira sobre mim. Muitos lycas não escondem o descontentamento com minhas atitudes — ou melhor, com minha insistência em lutar, mesmo grávida. Sinto o peso do olhar deles, as conversas em tom de dúvida, e até a desconfiança silenciosa. Mas infelizmente não posso simplesmente desligar o que há de alfa em mim. É parte da minha essência. Sou líder. Sou alfa. E grávida ou não, essa parte não se cala.

— Prometa pra mim que vai se preservar, que vai ficar nos abrigos e não na linha de frente - insiste Darius, a voz carregada de preocupação. Seus olhos não me deixam mentir.

Fico em silêncio. Sei que ele tem razão — a gravidez de uma Luna Suprema é uma dádiva e uma ameaça ao mesmo tempo. Eu já sinto, mesmo sem sintomas, que meu corpo está mudando, que meu lado alfa está se rebelando. Uma menininha que vai nascer para continuar nossa linhagem — e a responsabilidade me pesa nos ombros.

— Desculpa, Darius — digo baixinho, mordendo o lábio.

Ele franze a sobrancelha, curioso.

— Por que pede perdão?

Me viro para encará-lo, a voz trêmula de sinceridade.

— Sinto que estou incomodando vocês. Que sou uma bomba-relógio ambulante. E não consigo controlar esse meu lado alfa que quer sair pra batalha, mesmo sabendo do risco.

Ele se aproxima, segura minhas mãos com firmeza.

— Alina, você ainda não está totalmente conectada com seu lado luna, por isso essa inquietação. Na próxima Lua Cheia faremos o ritual de união — e então, você vai encontrar equilíbrio. Não será mais uma luta contra si mesma.

Sorrio, a esperança brotando como um fogo suave no peito. Ele sabe me tranquilizar melhor que ninguém.

Darius Narrando

Cada dia que passa, me pego pensando se estou agindo certo, se estou protegendo o que preciso proteger. Alina, minha Alfa, minha Lua, está ferida por dentro — não só pela gravidez, mas por esse conflito constante entre a fúria e o cuidado, entre a líder feroz e a mulher grávida. Sei que controlar nosso lado alfa não é fácil. Ela tem me mostrado sua força, sua determinação... e também sua fragilidade.

Preciso apressar o ritual de união, para que ela não tenha mais que carregar esse peso sozinha.

Quando chego em casa, ela já desapareceu para o banho. Vejo o vapor subir do banheiro e meu coração aperta. As notícias que recebi pelo celular não são nada boas. Pietro me alertou sobre as rotas dos transformados, a prisão em alerta máximo. Relatos de quimeras — uma palavra que faz meu sangue ferver de preocupação.

Suspiro, saio para a sede.

— Supremo — reverenciam todos assim que entro.

— Estamos enfrentando problemas sérios na prisão. Criaturas da escuridão têm aparecido com mais frequência. Hoje, somando ao ataque, tivemos relatos de três novas quimeras pelo continente. Outros seres sombrios também foram avistados — Castro me entrega os documentos, enquanto eu me preparo para absorver a gravidade da situação.

— Castro, marque para a próxima Lua Cheia o ritual de união. Alina está sofrendo demais com seu lado alfa — ordeno, firme.

Ele assente e sai da sala. Sento-me sozinho, refletindo sobre a batalha que está por vir.

Logo, meus betas chegam com relatórios fresquinhos, prontos para ação. Não sairei da sede tão cedo.

Alina Narrando

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