Capítulo 8º - Instintos em Guerra: Antes da Lua de Sangue
Narrativa de Darius
Meu lobo rugia em antecipação. Algo no ar havia mudado — talvez fosse o cheiro da adrenalina, talvez fosse o olhar da minha fêmea, desafiador como o de uma tempestade prestes a desabar. Fiquei em posição de defesa no exato momento em que Alina levantou o braço. Assim que ela o abaixou, os tambores rufaram e o mundo pareceu silenciar ao nosso redor. Apenas nós dois existíamos ali.
Começamos a rondar um ao outro como dois predadores sedentos — não por sangue, mas por algo mais profundo, mais primal. E então, eu soltei com ironia:
— Vai ficar só me admirando ou vai me atacar, flor selvagem?
Num piscar de olhos, ela desapareceu da minha frente e apareceu ao meu lado, como uma sombra ágil demais para o olho humano.
— Está lento, Supremo — sussurrou com um deboche afiado, antes que um chute quase quebrasse minha costela. Se eu não tivesse os sentidos apurados, teria ido ao chão feito um novato.
Começamos a trocar golpes. Eu tentava acertá-la, mas Alina era rápida. Seus movimentos tinham uma leveza quase dançante, e o sorriso nos lábios era uma provocação tão hipnótica quanto perigosa. Ela se movia como se aquele campo de batalha fosse uma extensão do seu corpo.
— Agora sim... — murmurei, sentindo meu próprio entusiasmo crescer. Soltei parte da força que sempre me obriguei a conter. Era impossível não reagir ao chamado da loba que lutava com tanta entrega.
Alina retribuiu. A força dela se igualava à minha. A velocidade, o controle, o ímpeto... era um empate digno de lendas. Numa abertura rápida, consegui agarrá-la e lançá-la para trás com força. Seu corpo voou como um raio e caiu a cinco metros de mim. Ela caiu de joelhos, a mão pressionando o estômago.
— Alina! — dei um passo, preocupado. Aquilo tinha sido demais?
Mas antes que eu pudesse continuar, ela se ergueu, sorrindo com um brilho insano nos olhos. Não... não era um brilho qualquer. Seus olhos estavam turquesa. Os olhos de uma Luna Suprema. Meu lobo gritou dentro de mim, selvagem e encantado.
— Vamos brincar de verdade agora, Supremo — ela ronronou, antes de fechar os olhos. Seu corpo começou a se contorcer, os ossos estalando, a transformação acontecendo com uma fluidez que só os puros conheciam. Quando abriu os olhos novamente, era uma loba completamente branca — não havia mais manchas negras. Ela havia aceitado seu destino.
— Ela é... linda — meu lobo arfava, extasiado.
— Eu poderia me acostumar com essa visão — murmurei, entregando parte do controle. Meu lobo avançou, e um rosnado feroz explodiu da minha garganta. Vários novatos se encolheram, sentindo a minha dominância transbordar como um trovão.
Alina e eu nos lançamos um contra o outro. Tentávamos morder, provocar, dominar. Rolávamos pela arena, nossos corpos colidindo, ossos batendo contra ossos, pelos sujos de terra. Havia eletricidade entre nós. Choque. Química. Instinto.
Ela me feriu, mas eu a joguei para o alto com as patas traseiras. Ela caiu de forma desajeitada, mas não se deu por vencida. Voltou com fúria, me fazendo recuar até que finalmente consegui dominá-la no chão. Sua loba ainda lutava, selvagem e orgulhosa, mas estávamos exaustos, ofegantes, trêmulos. Não havia mais necessidade de lutar. O laço já estava selado em cada investida.
Me afastei e voltei à forma humana, o corpo suado, o peito arfando. Alina me seguiu, tão magnífica quanto perigosa.
A arena explodiu em aplausos, assobios e gritos. A energia era quase intoxicante.
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Suprema
WerewolfUma mulher escolhida pela Deusa como porta-voz de seu mundo, determinada, exigente e perspicaz, seu destino estará banhado de grandes vitórias mas com o peso de seu fardo viverá grandes momentos de desespero, encontrará o amor e aprenderá a lidar c...
