Alina narrando
Acordei com o som de um caos coordenado — uma sinfonia de choro duplo que ecoava pelo quarto como um ritual de invocação.
Filipa e Dante. Nossos gêmeos. Nossos pequenos demônios celestiais.
Darius tentava, de forma desesperada porém determinada, segurar os dois ao mesmo tempo. Um em cada braço. O problema? Ambos tinham decidido competir por quem chorava mais alto e com mais fúria.
— Pelo amor da Lua, alguém me diga onde está o botão de desligar! — ele exclamou, o cabelo despenteado, a barba por fazer e olheiras fundas de um lobo que já enfrentou guerras... mas nunca dois bebês com cólicas ao mesmo tempo.
— Eles são seus filhos — murmurei, deitada na cama, com um sorriso irônico no rosto. — Tem o seu pulmão e o meu temperamento. Um combo explosivo.
— E o seu sarcasmo, sem dúvida. — Darius resmungou, tentando embalar Filipa enquanto Dante fazia cara de indignado por não ser o centro das atenções. — Esses dois vão acabar comigo. Literalmente.
— Bem-vindo à paternidade, Supremo Alfa. Agora você conhece o verdadeiro campo de batalha.
Ele me lançou um olhar misto de deboche e desespero. Estava usando a camiseta mais ridícula da alcateia — uma azul-marinho com os dizeres "Alfa Babão em Treinamento" e um desenho de lobo com fraldas.
Quem dera eu tivesse energia para rir em voz alta.
— Quer trocar? — ele perguntou, quase suplicante. — Eu fico deitado com os pontos, e você lida com os dois lobinhos selvagens.
— Darius... eu empurrei duas criaturas pelo meu canal lunar depois de horas de trabalho de parto. E ainda estou sangrando em lugares que você nem sabia que podiam sangrar. Tenta de novo.
— Justo. — Ele suspirou e se sentou na beirada da cama com os dois no colo, ainda lutando para entender como a manta enrola direito.
Filipa parou de chorar primeiro, provavelmente porque percebeu que o pai era um desastre encantador. Já Dante fez questão de lançar um grunhido e soltar um sonoro pum.
— Isso foi você ou ele? — perguntei, segurando o riso.
— Se fosse eu, eu negaria até a morte. Mas vindo dele, esse é o primeiro de muitos. Um verdadeiro Valentim.
— Você está indo muito bem, sabia? — disse suavemente, tocando sua mão. — Mesmo todo atrapalhado. Eles sabem que estão seguros com você.
Darius me olhou, os olhos dourados transbordando emoção crua, e se inclinou para me beijar na testa.
— Eu os amo. Tanto que chega a doer. E você... você é minha deusa. A mãe da minha alcateia.
Sorri, sentindo uma onda de calor e amor me atravessar. Mas a paz durou pouco.
A porta foi arrombada. Literalmente.
Branca entrou com uma bandeja de frutas, seguida por Luna, tia Lídia, vó Caetana e... um rebanho de matronas da alcateia, cada uma carregando um presente, uma teoria de criação ou um saco de ervas mágicas.
— Ah, os pequenos estão acordados! — disse vó Caetana, correndo para segurar Dante como se ele fosse uma bola de algodão. — Esse menino vai ser alfa, anote minhas palavras!
— E essa menina... — disse tia Maia, pegando Filipa com a desenvoltura de quem já cuidou de uma dúzia de netos — ...vai quebrar corações e espinhas, igualzinho à mãe.
— Elas chegaram — sussurrei para Darius, me divertindo com seu olhar apavorado.
— A horda ancestral. Temo mais por elas do que pelos sete príncipes do Inferno.
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Suprema
Hombres LoboUma mulher escolhida pela Deusa como porta-voz de seu mundo, determinada, exigente e perspicaz, seu destino estará banhado de grandes vitórias mas com o peso de seu fardo viverá grandes momentos de desespero, encontrará o amor e aprenderá a lidar c...
