20 º (Reescrito)

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Alina Narrando 

Estávamos nos encarando — nossos lobos à flor da pele, como feras indomáveis prestes a explodir. Eris tinha a raiva estampada em cada linha do rosto, os olhos brilhando em fogo e fúria. Anonatos rosnava baixo, tentando impor sua dominância, mas seu esforço só deixava claro o quanto ele estava à beira do descontrole.

Eu, por outro lado, sentia minhas emoções fervendo, mas não me afetavam como deveriam. Eris tinha a mesma quantidade de força, de vontade. Por dentro, um turbilhão me consumia: eu não queria machucá-lo. Apesar de tudo, ainda sentia um resquício de amor por aquele cretino. Confusa, perdida entre a raiva e o afeto, tentava manter o controle.

E então, em um instante que parecia suspenso no tempo, ele atacou. Mordeu minha pata com força. Um uivo de dor escapou dos meus lábios, e meus olhos arderam como se estivessem em chamas — uma queimação que parecia invadir minha alma. Eu não podia acreditar: ele me mordeu.

Não perdi tempo. Parti pra cima dele com tudo, e logo estávamos rolando no chão, nossos rosnados se misturando num rugido ensurdecedor que ecoava pela floresta. Eu estava enlouquecida, um furacão de emoções. Não queria machucá-lo, mas também não podia perder.

Usei toda minha velocidade, me lançando em direção à floresta densa. Eris era ágil, sabia escalar mesmo em forma lupina. Comecei a despistá-lo entre os galhos retorcidos, deslizando entre as sombras. Corri para trás, me posicionando para um contra-ataque. Quando ele menos esperava, consegui atingi-lo, lançando-o longe.

Mas ele não desistiu: uma dentada certeira raspou meu pescoço, fazendo o sangue ferver dentro de mim. A dor só inflamava minha raiva. Soltei um rosnado alto, selvagem, e com uma pata firme desferi um golpe direto em Darius. Ele vacilou, deixou o pescoço exposto — e eu não perdi a chance. Mordi, mas não fundo demais; apenas o suficiente para deixá-lo inconsciente.

Silêncio. A floresta parecia prender a respiração. Eu tinha derrotado o Supremo.

Os olhos de todos se voltaram para mim, estáticos, como se não acreditassem no que viam.

— Agora eu sou a mais forte — minha voz saiu firme, cheia de determinação. — Sou a Luna Suprema. Exijo respeito e lealdade, mas em troca, darei segurança, um lar, um lugar de paz para todos nós. — Afastei-me lentamente de Darius, sentindo cada olhar fixo em mim.

Kennedy me encarava, o choque estampado no rosto. — Você viu isso, senhor Kennedy? Essa é a capacidade da equipe Nuran. — Minha irritação ainda queimava nas palavras enquanto eu caminhava.

Foi então que senti um formigamento sutil nas costas. Me aproximei de um vitral perto dali e olhei para o reflexo, onde um pequeno símbolo da minha alcateia — o do guerreiro — parecia brilhar com uma luz própria. Minha loba interior se alegrava, mas também se enchia de insegurança.

Derrotamos o Supremo alfa. Eu sou mais forte que ele. Isso mudava tudo.

Cheguei ao hotel. A notícia já havia se espalhado, e todos me reverenciavam como se eu fosse o próprio sol que iluminava a alcateia. Suspirei, cansada e tensa, e subi correndo para o quarto.

— Preciso falar com os betas — disse, pegando o celular e discando o número de Pietro.

A ligação atendeu rápido.

— Luna, o que houve? — Pietro perguntou, a voz carregada de preocupação.

— Preciso de uma reunião com os betas. Derrotei Darius, e é urgente resolver isso antes que alguém comece a bagunça.

— Pensei exatamente isso. Levamos o Supremo para a área hospitalar. Pelo jeito, não acordará hoje. Sua mordida foi pesada, mas não mortal. Calculou bem, Suprema. Vou reservar a área B da sede para uma reunião às oito da noite.

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