Darius narrando
A manhã amanheceu com um calor agradável. O céu estava limpo e dourado, e Alina irradiava uma animação que não conseguia conter — nem mesmo tentava. Seus olhos brilhavam como duas estrelas ansiosas enquanto terminava de ajeitar os últimos detalhes em sua mala, mesmo eu já tendo dito que tudo seria providenciado no castelo de Montmare. Mas, como sempre, ela precisava levar "seus próprios chás, seus óleos e suas roupas preferidas". Deixei-a no quarto e fui até a varanda.
Lobos de escolta nos aguardavam. O transporte já estava preparado — um carro preto blindado com os brasões reais da Alcatéia e da Corte Vampírica — marcando não só uma viagem, mas uma aliança recém-solidificada por sangue, guerra e irmandade. Quando Alina desceu, com um vestido esvoaçante verde-escuro que deixava sua barriga visível e irradiava seu poder, todos os guerreiros baixaram os olhos em respeito. Ela era a nossa Luna. E não havia como ignorar isso.
A viagem durou poucas horas. Durante o trajeto, Alina não parou de falar.
— Você acha que ela já sente enjoo? Rebeca odiava chá de camomila, será que agora ela aceita? E se for uma menina? Ai, Darius, imagina as duas brincando juntas? Ou os dois! E se forem gêmeos? Você acha que Montmare aguenta?
— Amor — murmurei com um sorriso preguiçoso, mantendo uma das mãos sobre a dela —, você está mais nervosa do que quando enfrentamos os lobos traidores da Fronteira Sul.
— Não é nervoso, é empolgação! — rebateu, rindo. — Faz quanto tempo que não vejo minha melhor amiga? Desde o anúncio da gravidez! Ela vai surtar quando ver o tamanho da minha barriga. Aposto que vai me chamar de "bexiga de Lua".
— E você vai rir como se fosse a primeira vez — brinquei, e ela deu uma cotovelada de leve no meu peito.
Chegamos ao portão principal do reino de Montmare pouco antes do entardecer. Guardas se apressaram em abrir passagem, e o aroma do lugar — uma mescla de terra úmida, sangue ancestral e flores silvestres noturnas — trouxe uma sensação de respeito antigo e poder consolidado. O castelo gótico ergueu-se à nossa frente como um marco eterno da linhagem vampírica.
Rebeca e Montmare nos esperavam nos degraus da entrada principal. Ela usava um vestido vermelho carmesim justo, com uma tiara discreta em tons de rubi. O rosto dela parecia mais suave, mais iluminado. E ao vê-la, Alina soltou um grito agudo que fez até os morcegos se agitarem nas torres.
— PELA LUA! VOCÊ ESTÁ LINDA E GRÁVIDA! — Alina correu para ela, esquecendo toda a compostura de Luna, e a abraçou apertado.
Rebeca gargalhou, com a voz rouca e elegante de sempre.
— Olha quem fala! Você está uma deusa da fertilidade! Sua barriga está enorme! Está esperando uma alcatéia inteira?
— Quase isso — Alina respondeu rindo, segurando o rosto da amiga com as duas mãos. — Você está bem? Está comendo direito? E o enjoo? Precisa de chá?
— Preciso de você, sua loba insuportável. — Rebeca respondeu com um sorriso emocionado. — Senti tanto sua falta...
Montmare pigarreou, se aproximando de mim com um sorriso discreto. Apertou minha mão com firmeza.
— Seja bem-vindo, irmão. — disse. — Sua presença aqui é mais do que honra, é alívio. Ela estava me enlouquecendo de ansiedade.
— Imagino. — sorri. — Alina parecia uma loba em cio presa em uma cabana. Falou tanto que quase saltou do carro no caminho.
— Isso é amor. Ou loucura. — Montmare comentou com ironia, e nós dois rimos.
As mulheres, de mãos dadas, nos arrastaram para dentro do castelo. Os corredores estavam decorados com flores lunares e candelabros de sangue vivo, uma mistura de delicadeza e poder que só Rebeca sabia fazer. Servos vampiros se curvaram à nossa passagem. Um deles — um jovem de cabelos longos e olhos dourados — ofereceu uma bandeja com taças de cristal.
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Suprema
WerewolfUma mulher escolhida pela Deusa como porta-voz de seu mundo, determinada, exigente e perspicaz, seu destino estará banhado de grandes vitórias mas com o peso de seu fardo viverá grandes momentos de desespero, encontrará o amor e aprenderá a lidar c...
