52º (Reescrito)

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Alina Narrando

Os dias seguintes foram dedicados à recuperação de minha mãe. Darius, surpreendentemente, desmarcou todos os seus compromissos mais urgentes para ficar ao meu lado. Ele trazia livros para ler para mim e para minha mãe, ou simplesmente ficava em silêncio, sua presença sólida e reconfortante. Era nesses momentos de calma que eu sentia a profundidade do nosso romance, a paixão silenciosa que nos unia, mais forte do que qualquer palavra.

Minha mãe estava se recuperando rapidamente, sua energia Lycan se restabelecendo a cada dia. Em poucas horas, ela já conseguia se sentar e conversar. Seu semblante envelhecido pela dor dava lugar a um brilho familiar em seus olhos.

-Minha menina- ela me chamou no segundo dia, enquanto Darius estava na sala de espera falando com alguns betas. -Você está tão crescida e tão forte. Ver você lutar por seu povo... me enche de orgulho.

-Eu só queria proteger você, mamãe - eu disse, segurando sua mão. Meus olhos marejaram, e ela me puxou para um abraço apertado.

-Seu pai me contou o que fez com Victor. Ninguém esperava que você fosse capaz de tal demonstração de poder - ela disse, um sorriso de orgulho em seus lábios. - A Deusa realmente te abençoou. E a Filipa.

- Eu não sei o que aconteceu - admiti, uma ponta de dúvida em minha voz. - Foi como se Eris e Vitti se fundissem e algo mais antigo tomasse o controle. Eu só sentia a necessidade de proteger.

-Essa é a essência de uma Suprema Luna, minha querida. Proteger a sua alcateia, a sua família - ela disse, acariciando meu rosto. -Mas lembre-se, esse poder precisa ser controlado. Você é mais forte do que imagina, mas também mais vulnerável agora que carrega uma vida.

Nesse momento, Darius entrou no quarto. 

- As visitas estão permitidas por mais algumas horas - ele anunciou, um sorriso gentil.

- Ah, Darius, meu querido genro - minha mãe disse, e um humor leve pairou no ar. - Venha aqui, sente-se. Não seja tão formal.

Darius sorriu, a inocência em sua expressão era quase infantil quando ele se aproximava da minha mãe. Ele pegou uma cadeira e se sentou ao lado da cama.

- Senhora Anuska, estou feliz em vê-la tão bem - ele disse.

- Senhora Anuska nada, me chame de mãe, querido -  ela o repreendeu carinhosamente, e Darius corou levemente. - E você, meu filho, precisa descansar. Está com olheiras profundas. Cuidar de uma Luna grávida e de uma família extensa não é fácil.- Ela piscou para ele, e Darius e eu rimos. A ironia de uma Lycan ferida, mas cheia de energia, repreendendo o Supremo.

- Eu mal posso esperar pelo ritual -  Anuska continuou, seus olhos brilhando. - Minha neta terá um futuro glorioso, eu sei disso. E você, Alina, será uma rainha magnífica. Uma rainha que unirá dois povos.

Alina Narrando

A noite se estendeu, densa e cheia de angústia, enquanto eu permanecia ao lado da cama de minha mãe. Cada respiração dela, cada murmúrio em seu sono inquieto, era um lembrete vívido da fragilidade da vida, especialmente em tempos de guerra. Meu pai estava voltando o mais rápido possível de sua viagem, e a cada segundo que passava, a tensão aumentava em mim. Os ferimentos de mamãe, embora não mais sangrando, demoravam a cicatrizar, um sinal de que a batalha havia sido mais brutal do que eu imaginava.

- Alina - a voz grave e preocupada de Darius me chamou. Ele estava parado na porta, a expressão de preocupação marcando seu rosto cansado.

- Descanse um pouco - ele pediu, seu olhar me implorando para que eu me rendesse ao cansaço que me consumia.

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