Alina Narrando
"Você é tão linda... tão preciosa... que se você não existisse, o hoje também não existiria pra mim."
Essa frase... essa única frase me desarmou por inteiro. Eu, Alina, filha da Lua, Luna Suprema... me tornei apenas uma fêmea apaixonada pelo seu Alfa. O mundo poderia ruir ali e, ainda assim, eu teria sido completa.
Aproximei-me da janela, onde a lua cheia brilhava imponente no céu. Sussurrei com o coração em chamas:
— Deusa... guia minha alma. Que eu seja digna do destino que traçaste. Que eu não falhe com meu povo.
— Alina? — a voz grave e suave de Darius me puxou de volta à Terra. Ele veio por trás e envolveu minha cintura com os braços. — Está tudo bem?
— Sim, meu amor... Só... agradecendo à lua. E a você.
Ele sorriu e beijou minha testa.
A música começou a tocar outra vez e ele me guiou até o centro do salão.
— Todos estão encantados com você, Alina. — disse, com um orgulho que transbordava.
— Espero que esse encanto dure até o final da noite. — brinquei, com um sorriso travesso.
— Você é minha luz. E a luz nunca apaga. — Ele me girou com leveza, e o salão desapareceu. Só havia nós dois. A dança virou um sussurro dos deuses, e cada toque, um voto silencioso de eternidade.
A guerra viria. O sangue também. Mas, por agora, naquela noite mágica, éramos apenas dois corações batendo no mesmo ritmo.
A música cessou, mas as sensações ainda dançavam sob minha pele.
Depois da dança com Darius, ele se afastou para circular entre os convidados, cumprimentando aliados e trocando palavras formais com rostos velhos demais para o meu gosto. Eu, por outro lado, mantive-me cercada por rostos curiosos e olhares cobiçosos. Era como se todos soubessem que algo grandioso estava prestes a acontecer, como se meu corpo exalasse um tipo de energia que até os menos sensíveis podiam sentir.
A recepção se encerrou com um anúncio cerimonial. Os convidados foram conduzidos até o jardim principal. A lua cheia estava escancarada no céu, colossal, brilhante, arrogante em sua própria glória. Um altar de pedra ancestral, coberto por runas antigas e pétalas prateadas, esperava por mim. Era ali que aconteceria a cerimônia de aceitação, o verdadeiro marco do meu renascimento.
Meus pés tocaram a relva macia e úmida do jardim como se fossem guiados. Meu coração estava acelerado. Meus pulmões recusavam-se a manter um ritmo normal. O ar ao meu redor parecia vibrar.
E lá estava ele.
Darius.
Em pé, imponente, os cabelos negros soltos, os olhos dourados fixos nos meus com uma doçura que me desmontava inteira.
— Estou aqui com você, minha Luna. Sempre estarei — ele sussurrou, mas quando seus olhos brilharam em tonalidades azul-escuro, soube que quem falava agora era Anonatos. Seu lobo. Firme, sereno, um guardião em forma de fera.
Sorri. Para acalmá-lo, para acalmar a mim mesma. Não queria que ele temesse por mim.
Me ajoelhei diante do altar, sentindo o frescor das pedras contra meus joelhos. Ergui o rosto em direção à lua e, naquele momento, tudo ao redor desapareceu. O tempo desacelerou. Uma vibração ascendente tomou conta do meu corpo, e em segundos... perdi o controle. Ou melhor, Eris o assumiu.
Uma dor ardente percorreu minhas veias. Meus olhos arderam. Senti a pele formigar, a essência da minha alma se expandindo como uma onda selvagem. Eris estava em mim, viva, dominante. Meu corpo era o dela por agora.
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Suprema
WerewolfUma mulher escolhida pela Deusa como porta-voz de seu mundo, determinada, exigente e perspicaz, seu destino estará banhado de grandes vitórias mas com o peso de seu fardo viverá grandes momentos de desespero, encontrará o amor e aprenderá a lidar c...
