Alina Narrando
As árvores passavam como borrões enquanto eu corria, o coração martelando como um tambor de guerra dentro do peito. A lua de sangue queimava no céu feito uma sentinela cruel, e minha loba, selvagem e desesperada, só queria uma coisa — Darius.
Mas o cheiro de outros lobos invadiu o ar segundos antes do impacto. Uma pancada brutal me jogou ao chão com um grunhido rouco. Quando ergui o olhar, estava cercada. O círculo era apertado, os olhos dos machos brilhando com luxúria e selvageria. Eram desgarrados — sem matilha, sem honra. Apenas predadores famintos. E eu... era o prêmio.
Minha loba rosnou dentro de mim, recuando. Ela não os queria. Precisava dele. Do cheiro dele. Do toque dele. Do vínculo. Não desses... cães enlouquecidos.
Lutei. Garras, dentes, instinto. Cada investida era mais feroz que a anterior, mas minha força começava a esvair. Estava cansada. Confusa. O cio me deixava desnorteada, e a dor que pulsava em minhas patas era um lembrete cruel da minha fragilidade. Eu precisava fugir.
Corri. Tentei. Mas eles me seguiam como sombras sedentas. Até que um lobo negro, maior e mais agressivo que os outros, me alcançou. Um rosnado profundo precedeu o momento em que ele me lançou ao chão, e minha loba quebrou de vez. Ela chorava por dentro, chamando... por Darius.
Voltei à forma humana no mesmo instante que ele fez o mesmo. O mundo girava, mas aquele sorriso psicótico dele cortava minha sanidade como uma lâmina.
— Que delícia... — murmurou, os olhos cravados em mim. — A Luna Suprema... minha fêmea.
Arrepios gelados me tomaram dos pés à cabeça.
— Fica longe de mim... — rastejei, tentando me afastar, mas minhas pernas não obedeciam. — Darius... DARIUS!
— Cale essa boca! — Um tapa violento estalou no meu rosto. — Nunca mais ouse pronunciar o nome de outro macho, sua vagabunda! Você é minha agora. Só minha!
Eu chorava. Não conseguia reagir. A dor, o medo, o desespero... estavam me afogando. Então uivos surgiram, brutais e ferozes. Outros lobos saltaram entre nós, e uma batalha se iniciou. Corpos voavam. Sangue jorrava. Eu tentei escapar, mas fui arremessada contra uma árvore e perdi o ar dos pulmões.
— Não! Ela é minha! — Um lobo cinzento avançou, rosnando com fúria.
Eu só conseguia me encolher, o som de ossos quebrando e carne rasgando ecoava em meus ouvidos. Foi então que vi. Ele caminhava com passos lentos e dominadores, os olhos vermelhos como brasas acesas no escuro. Trazia a cabeça de um dos inimigos presa entre os dentes. Era o lobo negro.
— Não... — sussurrei, tremendo. — Por favor...
Ele se aproximou e roçou o focinho em minha bochecha, aspirando meu cheiro.
— Eu não vou te machucar... — sua voz era baixa e sedosa. — Apenas obedeça, minha luna... e você terá a noite mais inesquecível da sua vida.
— Não... eu... — tentei resistir, mas seu toque era nojento, repulsivo. Tentei sair, me debati, mas ele era mais forte. Outro soco. Meu corpo caiu no chão com força. Senti o gosto de sangue na boca.
Ele veio por cima.
Fechei os olhos.
Esperei o fim.
Mas o impacto não veio.
Quando os abri, vi o inferno personificado.
Darius.
Seu lobo negro despedaçou o inimigo como se fosse um brinquedo. Em segundos, o campo de batalha estava silencioso.
— Darius... — sussurrei. Meu corpo inteiro latejava. De medo. De dor. E de um desejo avassalador que explodia contra minha vontade.
Seu lobo lambeu meu rosto, minhas feridas, até que me senti... viva. Ele voltou à forma humana, o peito arfando, os olhos brilhando com raiva e alívio.
— Vamos, minha luna. Levarei você para onde ninguém poderá tocá-la — disse ele, a voz baixa e carregada de promessas.
Seu toque era frio, firme, possessivo. Mas pela primeira vez naquela noite... senti segurança. Eu não disse nada. Não conseguia. Fui apenas acolhida por seus braços enquanto ele me levava como se eu fosse a coisa mais preciosa do mundo.
— Darius... — tentei dizer algo, qualquer coisa, mas ele me interrompeu.
— Você é minha, Alina. E essa noite... eu vou te fazer esquecer o nome de qualquer outro ser. Nem mesmo o tempo vai apagar o que vamos fazer juntos.
Seu olhar era escuro. Feroz. Quase indecente. A tensão entre nós era palpável. Seu membro pressionava minha coxa e meu corpo reagia com selvageria.
— Se controle, Alina... — rosnou em meu ouvido. — Seu cheiro está me enlouquecendo. Se continuar assim, Anonatos vai tomar você no chão da floresta.
Engoli em seco, ruborizada.
Chegamos a uma casa rústica escondida entre as árvores. Ele me deitou com delicadeza em um sofá, subiu para o quarto por alguns minutos enquanto eu me contorcia, os gemidos escapando sem que eu pudesse conter. Meus músculos tremiam. O cio me rasgava por dentro.
Quando ele desceu, não disse nada. Apenas me ergueu no colo, com uma calma possessiva que queimava.
O quarto era um altar à luxúria: velas, pétalas, e o cheiro dele impregnado em tudo. Darius me deitou na cama, os olhos escuros percorrendo cada pedaço do meu corpo.
Seu toque começou gentil... e foi se tornando mais firme, mais exigente. Ele roçava os dedos entre minhas coxas e eu arqueava, gemendo. Um orgasmo me dominou só com o toque dele e o aroma de sua pele.
— Da... Darius... — implorei, a voz falha.
— Diga. Diga que me quer. Diga que é minha. Diga, Alina — sua voz era pura lava, escura e faminta.
— Eu quero... por favor...
Mas o momento foi interrompido por uivos estrondosos. A casa estava cercada. Vampiros e lobos. Darius se ergueu, os olhos em completo abismo. Saiu do quarto como um demônio.
Eu me arrastei até um duto, me esgueirei por ele até alcançar o porão. Fugi. Cheguei ao rio e mergulhei. A água gelada me anestesiava, mas o corte no pé ardeu. Com a lua de sangue, a cura era lenta. E o cheiro do meu sangue podia atrair qualquer criatura do inferno.
Mais lobos me cercaram. Uma dúzia.
Mas então... ele apareceu.
Anonatos.
Se postou à minha frente, dominante, me protegendo com seu corpo imenso.
— Não se preocupe — sua voz em forma de lobo me acalmou.
— Eu não quero morrer... — murmurei, enterrando o rosto em seu pelo, chorando.
— ESSA FÊMEA É MINHA! — o rugido de Darius cortou a noite como uma explosão.
Me transformei. Mesmo fraca, rosnava. Ele lambeu minha ferida. Recomposta, retribuí o gesto. O vínculo nos incendiava. Avançamos juntos.
Mas então... surgiram vampiros.
Transformados. Demônios.
Minha loba enlouqueceu. Lutei ao lado de Darius, matamos, rasgamos. Mas um erro — um só erro — e um lobo cravou os dentes em minhas costas. Uivei de dor, caindo imóvel.
— ALINA! — o grito de Darius estremeceu a floresta.
Ele mudou. Voltou à forma humana. Mas não era apenas isso. Seu lado demoníaco se libertou.
Seus olhos, cabelo, pele... tudo era treva. Magia pura escorria de sua pele. Ergueu o lobo inimigo com uma só mão e arrancou seu pescoço com um estalo seco.
— Lindo... — sussurrei, antes de apagar.
(...)
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Suprema
LobisomemUma mulher escolhida pela Deusa como porta-voz de seu mundo, determinada, exigente e perspicaz, seu destino estará banhado de grandes vitórias mas com o peso de seu fardo viverá grandes momentos de desespero, encontrará o amor e aprenderá a lidar c...
