Alina Narrando
Darius me leva até o jardim interno. O céu está cinzento, mas pela primeira vez em dias... eu sinto a luz da Lua filtrando entre as nuvens. A brisa toca minha pele e Eritia solta um uivo interno, ronronando de prazer.
Os guardas se posicionam discretamente. O hospital inteiro parece girar em torno de mim, mas o único universo que existe agora... é ele.
Darius caminha ao meu lado com um braço em minha cintura. Como se cada passo dado fosse uma oração silenciosa.
— Alina... — ele começa, com a voz grave. — Você me perdoa por tudo? Pela negligência? Pela dor?
— Você estava comigo o tempo todo, mesmo quando não estava. Eu senti. — Seguro sua mão. — A culpa não é sua. A culpa é do destino por nos testar tanto.
Ele sorri, um sorriso molhado.
E então, me puxa com doçura para um beijo. Um beijo que é abrigo. Que é promessa. Que é guerra e paz.
E ali, cercada por lobos, por silêncio e por amor, eu sou, enfim... inteira de novo.
Alina Narrando
Saímos do consultório médico com minha tão esperada alta em mãos. O ar fresco do corredor me pareceu mais doce do que nunca. Eritia estava inquieta, quase pulando dentro de mim, como se quisesse sair correndo daquele hospital branco e sem alma. Quando nos aproximamos da recepção, fui surpreendida por uma imagem que me fez parar no meio do caminho: um verdadeiro exército de soldados alinhados, firmes, como estátuas de carne e fúria contida.
Suspirei profundamente, já adivinhando o motivo daquela recepção: Darius, é claro. O rei da paranoia e da superproteção. E não bastava o batalhão. Agora eu também tinha uma enfermeira particular que parecia mais interessada em me seguir como uma sombra do que em cuidar da própria saúde.
Revirei os olhos internamente, mas não disse nada. Eu sabia que, se contestasse, Darius entraria em colapso. Preferia mil soldados a vê-lo se martirizando por pensar que eu estava em perigo.
— Vamos logo pra floresta, — murmurei, acelerando o passo, tentando parecer determinada, mas confesso que minha vontade era sair correndo só pra ver o caos que isso causaria.
Minha tentativa de fuga foi frustrada em segundos quando ouvi passos pesados atrás de mim.
— Do que está rindo, loba? — Darius apareceu ao meu lado, seu olhar faiscando entre divertimento e irritação.
— Desse desfile real de segurança. Cinco soldados por passo? Você quer me proteger ou me impedir de viver? — rebati, com um sorriso debochado.
— Você está carregando o futuro do nosso povo. Não posso deixar que nada te aconteça, nem que para isso eu tenha que acorrentar a floresta inteira, — ele rosnou baixinho, mas seu olhar suavizou quando acariciei minha barriga instintivamente.
— Eu sei, amor... é pelo bem de todos. Mas Eritia quer respirar ar puro. Ela precisa. — falei mais baixo, e ele assentiu, relutante, antes de dar um sinal com a cabeça. Parte dos soldados se dispersaram, ainda que a contragosto.
Inspirei fundo, sentindo o cheiro das árvores ainda distante. Eritia, você está pronta? — perguntei mentalmente. E antes mesmo de obter uma resposta, senti seu impulso dominando meu corpo.
A transformação foi mais suave do que eu esperava, apesar do peso da gravidez. Em segundos, meus pés tocaram a terra em quatro patas. Meus pelos brancos brilharam sob a luz do sol, e um calor percorreu meu corpo como um abraço reconfortante. Os filhotes reviraram dentro de mim, ansiosos e vivos. Um rosnado escapou involuntário, doloroso, mas carregado de força.
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Suprema
WerewolfUma mulher escolhida pela Deusa como porta-voz de seu mundo, determinada, exigente e perspicaz, seu destino estará banhado de grandes vitórias mas com o peso de seu fardo viverá grandes momentos de desespero, encontrará o amor e aprenderá a lidar c...
