68º (Reescrito)

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Darius Narrando

— Pietro, não quero demorar. Alina está... sensível demais com essa gravidez — eu dizia, irritado, enquanto saíamos de Uktena. Anonatos, meu lobo, sentia falta da fêmea e dos filhotes.

— Só iremos averiguar o estado da Floresta Negra e verificar a passagem para o Inferno, senhor — respondeu Pietro, tentando acalmar meu nervosismo.

Depois de quase quatro horas de viagem, chegamos à Floresta Negra. Minha irritação era evidente, e sentia claramente as energias de Alina fora de sincronia, um caos invisível que me arrancava o coração.

— Supremo Alfa — Luminus apareceu sorridente para nos cumprimentar — Parabéns pelo milagre que a Deusa lhes concedeu.

— Obrigada, meu amigo — respondi, forçando um sorriso.

— Sinto que sua fera está ansiosa, protetora — ele comentou, observando meu semblante tenso.

— Confesso que não queria vir — disse baixo — Alina não pode passar por nenhum estresse.

— Então vamos resolver isso rápido, não queremos deixar a Luna esperando — Luminus assentiu, e seguimos para a gruta que guarda a entrada do Inferno.

Luminus me contou que Lilith, esposa do rei do Inferno, havia vindo até ali para informar que os demônios nobres não tinham ligação com Peter e seu ataque. Eles aceitaram os termos de paz, e estávamos indo para selar oficialmente os acordos e controlar o tráfego não autorizado entre os portais.

— Finalmente chegaram — uma voz feminina soou ao adentrarmos a gruta.

Lilith, de pele negra e olhos dourados como fogo, nos recebeu com um sorriso enigmático.

— Bem-vindos à Porta do Inferno — disse, olhando direto para mim — E como está a nossa Luna e seus bebês?

Senti Anonatos rosnar, desconfiado.

— Tudo conforme a Deusa planejou — Luminus tentou acalmar o ambiente.

— Lilith, pare de provocar, mulher sem limites! — Samael, o Rei do Inferno, apareceu no portal, com uma expressão grave.

— Me desculpe, meu rei — Lilith sorriu travessa e foi abraçá-lo — Vamos logo com isso, esse ar puro da Terra me incomoda.

Selamos as entradas com runas poderosas e colocamos guardas em todas as saídas. Samael nos convidou para passar pelo portal para celebrar o pacto. Embora ninguém fosse ao Inferno por vontade própria, aceitei o convite com cautela. Luminus me acompanhava, e juntos atravessamos o limiar.

Assim que cruzamos, senti Anonatos tenso, sua energia explodindo em poder — uma tensão palpável.

— Deveria ter avisado que as criaturas da noite se adaptam bem aqui — Samael comentou, sorrindo ao ver meus olhos vermelhos — Seu lobo é digno rival do meu poder.

Caminhamos pelo local; o céu alaranjado contrastava com casas luxuosas e sombrias. O Inferno não era o que contavam nos livros — um lugar de tortura e sofrimento — mas sim um domínio de poder e ordem própria.

Samael nos ofereceu vinho e começamos a conversar.

— O tempo aqui é diferente — olhei para ele — Cada minuto aqui equivale a um dia na Terra.

— E quanto tempo estamos aqui? — perguntei, ansioso.

— Mais de duas horas — respondeu, com um sorriso debochado — Não me diga que não sabia disso!

A tensão aumentou, e eu decidi voltar imediatamente. Quatro meses longe de Alina já era muito tempo.

Samael percebeu meu desespero e rapidamente nos levou até o portal. Saímos em disparada.

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