Eu me sentia estranhamente leve. Sentado ao lado dos rapazes, gargalhávamos enquanto relembrávamos a noite anterior — intensa, carnal e recheada de instintos satisfeitos. Eles me contaram, entre risos e olhares cúmplices, que suas companheiras também haviam permanecido ao seu lado depois da Lua. Havia orgulho em suas palavras, um certo encantamento. Tudo parecia em perfeita harmonia.
Até que um estrondo seco, seguido por um rosnado gutural, rasgou o ar.
Levantei num pulo, meu coração disparando no peito. Corri para fora da sede com os sentidos em alerta, sentindo a adrenalina me empurrar. E lá estava ela.
Alina.
Transformada. Parada como uma estátua, encarando o vazio em frente à sede com olhos que queimavam em tons carmim.
— Alina? O que foi? — perguntei com cautela, me aproximando lentamente.
Sua cabeça girou em minha direção, mas não foi a voz da minha loba alfa que respondeu. A voz que saiu era mais grave. Antinatural.
— Ele está aqui... — sua voz era demoníaca, rouca, carregada de poder ancestral. Minhas costas se arrepiaram.
Theo, surgindo atrás de mim, murmurou:
— Quem, Alina?
Ela virou os olhos brilhantes para nós, e sua aura explodiu com uma dominância tão densa que os menores se curvaram sem hesitar.
— Tirem todos daqui agora! Ele se alimenta do medo, e vocês só seriam brinquedos nas mãos dele! — gritou com fúria e comando. Sua presença era impossível de ignorar. Como um trovão em forma de mulher.
Os lobos recuaram imediatamente, obedecendo instintivamente. Só restamos eu, meus betas e os companheiros mais próximos de Alina.
Leo franziu o cenho, ainda em choque:
— Mas como tem certeza?
Ela se virou com lentidão, rosnando com os dentes à mostra. A raiva escorria de cada músculo tenso do seu corpo.
— Vocês não estudaram nada, não é? — zombou, debochada, como se estivesse decepcionada com a ignorância geral. — Ele deixou vestígios. Hugo ainda tinha energia negra nos machucados. Foi encontrado cedo demais para termos tempo de purificá-lo. O Quimbundo... os humanos o chamam de bicho-papão. — ela cuspiu o nome com desprezo.
— Mas por quê? — Leo tentou insistir.
— Porque são caçadores que não descansam até matar sua presa. — seus olhos queimavam. — Hugo escapou, então ele veio terminar o serviço...
— SAIAM LOGO DAQUI! — seu grito foi tão feroz que o chão estremeceu. Todos sumiram em segundos.
Foi então que ele apareceu.
Um homem de aparência jovem, roupas comuns demais para a aura macabra que o cercava. Seus olhos negros fixaram-se em Alina com um sorriso torto e perigoso. Um arrepio subiu por minha espinha.
— Droga... — Theo murmurou. Os outros praguejaram em uníssono.
Alina congelou por um instante. Apenas um. Mas eu vi. Vi seu corpo estremecer.
— Suprema... — a voz do homem era baixa, sedosa e irritantemente tranquila — Você é muito mais inteligente do que isso. Apenas me deixe terminar meu lanche e partirei sem levantar poeira.
— Só por cima do meu cadáver. — o rosnado de Alina tremeu o chão. Seu pelo cintilava como prata viva.
— Ah... — o homem suspirou, como quem lamentava. — Tudo bem. Se quer assim...
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Suprema
WerewolfUma mulher escolhida pela Deusa como porta-voz de seu mundo, determinada, exigente e perspicaz, seu destino estará banhado de grandes vitórias mas com o peso de seu fardo viverá grandes momentos de desespero, encontrará o amor e aprenderá a lidar c...
