Capítulo – Sob o Sangue, o Juramento
Alina narrando
O dia havia sido mágico. Por horas, esqueci quem éramos. Darius e eu ríamos como dois jovens recém-descobertos, deitados na relva úmida sob o sol preguiçoso do meio-dia. Nossos corpos entrelaçados, o cheiro da terra misturado ao dele, quente e possessivo, me preenchia de um conforto ancestral. Tudo estava em paz... até que o maldito toque do celular quebrou o encanto.
Peguei o aparelho com relutância. Quando vi o nome Dom Montmare brilhar na tela, um suspiro escapou por entre os dentes. Ele era nosso hóspede, sim, mas não ligaria sem motivo. Darius viu o nome e o som do rosnado que ele soltou fez o chão vibrar sob nós.
— Por que esse desgraçado tá te ligando? — ele cerrou os olhos. — Eu te disse pra passar o meu número. Eu não gosto da forma como ele fala com você.
Ergui uma sobrancelha e levei o dedo aos lábios, pedindo silêncio. O tom dele me irritava, mas não era hora de alimentar ciúmes primitivos.
Ligação:
— Alô, Luna? — a voz aveludada de Montmare soava como uma taça de vinho derramando promessas.
— Sim, sou eu. Pode falar. — Mantive a voz neutra, quase fria.
— Precisamos conversar. Coisas importantes. Proponho que nos encontremos hoje à noite. Há assuntos... delicados.
Darius fazia gestos indignados, negando com a cabeça como se eu fosse uma criança prestes a meter o dedo na tomada.
— Está bem. Às 21h. Podemos jantar e discutir tudo com calma. — Ignorei o olhar fulminante de Darius e falei de forma firme.
Do outro lado, uma leve risada.
— Perfeito. Te espero às 21h então, minha doce dama.
Ele desligou antes que eu respondesse. Suspirei, já esperando o interrogatório do meu macho possessivo.
— Jantar, Alina? Sério? Você vai sair para jantar com um vampiro? — ele cruzou os braços, tentando manter a calma. O olhar, no entanto, estava carregado.
— Por que está fazendo isso um problema, Darius? Ele pode ser útil. Precisamos de aliados. Essa guerra com os vampiros está arrastando séculos de ódio inútil... nossos filhos nascerão em tempos de paz. Ou você quer que eles cresçam no caos?
A palavra "filhos" calou a tempestade em seus olhos. Ele respirou fundo, derrotado.
— Está bem... mas eu vou com você.
Dei um sorriso maroto, andando até ele e colando nossos corpos.
— E você achou mesmo que eu iria sozinha? Como eu sairia sem o meu macho colado nas minhas costas como sombra ciumenta?
Ele riu e me puxou pela cintura, colando sua boca na minha com possessividade.
— Assim que gosto de ouvir. Pronta pra treinar, minha loba?
— Só se você prometer que vai parar de rosnar pra qualquer coisa que tenha presas.
— Prometo nada. Vamos pra arena — respondeu debochado.
Arena de Treinamento – Tarde
A energia era densa, selvagem, quase elétrica. Os novatos já treinavam como se o amanhã não existisse. Rosnados e gritos preenchiam o ar. Darius e eu paramos na entrada. Os olhos deles se voltaram pra nós como um só. Bastou um leve toque de nossa dominância, e todos se curvaram como se a própria terra tivesse dobrado os joelhos.
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Suprema
Kurt AdamUma mulher escolhida pela Deusa como porta-voz de seu mundo, determinada, exigente e perspicaz, seu destino estará banhado de grandes vitórias mas com o peso de seu fardo viverá grandes momentos de desespero, encontrará o amor e aprenderá a lidar c...
