61º (Reescrito)

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Darius Narrando

Ontem, Alina me deixou sem fôlego — e, pela primeira vez, exausto depois de uma noite intensa. Usamos todos os cantos da casa: cozinha, sala, até o corredor virou cenário da nossa loucura. Quando ela finalmente cedeu, já eram quase quatro da manhã. Acordá-la no quarto de hóspedes, onde a deixei para descansar, foi um ato quase heroico — ainda mais quando percebi o que fizemos na casa toda. A vergonha que ela sentiu ao ver a destruição foi deliciosa.

Precisávamos disso — Anonatos aparece do nada, como sempre, direto ao ponto. — Minha fêmea também percebeu que precisava relaxar depois desses dias turbulentos. Quem sabe a gente ganha outra cria em breve?

A menção a Filipa provoca um aperto no meu peito, mas sacudo a cabeça para afastar a tristeza e entro no banho. Alina logo se junta a mim, e logo estamos entregues àquele ritmo intenso, deixando o peso do dia para trás.

— Vou para a sede — aviso, enquanto ela aparece só de lingerie, os olhos brilhando de vontade.

— Posso ir com você? — Sua voz é um sussurro carregado de esperança.

— Você nunca pediu permissão, amor. — Dou um sorriso, surpreso.

Ela me abraça forte.

— Desde que fui marcada pela Luna, me sinto mais frágil. Não quero que você se preocupe comigo.

— Saber que pensa assim me deixa mais feliz do que você imagina. — Beijo sua testa com carinho.

— Então, posso ir? — Ela insiste, me encarando.

— Claro que sim, amor. — Digo. — Arruma-se, e vamos juntos.

Descemos para a sala e aguardamos. Quando Alina surge, está deslumbrante: um vestido elegante que realça sua silhueta, salto alto, cabelos semi-presos, um ar mais sério e decidido. Não era o estilo dela, mas combinava perfeitamente com a mulher que ela estava se tornando.

— Linda — digo, fazendo-a corar.

— Obrigada, amor. — Ela sorri tímida.

Na sede, a secretária Lais nos recebe com respeito, e logo me cercam os betas — Castro, Filipe e Pietro — junto com Fred, o secretário de Alina, que cuida do resgate das garotas. A reunião é pesada, cheia de demandas e estratégias para proteger nossas alcateias e coordenar a guerra iminente.

Olho para Alina, firme e concentrada, enquanto o mundo lá fora parece ameaçar nossa paz.

Alina Narrando

Sou interrompida de meus devaneios por Fred:

— Suprema, preciso de sua atenção.

— Fred! — Cumprimento-o com um sorriso. — Como está indo o resgate?

— Os resultados são excelentes. Os esconderijos dos transformados estão sendo descobertos um a um. Eles parecem estar perdendo o ânimo.

Analisamos juntos os relatórios, discutimos estratégias e prioridades. A ajuda de Fred é essencial.

— Agora preciso de algo extremamente confidencial — digo, e vejo o rosto dele se enrijecer. — Quero que convoque uma reunião com todas as Lunas aqui na sede. É vital que lutemos lado a lado nesta guerra. Preciso delas comigo.

— Você quer que elas venham para cá? — ele pergunta surpreso.

— Exatamente. Quero reunir as forças, alinhar táticas, e mostrar que essa luta é de todas nós.

Fred anota tudo com atenção e se prepara para partir.

— Lais — chamo — preciso que me ajude ao máximo agora. Há muito a ser feito e não posso me dar ao luxo de perder tempo.

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