14 º (Reescrito)

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Alina – Narrativa 

Vesti minha roupa de patrulha, o traje justo de couro negro que me dava mobilidade e, de certa forma, autoridade. A jaqueta colava ao meu corpo como uma segunda pele, me lembrando de que, hoje, eu era Alfa. E não apenas a fêmea que todos viam como o par do Supremo.

Prendi os cabelos em um rabo de cavalo e saí em passos firmes. O céu escurecia em tons de rubi e laranja — presságio da lua que logo viria nos devorar por dentro.

Na frente da sede da Nuran, Branca e Luna me esperavam impacientes. Ambas em trajes semelhantes, mas os rostos denunciavam nervosismo.

— Boa noite, meninas — saudei com um sorriso discreto.

— Boa noite, Lina — responderam em uníssono, como se ensaiadas. O tom era respeitoso, mas havia apreensão nos olhos.

— As mulheres já chegaram? — perguntei, ajustando a alça da bolsa com os documentos e mapas. Ambas assentiram. — Ótimo.

Entrei determinada. Os lobos que ainda estavam dentro da sede me lançaram olhares questionadores, mas bastou um olhar meu para que começassem a sair. Hoje, apenas as fêmeas teriam direito àquelas informações. Era nossa noite, e nossa luta.

— Boa noite, irmãs — disse, parando em frente ao grupo de lobas sentadas em posição de escuta. — Em três dias, a Lua de Sangue nascerá. Não será uma noite qualquer. Será uma batalha silenciosa entre o desejo, o desespero e a sobrevivência. E eu me recuso a perder uma de vocês.

Algumas abaixaram a cabeça. Outras me encararam com olhos brilhantes. Eu via neles tudo o que sentia: medo, exaustão, e uma fé desesperada de que eu daria conta.

— Analisei rotas, mapas e possibilidades. A terceira caverna da Ilha Folk é nosso melhor refúgio. Isolada. Naturalmente protegida. Pedi auxílio a um pequeno clã de fadas para espalhar nosso cheiro falso por toda a região. Além disso, bruxas da linhagem de Séfora vigiarão os arredores com encantamentos de alarme.

Houve um burburinho. O nome das bruxas ainda causava desconforto.

— Elas são confiáveis — garanti, firme. — Se algum lobo cruzar o perímetro, elas nos darão tempo para fugir e nos esconder no segundo ponto de emergência. O plano B será ativado apenas em caso extremo.

Parei e encarei todas elas.

— Se tiverem companheiros e desejarem passar a noite juntos, deverão se abrigar no subsolo das casas. Os círculos neutros foram ativados. Lá dentro, vocês estarão invisíveis aos sentidos dos demais. Nenhum cheiro, nenhum som... apenas o prazer entre dois companheiros selados.

Sorrisos tímidos surgiram entre algumas, enquanto outras permaneciam sérias. O medo ainda era o maior presente.

— Alguma pergunta?

O silêncio caiu, pesado.

— Perfeito. Luna e Branca as guiarão até a ilha no dia da lua. Eu irei pessoalmente garantir que todos os machos sejam acorrentados de forma segura nas celas sagradas.

Concluímos a reunião com mais orientações. Às dez horas, liberei todas para retornarem a seus lares. Caminhei de volta, examinando uma pasta que recebi mais cedo: relatórios de ataques recentes em cidades humanas. Menores em número, mas muito mais cruéis. Os corpos... irreconhecíveis.

Sentei-me na varanda da minha casa, exausta. Soltei um longo suspiro, afundando os ombros.

— Preocupada? — a voz profunda e rouca de Darius preencheu o ar. Ele se sentou ao meu lado, quente e sólido, e me puxou contra ele como se meu corpo fosse feito sob medida pro dele.

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