9 º (Reescrito)

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Capítulo 9º -  Quando a Lua Se Solta

Narrativa de Alina

Subi para o quarto com o coração aos saltos, as bochechas queimando como se tivessem sido mergulhadas em fogo. Ainda podia sentir o peso do olhar de Darius cravado em mim, como se cada palavra que eu dissera antes tivesse deixado cicatrizes em seu ego de Supremo. Minha loba, inquieta, rosnava dentro de mim, sentindo a tensão que nosso companheiro emitiu com o simples silêncio.

— Maldição... — murmurei ao fechar a porta com força e encostar a testa contra ela. — Por que fui falar aquilo?

Suspirei fundo e fui direto para o banheiro. Arranquei a roupa com pressa, como se pudesse despir também a vergonha. Liguei o chuveiro no máximo e deixei a água escorrer demoradamente sobre meu corpo. O vapor me abraçava enquanto tentava reorganizar meus pensamentos.

— Ser Luna é um inferno... — bufei, afundando o rosto na toalha ao sair. — E ser a Luna dele então... um campo minado com lobos famintos e orgulhosos.

Voltei ao quarto, ainda secando os cabelos, e me joguei na cama. Liguei o notebook, abrindo os e-mails com tédio. Eram dezenas. Quase todos carregados de bajulações e pedidos disfarçados de "propostas", parcerias de clãs e casas que queriam o nome do Supremo atrelado a seus próprios interesses.

— Claro... sempre por interesse. — revirei os olhos.

Fechei o notebook e fui ao closet. O relógio marcava quatro da tarde. Ainda era cedo, mas a sensação de alívio por Darius não estar por perto era tão libertadora que decidi vestir algo confortável. Um vestido preto solto e os chinelos. Sem maquiagem, sem armadura. Apenas eu.

Desci para a cozinha e preparei um lanche rápido. A TV ligada no noticiário humano me fez sorrir de leve. Era quase poético ver como eles, mesmo nos dias atuais, não conseguiam distinguir mito de realidade. Alguns sabiam — aqueles tolos conspiradores ou os caçadores velhos de guerra — mas eram jurados ao silêncio.

Nosso segredo era bem guardado. Por Darius. O terceiro Supremo da nossa linhagem. O mais forte. O mais duradouro.

— E o mais cabeça dura... — resmunguei sozinha, mordendo uma maçã.

Lembrei-me de como os Supremos anteriores haviam caído: não pelas mãos dos inimigos, mas pelo coração. Suas Lunas assassinadas, os enlouquecendo até a ruína. Agora, eu era o elo vulnerável de Darius, e isso me apavorava.

Estava distraída quando ouvi a porta ser escancarada. Quase pulei do sofá com o susto.

— Dá pra avisar antes de entrar?! — gritei, virando de súbito. — Podia ter estraçalhado vocês!

Branca e Luna entraram rindo como duas adolescentes que tinham acabado de fugir do colégio.

— Foi mal! — Luna ergueu as mãos, inocente. — Despistamos os rapazes. Viemos nos arrumar aqui. Pode?

— Claro que podem. — suspirei e olhei o relógio. Oito da noite? Como assim já eram oito?!

— Hoje é dia de Demon, baby! — Branca sacudiu o pulso, mostrando os passes VIP. — Entramos sem fila.

— Maravilha. Vamos subir logo antes que eu mude de ideia. Theo me fez surtar hoje. Quero extravasar até minha loba pedir arrego! — Luna correu escada acima como uma criança endiabrada.

— Onde eles estão, aliás? — perguntei, seguindo logo atrás.

— Reunião com o Supremo e seu pai. Estão acertando os detalhes do território. — respondeu Branca, como se fosse a coisa mais banal do mundo.

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