Alina narrando
Saímos da escola, o caos já começava a se dissipar. O controle da situação estava praticamente restabelecido. Don Montmare estava ali, parado ao lado dos lobos que mantinham os transformados imobilizados, o ar tenso entre eles era quase palpável.
— Lorde — chamei, com a voz firme, mas carregada de uma leve inquietação.
Darius, sempre elegante e sereno, fez um leve aceno de cabeça em sinal de cumprimento.
— Luna — ele começou, e eu notei o peso da preocupação em sua voz — esses vampiros... não eram meros escravos ou soldados de baixo escalão. Eles eram de linhagem nobre, líderes daquela corte caótica. O que me deixa perplexo é o porquê de terem se tornado irracionais, selvagens... — passou o olhar sobre os transformados, como se tentasse enxergar além do físico.
— Sangue de demônio — respondi, como se fosse um sussurro carregado de um segredo — O sangue de demônio tem três níveis de concentração, mas os que fazem até os mais altos escalões perderem a razão são os de demônios puros. Já sabemos que a purificação depende do sangue, por isso trouxe o senhor aqui, Lorde.
Don Montmare permaneceu em silêncio, os olhos fixos nos transformados, como se lesse o que eles ainda tinham a dizer.
De repente, a atmosfera mudou. Uma voz cortante e cheia de autoridade soou do lado oposto.
— SAIA DAQUI, LORDE DEPOSTO! VOCÊ NÃO É MAIS NOSSO COMANDANTE! — Don Montmare, seu sorriso frio e desafiador.
Montmare não se intimidou. Seu sorriso se tornou uma expressão quase cruel.
— Não se preocupem — falou com uma calma assustadora — não serei mais o comandante. Agora sou o rei.
Observei a cena com um misto de fascínio e apreensão. Os olhos de Don Montmare brilhavam com uma intensidade sombria e perigosa, e aquele brilho fez meu estômago se contrair.
Darius se aproximou, a postura firme como sempre.
— Luna, gostaria de conversar com você e com o Supremo em particular — disse ele com uma voz baixa, quase um convite silencioso.
Assenti, consciente de que ainda havia muito a ser resolvido.
— Vamos terminar de dar o auxílio aqui e depois seguimos para meu escritório — Darius ordenou, com a suavidade de quem sabe que todos os olhos estavam voltados para ele.
Voltei meu olhar para Darius, e o calor da preocupação transbordava de seus olhos.
— Amor, irei para a sede — disse, minha voz trêmula, embora tentasse soar confiante — Os professores foram infectados. Estou preocupada com a recuperação deles.
Darius sorriu, o canto dos lábios carregado de uma ternura mordaz.
— Alina, ficar dando seu sangue assim pode ser perigoso — provocou, um brilho divertido nos olhos.
Sorri de volta, um pouco mais segura.
— Na verdade, hoje não iria dar meu sangue — disse, deixando no ar um mistério — descobri algo durante a luta.
Ele me fitou, a curiosidade gravada em seu rosto forte e lindo.
Sem mais delongas, saí em direção à sede, meu coração pulsando como tambor, a mente cheia de pensamentos confusos.
Pouco depois, Peter, Castro, Darius e Lord Montmare chegaram juntos ao setor médico.
— Alina, o que você pretende fazer? — Darius perguntou, a voz cheia de preocupação.
— Calma — soltei um riso nervoso, encarando-os um a um — Isso é medo de mim ou medo de que eu faça alguma burrice?
Eles permaneceram em silêncio, deixando o clima denso.
— Ok, então vou explicar — comecei, ganhando confiança — Quando estava procurando pelos alunos, encontrei um dos professores lutando contra aquele bando de transformados, enquanto as crianças, encolhidas e apavoradas, eram protegidas por dois outros mestres. Não pensei duas vezes e entrei no meio da briga. O professor estava praticamente à beira da morte. Quando senti Eris e coloquei minha mão em seu ombro, seus ferimentos começaram a se fechar.
Peter se inclinou discretamente para falar algo no ouvido de Darius.
— Peter, compartilhe — pedi.
Ele ergueu a cabeça e falou com reverência.
— Senhora, provavelmente foi seu lado anjo agindo — disse, o respeito evidente.
Refleti um instante. Talvez fosse verdade.
— Estou começando a pensar isso também — murmurei — Mas até agora não senti ela se comunicar comigo.
— Provavelmente foi inconsciente — Darius sugeriu — o instinto de proteger seu povo quando eles estavam morrendo.
Mantive-me em silêncio, assimilando cada palavra.
— Vou tentar usar isso para ajudar os professores — anunciei com determinação — Eles foram extremamente corajosos. Infelizmente, perdemos quatro homens e duas mulheres, mas graças a Nix, nenhuma criança se feriu. Nossa próxima geração foi salva por esses verdadeiros heróis.
Todos concordaram com um silêncio carregado de respeito.
Entrei no setor médico, acompanhada pelo curandeiro-chefe, que me guiou até a área onde os professores estavam. Eles sofriam pelos efeitos do veneno dos transformados, alguns desacordados, outros ainda tentavam reverenciar.
— Por favor, não se esforcem — pedi com um sorriso gentil — Vim aqui para agradecer a vocês pela coragem de protegerem nossas crianças. Sei que a perda de seus colegas dói profundamente, mas nenhum deles morreu em vão. As crianças estão a salvo e bem.
Senti que suas expressões relaxaram um pouco, o peso nos ombros suavizado.
— Darius, venha cá — chamei, segurando a mão dele quando se aproximou — Eu não sei ao certo o que vou fazer, mas sinto que vai funcionar. Libere sua dominância, de forma suave, pense em cura, em proteção. Tenha pensamentos bons e feche os olhos.
Ele me fitou, cético.
— Como isso vai funcionar? — perguntou.
— Shh, apenas sinta — respondi, entrelaçando nossas mãos e fazendo uma prece suave e antiga:
"Bondosa Deusa
Que és Virgem, Mãe e Anciã,
Bendito seja o teu nome,
Ajuda-me a curar estes corajosos irmãos
Sobre a terra que é tua,
E dá-me a proteção e pureza que tu representas,
Guia-me pelo caminho que escolhi,
Acolhe aos que partiram e mostra o teu grande amor eterno,
Enquanto conforto os que ficaram,
E leve-os em segurança
Ao teu caldeirão do Renascimento,
Pois é o teu espírito que vive dentro de nossos corpos, e nos protege
Para todo o sempre.
Assim seja."
Uma onda de calor subiu de seu corpo, cruzando o contato entre nós. Senti aquela energia fluindo como um rio invisível que tocava a todos ao redor. Os ferimentos começaram a se fechar. A dor, o cansaço, tudo parecia se dissipar.
— Alina... você curou todos — Darius disse, admirado. E quando soltei sua mão, a escuridão me envolveu.
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Suprema
Loup-garouUma mulher escolhida pela Deusa como porta-voz de seu mundo, determinada, exigente e perspicaz, seu destino estará banhado de grandes vitórias mas com o peso de seu fardo viverá grandes momentos de desespero, encontrará o amor e aprenderá a lidar c...
