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ALINA NARRANDO

Acordei como se emergisse das profundezas de um oceano escuro. Meu corpo doía. Cada músculo parecia exausto, como se tivesse sido consumido por uma tempestade.

Aos poucos, minha visão se ajusta. Estou em um quarto hospitalar... e então vejo ele. Darius. Sentado, com um dos nossos filhos no colo, sussurrando palavras doces. Meu peito se aquece.

– Darius... – minha voz sai como um sopro.

Ele se vira de súbito, como se tivesse ouvido um chamado divino.

Alina! – exclama, os olhos brilhando. Em dois passos, está ao meu lado, segurando minha mão.

– Estou... só um pouco fraca... – sorrio, com dificuldade. – Mas sinto que... nossa filha está com fome.

Ele sorri de volta, e seus olhos estão mais úmidos do que jamais vi. Me ajuda a sentar, me ajeita nos travesseiros com uma ternura desajeitada e orgulhosa. Em seguida, coloca Filipa cuidadosamente em meus braços.

– Oi, meu amor... mamãe está aqui agora... – murmuro, acariciando seus cabelos finos. Ela começa a sugar com voracidade, segurando meu cabelo com suas mãozinhas minúsculas.

Sinto uma pontada aguda de dor, mas não reclamo. É amor... é vida.

Logo, Dante também começa a chorar.

– Amor, pode me dar ele?

Darius o pega com uma delicadeza protetora e o entrega como se fosse um tesouro sagrado. Seus olhos, fixos em mim, transbordavam emoção.

– Você está... incrível. Como uma rainha... uma loba divina. – diz ele, sem esconder a admiração.

– Nossa vida agora é em quatro, meu amor... finalmente vamos ver nossos filhos correndo pela alcateia. – suspiro, ajeitando Dante no outro seio. Ele mama com tanta força que quase solto um gemido. – Esses alfas vão me dar trabalho...

Ele ri, passando os dedos pelos cabelos dos bebês.

– Eu só queria parar o tempo agora... guardar esse momento para sempre.

– Guarda... – digo, tocando seu rosto. – Mas não esquece de viver também, meu lobo.

Depois de se alimentarem, uma enfermeira me ajuda a arrotar os dois e trocar suas fraldas. Dante já mostrava uma dominância impressionante. Darius precisava soltar sua própria energia alfa só para estabilizar o pequeno.

Recebemos visitas. Alfas, soldados, amigos. Sorrisos, reverências, bênçãos. Mas nenhum deles podia tocá-los sem o olhar gelado de Darius atravessar o ar como uma lâmina.

Estava exausta, mas resistia. Não queria perder um segundo.

– Seu corpo ainda está se recuperando – alerta o médico. – Precisaremos de mais alguns dias de observação.

Assinto com relutância. Eritia ainda não aparecera. Vitt estava em silêncio. E Anonatos? Aparecia e sumia. Mas sei... sei que ele está de guarda. Sinto seus olhos vermelhos em mim. E em nossos filhotes.

– Querida... pode descansar. Eu cuido deles. – Darius me acaricia com os dedos quentes.

– Acho que vou aceitar... estou quase desmaiando – sorrio, fechando os olhos.

– Estarei aqui. Sempre. Com nossos filhos. Esperando você acordar. – ele se inclina e beija minha testa.

– Obrigada por me dar a coisa mais preciosa do mundo, meu amor... você me faz sentir viva. Completa. Eu amo você, lobinho. – brinco, mesmo com a voz arrastada.

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