10 º (Reescrito)

2.4K 158 5
                                        

Capítulo10º - A Fúria do Lobo e o Salto da Lua 

Narrativa de Darius

Eu estava explodindo por dentro. Alina não fazia ideia do inferno que quase desabou sobre nós. Inconsequente. Inconsciente. Insuportável. E ainda por cima, se metia onde não devia sem avisar a ninguém.

— Anda logo, Theo — rosnei, a paciência escapando pelos dentes cerrados.

— Tô indo o mais rápido que posso, porra — ele retrucou, a mandíbula travada. — Garotas irresponsáveis. Tem um limite pra sorte, sabia?

Assim que chegamos à frente da boate, o cheiro bateu como um soco no nariz: um coquetel podre de humanos, demônios, metamorfos e... lobos. Meus sentidos gritaram em alerta. Algo estava errado. Muito errado.

Entrei, varrendo o ambiente com o olhar. O barulho era ensurdecedor, os flashes de luz criavam sombras traiçoeiras nos cantos e, no centro, uma roda de gente gritava e se agitava. Quando me aproximei, o ar pareceu congelar.

Ela estava ali.

Alina.

Dançando.

Acompanhada de duas garotas — Luna e Branca, suponho —, em perfeita sincronia, como se tivessem ensaiado. Mas não era uma dança comum. Era selvagem. Hipnótica. Provocante. Instintiva. Cada movimento parecia uma chamada ancestral, feita pra provocar luxúria, desejo... e fúria.

O olhar de dezenas de machos caía sobre ela como lâminas afiadas. E ela — minha fêmea — sorria, girava, rebolava como se o mundo não estivesse prestes a ruir.

Meu lobo uivou dentro de mim. Queria sangue. Queria morder, destruir, arrancar olhos. Queria lembrar àquela sala inteira de quem ela era. De quem ela pertencia

Fechei os olhos, respirando fundo. Precisava de controle.

Até que ouvi um baque. Vidro quebrado. Um grito abafado.

E lá estava ela, empurrando um homem que claramente havia passado do limite.

— Escuta aqui, seu escroto — ela cuspiu as palavras, empurrando o peito dele com força. — Eu tenho namorado. E, se você der mais um passo, eu arranco sua garganta com os dentes. Literalmente.

Meu peito se aqueceu. Uma parte de mim quis rir. Outra quis pegá-la no colo e trancá-la numa torre até o fim dos tempos.

— Luna Branca, vamos beber mais! — ela gritou animada, puxando as amigas, tropeçando nos próprios pés.

Foi quando nossos olhares se cruzaram.

— Alina... — chamei com a voz firme, fria como aço.

Ela congelou. Seus olhos se arregalaram.

— D... Darius?! Caralho, o que você tá fazendo aqui? — gaguejou, a fala arrastada, e um sorriso bêbado nascendo nos lábios.

— Vim te buscar. Agora. Você já brincou demais com a minha paciência essa noite — falei entre dentes, cada palavra afiada de tensão.

Ela cambaleou até mim, os olhos brilhando.

— Você fica um fofo quando tá bravo — murmurou, apertando minhas bochechas como uma criança atrevida e me abraçando em seguida. — Vamos pra casa. Tô tonta... acho que bebi saliva de fada sem querer... Misturei com tequila humana... foi um acidentezinho encantado — sussurrou, encostando a cabeça no meu peito.

Suspirei, frustrado e aliviado. Peguei-a no colo, estilo princesa. Ela sorriu, os olhos pesando.

— Desculpa se causei problemas, meu lobo — sussurrou de olhos fechados. — Eu só... queria esquecer um pouco que tô destinada a salvar ou destruir o mundo...

SupremaOnde histórias criam vida. Descubra agora