45° (Reescrito)

831 49 0
                                        

Darius Narrando

— Supremo, todos os soldados retornaram às suas regiões. Patrulha encerrada, território seguro. — Castro se aproximou entregando o relatório, suor e preocupação ainda estampados no rosto.

— Ótimo. Vocês estão dispensados. Descansem, vocês merecem. — murmurei, os olhos ainda voltados para a escada onde as meninas estavam.

Restaram apenas Leo, Theo e Montmare, fiéis até o fim, tão tensos quanto eu.

— Dia complicado... — Theo falou, quebrando o silêncio tenso. — Nunca vi a Alina gritar daquele jeito. E olha que ela já gritou comigo umas boas vezes.

— O pior passou. Ela resistiu. Agora o bebê está seguro. — Leo sorriu, colocando a mão em meu ombro. — Você foi firme, mesmo quando quis quebrar tudo.

— Eu queria. Por dentro, eu estava em chamas. — admiti.

— Eu queria era um filho. Todo dia tento com a Branca e... nada. — Theo resmungou, cruzando os braços. — Acho que estou sendo tapeado. — falou com tamanha indignação que arrancou gargalhadas nossas.

Antes que eu respondesse, os risos das mulheres invadiram o salão. Olhei para o topo da escada, e lá estava ela. Alina.

Descia com o corpo mais frágil, mas com a alma firme. Os olhos dela encontraram os meus, e a emoção me invadiu como um rio rompendo uma represa.

— Darius... — disse com a voz mansa, se aproximando e me puxando para um beijo. — Senti você o tempo inteiro. Me perdoa por tudo o que te fiz sentir. Mas... nosso filhote está bem. Ele resistiu.

Beijei sua testa com reverência. Nada que existisse no mundo poderia se comparar a esse momento.

— A Deusa tem um plano. Acredite, Supremo. — Afena falou ao descer lentamente, com um brilho místico nos olhos. — Meus parabéns. É uma menina... uma loba forte, determinada, que fará história.

Fiquei paralisado.

— Filipa Anuska Burten. — Alina disse sorrindo, e as meninas explodiram em gritos eufóricos. Os rapazes me parabenizaram com tapas e abraços.

Ela chorava.

— Vamos ter uma menininha, meu amor...

Abracei-a forte. — Obrigado, Afena. Por tudo.

Logo, deixamos a casa de Afena. Os carros seguiram pelas ruas calmas da cidade, mas eu sabia... em breve, todos saberiam: Filipa era a nova era.

Alina Narrando

É. UMA. MENINA! AAAAAAAAAH! Eu queria gritar em cima do carro como uma loba em pleno cio revolucionário. Já consigo ver a cara dos conselheiros babões engasgando com a quebra do "ciclo masculino da liderança".

— Minha menina está segura agora. — sussurrei, acariciando minha barriga enquanto Darius dirigia com a mão firme no volante e os olhos atentos em mim mais do que na estrada.

— Ao chegar em casa, direto pra cama, dona Alina. Sem discutir. — disse com aquela voz de comando que eu amava odiar.

— Primeiro, eu como. Estou faminta. Eu quero... carne. — minha boca salivava. — Quero caçar, Darius. Sinto Eris inquieta. Ela quer sangue fresco.

Ele me lançou um olhar de alerta.

— É perigoso. Você ainda está fraca.

— Então vem comigo. E chame soldados. Eris quer dançar entre as árvores. — sorri travessa. Assim que chegamos em casa, corri para os fundos. A transformação aconteceu sem dor, como se meu corpo clamasse por liberdade. Uivei alto e claro. Em segundos, soldados apareceram.

— Acompanhem a Luna. Protejam a área. — Darius ordenou, antes de se transformar. O uivo dele ecoou, e meu peito vibrou. Corremos pela floresta, lado a lado.

Alina, seu cheiro... mudou. — Darius disse mentalmente.

Deve ser a pequena Filipa querendo se exibir. — rosnei brincalhona. Ele respondeu com um rosnado abafado. Estava tentando manter a pose de Alfa sério, mas seu lobo estava inquieto.

Vimos um cervo entre as árvores. Fiz sinal com as orelhas, os soldados se dispersaram. Mas antes que eu saltasse, Anonatos rugiu em minha mente.

Deixe-me caçar, companheira. Você já fez muito hoje.

Que cavalheiro. — Eris riu. Sentei, assistindo Darius abater o animal com a destreza de um verdadeiro caçador. Quando trouxe o cervo para mim, lambi seu focinho ensanguentado com carinho. Ele retribuiu com uma lambida na testa.

Obrigada. — sussurrei, e me servi sem cerimônia. Estava faminta.

Terminamos e voltamos devagar, aproveitando o cheiro da terra úmida, das folhas e do futuro. Filipa aceitou bem a carne. Um bom sinal.

No Banho

A água quente deslizava pelo meu corpo, lavando o sangue, o suor e os restos da dor. Meus músculos começaram a relaxar... até ouvir:

— Alina? — Darius bateu levemente e entrou. — Está bem?

— Cansada... mas viva. — sorri. — Venha. Entre comigo.

Ele tirou as roupas e veio, me abraçando por trás, sua mão repousando na minha barriga.

— Mal posso esperar para sentir Filipa se mexer.

— Ainda temos nove meses, amor. — ri. — Só espero não ficar feia...

— Alina. — ele me virou. — Não diga isso. Você já está deslumbrante. Radiante. E grávida... você vai ser ainda mais linda.

Beijei-o devagar. Os beijos ficaram mais intensos, mas havia ternura. Saímos do banho, vesti uma camisola transparente, e fui até a sacada. A brisa noturna arrepiou minha pele.

— Isso é tortura. — ele murmurou atrás de mim. Seus olhos vermelhos, Anonatos à flor da pele. — Seu cheiro... está enlouquecedor.

— Então me toma, Darius. Com calma, com amor. Mas me toma.

Ele me puxou, me deitou na cama, rasgou a camisola com os dentes, e me penetrou com firmeza e reverência. Meus gemidos se misturavam aos rosnados dele. Eu era toda dele.

— Pela Deusa... — ele sussurrou, mordendo meu ombro. — Você está... ainda mais apertada.

— Darius... — gaguejei, sendo invadida por um orgasmo avassalador. Ele me acompanhou, tremendo contra mim.

— Mulher... sua buceta hoje estava... um inferno de boa. — ele disse ofegante, arrancando minha risada.

— Eu te amo. — sussurrei, ofegante.

— Eu te amo mais. — respondeu, me puxando para seus braços.

Nos acariciamos em silêncio, e por fim, adormecemos. Eu sonhei com olhos dourados, uivos distantes e o mundo novo que estava por vir. O mundo de Filipa.

SupremaOnde histórias criam vida. Descubra agora